Destaques do dia

Viva, investidor 👋

Aqui está o que precisas de saber hoje, em 4 minutos.

  • 🔒 Mais de 1.700 plataformas de criptoativos sem licença deixaram de poder operar na União Europeia, e só 323 empresas têm autorização válida ao abrigo do MiCA

  • 🛒 Home Depot, Lowe's, TJX e Walmart reportam resultados esta semana, num teste ao estado real do consumidor americano

  • 🌡️ A inflação nos Estados Unidos abrandou em julho, e o mercado já reduziu a probabilidade de uma subida de juros pela Fed em setembro

Os números de hoje

S&P500
NASDAQ
OURO
BITCOIN
US BONDS
BRENT OIL
0,17%
0,28%
0,40%
0,50%
0,01%
1,02%
7.786
26.729
$4.395
$63.256
4,69%
$89,42

Dados fornecidos pelo Yahoo Finance.

CRIPTOMOEDAS
A grande arrumação

O que se passou

Desde que o Regulamento Mercados de Criptoativos (MiCA) entrou em vigor a 1 de julho, mais de 1.700 plataformas de criptoativos sem licença deixaram de poder servir clientes na União Europeia. Só 323 empresas têm hoje autorização válida, segundo dados da ESMA, o supervisor europeu.

O que isto significa

Até agora, cada país da União Europeia tinha regras diferentes para as plataformas de criptoativos. Com o MiCA, isso mudou. Passou a existir um único regime de licenciamento para toda a União Europeia, desde a guarda de ativos até às plataformas onde se compram e vendem criptoativos.

Quem não conseguiu essa licença dentro do prazo deixou de poder operar legalmente. E isso pode obrigar milhões de utilizadores a mudar os seus ativos para plataformas que estejam devidamente licenciadas.

Porque deves querer saber

🕵️ Cuidado com quem aparece a ajudar.

É precisamente nestas alturas, em que muita gente tem de mudar de plataforma, que começam a aparecer os esquemas.

Os reguladores já avisaram que há burlas a fazer-se passar por plataformas licenciadas ao abrigo do MiCA, aproveitando-se de quem está à procura de um novo sítio para guardar ou negociar os seus criptoativos.

Por isso, antes de transferires seja o que for, confirma sempre se a plataforma está mesmo licenciada nos registos oficiais do MiCA. Não te fiques por anúncios, redes sociais ou mensagens que te chegam do nada.

🏦 A banca tradicional entra em cena.

Nem todas as plataformas conseguiram obter a licença a tempo. A Binance, por exemplo, a maior plataforma de criptomoedas do mundo, ainda não aparecia no registo em meados de agosto. Já a Kraken, a Coinbase e a Bitstamp conseguiram autorização através de países como a Irlanda, o Luxemburgo e Malta.

Mas há aqui outro detalhe interessante. Os bancos tradicionais também estão a entrar neste mercado e já representam uma parte relevante das licenças emitidas, sobretudo na guarda e liquidação de ativos.

Ou seja, a cripto está cada vez menos à margem do sistema financeiro tradicional. Aos poucos, está a tornar-se parte dele.

RESULTADOS
O termómetro do consumidor americano

O que se passou

Esta semana, quatro dos maiores retalhistas dos Estados Unidos reportam resultados trimestrais: a Home Depot na terça-feira, a Lowe's e a TJX Companies na quarta-feira, e a Walmart na quinta-feira.

O que isto significa

Estes resultados chegam numa altura em que há muitas dúvidas sobre a verdadeira força do consumidor americano. O mercado de trabalho está a dar sinais de fraqueza, enquanto a inflação continua a pesar no bolso das famílias.

E estas empresas ajudam-nos a perceber melhor o que se está a passar. A Home Depot e a Lowe's dependem muito das renovações e obras em casa, despesas que as famílias conseguem facilmente adiar quando o dinheiro começa a apertar.

A TJX, dona da TJ Maxx, mostra-nos outra realidade: beneficia precisamente quando os consumidores começam a procurar preços mais baixos e a pensar duas vezes antes de gastar.

E depois temos a Walmart, que fecha a semana. Pela dimensão que tem e pelo peso dos consumidores de rendimentos baixos e médios nas suas lojas, os seus números vão dar-nos uma boa fotografia de como estão realmente as famílias americanas.

Porque deves querer saber

🔨 As expectativas já estão no preço.

Os analistas esperam algum abrandamento na Home Depot e na Lowe’s, mas nada de dramático. As vendas devem continuar a crescer a um ritmo saudável, algures entre os 5% e os 9%.

Na TJX, a expectativa é de cerca de 5% de crescimento. Ainda assim, a fasquia pode estar demasiado baixa, porque a empresa já superou as previsões dos analistas durante 12 trimestres consecutivos.

Para a Walmart, espera-se também um crescimento perto dos 5%, mais ou menos em linha com aquilo que tem vindo a apresentar nos últimos trimestres.

📊 A economia em K.

Fala-se cada vez mais numa “economia em K”. A ideia é simples: as famílias com mais património e investimentos continuam a beneficiar da subida dos mercados, enquanto as famílias com rendimentos mais baixos sentem muito mais o peso da inflação e do custo de vida.

As duas realidades vão-se afastando, daí a comparação com os dois braços de um K.

E é por isso que, nos resultados da Walmart, eu olharia menos para o crescimento total das vendas e mais para o comportamento dos clientes.

Se as famílias de rendimento mais baixo começarem a comprar menos, a escolher marcas ainda mais baratas ou a cortar em produtos que não são essenciais, isso diz-nos muito sobre o estado real do consumidor americano.

MACROECONOMIA
A Fed ganha tempo

O que se passou

A inflação nos Estados Unidos deu algum alívio em julho. O CPI subiu 3,4% face ao ano passado, abaixo dos 3,5% registados em junho.

A inflação core, que exclui alimentação e energia e costuma ser seguida mais de perto pela Fed, também abrandou, de 2,6% para 2,5%.

O que isto significa

Estes dados chegam depois de um relatório de emprego de julho mais fraco do que o esperado. Juntos, dão à Fed mais margem para manter os juros como estão e esperar por mais dados antes de mexer outra vez.

O mercado já está a ajustar as expectativas. Segundo a ferramenta FedWatch da CME, a probabilidade de a Fed manter os juros inalterados em setembro subiu para cerca de 67%, contra 55% há uma semana.

O Morgan Stanley resume bem o que está por trás desta descida da inflação: menos pressão das tarifas, preços da energia mais baixos e custos da habitação a abrandar.

Porque deves querer saber

⏸️ A paciência continua a ser a aposta central.

O Morgan Stanley espera que a Fed fique quieta até ao final do ano e só volte a cortar os juros em 2027, com dois cortes de 25 pontos base, em março e junho.

E este tipo de pausa prolongada não é propriamente novidade. Quando a inflação começa a abrandar e o mercado de trabalho também perde força, a Fed tende a ganhar tempo.

Ou seja, neste momento não há grande urgência nem para subir nem para cortar. O mais provável é esperar por mais dados e só depois decidir o próximo passo.

⚖️ Mas os riscos não estão equilibrados.

O próprio Morgan Stanley avisa que este cenário depende de duas coisas: não aparecerem novos choques do lado da oferta e todo o investimento em inteligência artificial não voltar a pressionar os preços.

Se alguma delas mudar, as contas da Fed também mudam.

Se a inflação voltar a acelerar, o banco admite que a Fed pode ter de subir os juros entre 50 e 75 pontos base, anulando parte dos cortes do ano passado.

Se acontecer o contrário e a inflação continuar a descer, pode haver espaço para cortar mais cedo ou mais do que o previsto.

Para já, nenhum dos extremos parece ser o cenário principal. A ideia é mesmo deixar os juros onde estão e esperar para ver como evoluem a inflação e o emprego.

Conclusão do dia

As três histórias de hoje têm uma coisa em comum: mostram situações em que tomar uma decisão depressa pode sair caro.

Na Europa, quem usa cripto pode ser obrigado a mudar de plataforma e é precisamente aí que aparecem mais burlas e decisões apressadas.

Nos Estados Unidos, os resultados da Walmart e da TJX podem dar-nos uma leitura mais real do consumidor do que muitos indicadores macro. Se as famílias começarem mesmo a cortar, vamos ver isso primeiro nas compras que fazem.

E a Fed está exatamente no mesmo ponto. A inflação melhorou, o emprego arrefeceu, mas ainda não há dados suficientes para justificar uma mudança de rumo.

No fundo, as três histórias pedem a mesma coisa: menos pressa e mais atenção ao que os próximos dados confirmarem.

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Até amanhã,
Equipa Clareza