
Destaques do dia
Viva, investidor 👋
Aqui está o que precisas de saber hoje, em 5 minutos.
🤖 A Anthropic pode estrear em bolsa em outubro com uma avaliação de 2 biliões de dólares, mais do que a SpaceX alguma vez valeu.
💪 As margens do S&P 500 chegaram aos 16,9% no segundo trimestre, a mais alta desde que há registo, em 2009.
🏛 A inflação nos EUA arrefeceu em julho, mas o mercado ainda não sabe se isso chega para travar a Fed em setembro.
Os números de hoje
▲ S&P500
▲ NASDAQ
▼ OURO
▼ BITCOIN
▼ US BONDS
▼ BRENT OIL
0,65%
0,81%
1,37%
0,04%
0,04%
2,15%
7.799
26.803
$4.406
$63.385
4,65%
$87,07
Dados fornecidos pelo Yahoo Finance.
ESTREIAS EM BOLSA
Um trilião a mais que a SpaceX

O que se passou
A Anthropic, a startup de inteligência artificial responsável pelo Claude, prepara-se para avançar com uma oferta pública inicial em outubro, segundo relatos, com uma avaliação que pode ultrapassar os 2 biliões de dólares.
O que isto significa
Essa avaliação tornaria a estreia da Anthropic a maior de sempre, à frente da atual recordista, a SpaceX, avaliada em 1,77 biliões de dólares.
A receita da empresa está a crescer a um ritmo elevado. Em maio, a Anthropic tinha uma taxa de execução anual, ou seja, o que faturaria num ano ao ritmo desse mês, de 47 mil milhões de dólares, longe dos 14 mil milhões de janeiro. A própria empresa espera chegar aos 120 mil milhões até ao final do ano.
Porque deves querer saber
🧮 Fazendo as contas.
Uma avaliação de 2 biliões de dólares equivale a cerca de 20 vezes a receita anual esperada da Anthropic, um múltiplo próximo do que gigantes como a Nvidia e a Microsoft negoceiam em bolsa hoje. Isso torna o número menos exagerado do que parece à primeira vista.
Ainda assim, fica longe das 55 vezes a receita a que empresas de inteligência artificial como a Palantir e a Nebius são hoje avaliadas em bolsa. Mesmo a 2 biliões, a Anthropic pode estar a pedir um preço relativamente comedido para os padrões do setor.
📊 O tamanho da aposta.
Se a operação avançar como esperado, a Anthropic ultrapassaria a SpaceX como a maior estreia privada de sempre a chegar à bolsa. É mais um sinal de como o mercado está disposto a pagar por infraestrutura de inteligência artificial, mesmo sem lucros garantidos.
Para quem investe, é também um lembrete de como a fasquia das avaliações no setor tem subido rápido. O que hoje parece um número astronómico pode em breve tornar-se o novo normal.
MERCADOS
As empresas nunca guardaram tanto dinheiro

O que se passou
As empresas do S&P 500 estão a reter mais lucro por cada dólar de vendas do que alguma vez tinham conseguido. A margem líquida combinada do índice chegou aos 16,9% no segundo trimestre, segundo dados da FactSet, o valor mais alto desde que a empresa começou a acompanhar esta métrica, em 2009.
O que isto significa
A margem líquida é a percentagem da receita que sobra depois de pagas todas as despesas. Este valor subiu dos 14,8% do primeiro trimestre e está bem acima da média dos últimos cinco anos, de 12,4%.
A Alphabet e a Amazon lideram a contribuição para este recorde. A Alphabet apresentou uma margem operacional de 34% no segundo trimestre, acima dos 32% de há um ano. Já a Amazon teve uma margem operacional de 13,7%, também a subir face aos 11,4% do ano passado.
Porque deves querer saber
💪 Não é só coisa de duas empresas.
Mesmo sem contar com a Alphabet e a Amazon, a margem do S&P 500 continua em 15%. Também esse valor é recorde e o mais alto desde 2009, o que mostra que a força vai muito além das duas maiores tecnológicas do índice.
Oito dos onze setores do S&P 500 têm margens mais altas do que há um ano, com destaque para tecnologia, serviços de comunicação, consumo discricionário e energia.
⚙️ Escalar sem pesar no bolso.
Segundo Adam Schickling, economista sénior da Vanguard, a procura forte e a alavancagem operacional têm ajudado as empresas a transformar mais receita em lucro. Isto é especialmente visível na tecnologia, um setor que historicamente consegue adicionar clientes sem aumentar os custos na mesma proporção.
Mas essa vantagem não é garantida para sempre. A pressão competitiva está a aumentar, com cada vez mais concorrentes a entrar no setor, o que pode pesar sobre estas margens recordes no futuro.
MACROECONOMIA
Os preços perderam fôlego, mas nem todos concordam

O que se passou
Os Estados Unidos divulgaram esta semana os números de inflação de julho. O Índice de Preços no Consumidor desceu para 3,4% em termos homólogos, e o Índice de Preços no Produtor, que mede os custos das empresas, recuou para 4,7%.
O que isto significa
Excluindo os preços mais voláteis dos alimentos e da energia, a inflação subjacente do IPC também abrandou, para 2,5%. Já o indicador subjacente do PPI recuou, embora as fontes disponíveis divirjam sobre o valor exato, por isso fica aqui a ressalva.
A queda dos preços dos bens explica boa parte do abrandamento. Mais de metade veio de uma descida de 5,7% no preço da gasolina. Do lado dos serviços, os custos continuaram a subir, com destaque para um aumento de 6,5% nos custos de gestão de carteiras.
Porque deves querer saber
🏛 Mais espaço de manobra para a Fed.
Dados mais frios dão à Fed alguma folga para não ter pressa em apertar a política monetária. O mercado já não vê uma subida das taxas de juro em setembro como o cenário mais provável, com uma probabilidade implícita de cerca de 35%, mas também ainda não está a contar totalmente com um corte antes do final do ano.
Sem grandes notícias geopolíticas a dominar as atenções, os dados macroeconómicos voltaram a estar no centro das atenções dos investidores.
💾 Quem mais ganhou com isto.
As bolsas reagiram bem. O Nasdaq subiu 0,8% e o S&P 500 subiu 0,6%, ambos a fechar em novos máximos históricos. Entre as maiores subidas do dia estiveram fornecedores de memória para data centers, como a SanDisk, que disparou 16,6%, e a Western Digital, que subiu 8,6%.
O mercado de trabalho, por seu lado, continua apertado. Os pedidos iniciais de subsídio de desemprego subiram ligeiramente para 209 mil, acima do esperado, mas ainda perto de mínimos recentes.
A leitura Clareza
Segundo o Termómetro de Oportunidades, a SanDisk está classificada como Muito Barato, e o Raio-X da Ação dá-lhe um score de saúde financeira de 98 em 100.
Conclusão do dia
As margens recordes do S&P 500 e a avaliação de 2 biliões de dólares que se fala para a Anthropic contam a mesma história a partir de dois ângulos diferentes. O mercado está disposto a pagar cada vez mais caro por empresas que conseguem transformar crescimento em lucro, sejam elas gigantes já cotadas ou startups ainda privadas.
A inflação mais fria de julho ajuda a sustentar esse otimismo. Com menos pressão para a Fed apertar a política monetária, fica mais fácil justificar múltiplos elevados, tanto nas ações que sobem para máximos históricos como numa eventual estreia em bolsa do tamanho da Anthropic.
A pergunta que fica para os próximos meses é se estas avaliações resistem quando os dados deixarem de vir tão a favor do mercado como aconteceu esta semana.
Recebeste esta newsletter de um amigo? Subscreve aqui.
Até amanhã,
Equipa Clareza
