Destaques do dia

Viva, investidor 👋

Aqui está o que precisas de saber hoje, em 6 minutos.

  • 🍎 A Apple prepara-se para o primeiro grande evento sob o novo CEO John Ternus, com um iPhone dobrável à espera nos bastidores

  • 💼 O mercado de trabalho dos EUA criou 162.000 empregos em agosto, mais do dobro do que os economistas esperavam

  • ⭐ A Fitch subiu a notação da dívida portuguesa de A para A+, citando o esforço orçamental sustentado ao longo de vários governos

Os números de hoje

S&P500
NASDAQ
OURO
BITCOIN
BRENT OIL
0,38%
0,29%
0,13%
0,46%
0,08%
7.719
26.507
$4.420
$79.472
$96,20

Dados fornecidos pelo Yahoo Finance.

TECNOLOGIA
O primeiro palco de Ternus

O que se passou

Na próxima quarta-feira, dia 9 de setembro, a Apple realiza o evento anual de lançamento do iPhone. Vai ser o primeiro desde que John Ternus substituiu Tim Cook como CEO no início do mês.

São esperados os novos iPhone 18 Pro e Pro Max, novos Apple Watch e, sobretudo, aquele que poderá ser o primeiro iPhone dobrável da Apple.

O que isto significa

Tim Cook continua ligado à empresa através do conselho de administração, mas desta vez quem assume o palco é Ternus, até agora responsável pela engenharia de hardware.

E não é propriamente uma estreia tranquila.

Um iPhone dobrável seria uma das maiores alterações ao formato do produto em muitos anos, numa categoria onde a Samsung já leva uma vantagem considerável.

Por isso, este evento acaba por ser também o primeiro grande teste à nova liderança.

Porque deves querer saber

📱 Uma nova categoria, ou só mais um produto caro.

O Bank of America acredita que um iPhone dobrável pode ajudar a Apple a reforçar a posição numa fase em que a inteligência artificial começa a ter cada vez mais peso nos dispositivos.

Também existe a possibilidade de abrir uma nova categoria com margens superiores às dos iPhones tradicionais.

Mas a Apple chega tarde.

A Samsung já vende dobráveis há vários anos e até reagiu de forma bastante tranquila à possível entrada da concorrente. Um dos seus executivos disse à CNN que mais marcas nesta categoria podem ajudar a torná-la mais conhecida.

Ou seja, para a Samsung, a chegada da Apple também pode aumentar o tamanho do mercado.

⚠️ O preço pode pesar mais do que o produto.

A KeyBanc Capital Markets continua com uma recomendação de venda sobre a Apple e acredita que a empresa pode ter de subir preços para compensar custos mais altos.

Ainda não há valores oficiais, mas a estimativa da casa aponta para aumentos superiores a 100 dólares nos modelos Pro.

E há outro detalhe curioso.

Nos últimos cinco anos, as ações da Apple caíram, em média, no próprio dia do anúncio do iPhone e também nos dias seguintes.

Por isso, mesmo que o produto impressione, isso não significa que a ação tenha necessariamente uma boa reação.

A leitura Clareza

Segundo o Radar de Oportunidades do Clareza, a Apple está classificada como Muito Cara, com um score de qualidade do negócio de 74 em 100.

MACROECONOMIA
O relatório que ninguém via a chegar

O que se passou

A economia americana criou 162.000 empregos em agosto.

Os economistas esperavam apenas 65.000.

A taxa de desemprego também surpreendeu pela positiva, mantendo-se nos 4,1%, quando a expectativa era de uma subida para 4,2%.

O que isto significa

E os meses anteriores também foram revistos em alta.

Julho, que inicialmente mostrava uma perda de 23.000 empregos, passou agora a um ganho de 21.000. Junho foi revisto de 20.000 para 31.000.

À primeira vista, parece um relatório muito forte.

Mas quando abrimos os números, percebe-se que o crescimento esteve bastante concentrado.

Restauração e bares criaram 59.000 empregos e as escolas públicas locais mais 42.000.

Só estes dois grupos representam 62% de todos os novos postos de trabalho do mês.

Porque deves querer saber

🏦 A Fed fica com uma decisão mais difícil.

Este foi o último grande dado sobre emprego antes da reunião da Fed de 15 e 16 de setembro.

Um mercado de trabalho mais resistente dá à Fed mais espaço para manter uma postura apertada ou até voltar a subir juros.

O mercado já começou a ajustar as expectativas nesse sentido.

Mas ainda falta um dado importante: a inflação, que sai na sexta-feira.

E esse número pode acabar por pesar mais na decisão final.

🔍 Um número forte, mas não tão sólido quanto parece.

Alguns economistas acreditam que parte da surpresa de agosto pode ter vindo de ajustes sazonais e não propriamente de uma aceleração real das contratações.

A restauração é um bom exemplo. Criou 59.000 empregos em agosto, quando a média do último ano rondava apenas os 12.000 por mês.

Os salários também contam uma história menos entusiasmante.

O crescimento salarial abrandou para 3,1% ao ano, o valor mais baixo em cinco anos.

É já o quarto mês consecutivo em que os salários crescem menos do que a inflação. Ou seja, há mais empregos, mas o poder de compra continua pressionado.

MACROECONOMIA
Portugal sobe de nota

O que se passou

Na sexta-feira, a Fitch subiu a notação da dívida portuguesa de A para A+, mantendo a perspetiva estável.

O que isto significa

A Fitch destacou sobretudo a melhoria das contas públicas e a redução continuada da dívida.

E há um ponto que a agência fez questão de referir: esta disciplina orçamental tem atravessado vários governos, independentemente da cor política.

A Fitch também ficou um pouco mais otimista em relação ao crescimento da economia portuguesa.

Agora espera 2,1% este ano e 1,9% tanto em 2027 como em 2028, acima das previsões que tinha feito em março.

Porque deves querer saber

📈 Portugal junta-se a um grupo mais seleto.

Com o A+, Portugal passa a ter uma notação semelhante à de países como França, Bélgica e Estónia.

E entra no top 10 de ratings dentro da União Europeia.

Na zona euro, apenas seis países têm atualmente uma classificação superior.

A Fitch também passa a estar alinhada com a S&P, que já tinha Portugal em A+ e com perspetiva positiva.

A Moody's continua mais cautelosa, com A3.

💶 O que uma notação mais alta muda na prática.

Quanto melhor for o rating de um país, menor tende a ser o risco que os investidores lhe atribuem.

E isso pode ajudar o Estado a financiar-se em melhores condições.

Com o tempo, esse efeito também pode chegar às empresas e às famílias, embora não seja automático nem imediato.

A Fitch também não deixou de apontar problemas.

A dívida pública portuguesa continua elevada quando comparada com outros países com a mesma classificação e a produtividade continua baixa.

Ou seja, as contas estão melhores, mas o potencial de crescimento da economia continua limitado enquanto a produtividade não melhorar.

Conclusão do dia

Se tivesse de escolher a notícia mais importante de hoje para quem investe, ficava com os dados do emprego nos Estados Unidos.

Não pelos 162.000 empregos em si, mas pelo que esse número pode fazer às expectativas para os juros.

Até aqui, grande parte do mercado estava a contar com uma Fed mais próxima de aliviar. Um mercado de trabalho que continua resistente dá-lhe menos pressa para o fazer e até volta a pôr em cima da mesa a possibilidade de juros mais altos durante mais tempo.

E isso mexe com praticamente tudo.

Obrigações passam a oferecer retornos mais interessantes, empresas com valuations muito elevados ficam mais difíceis de justificar e ativos mais sensíveis à liquidez, como tecnologia e Bitcoin, podem sentir mais pressão.

Por isso, o dado que eu acompanharia agora nem é o emprego. É a inflação desta sexta-feira.

Se também vier acima do esperado, o mercado pode ter de voltar a fazer contas aos juros — e essa é provavelmente a variável com mais capacidade para mexer nas carteiras neste momento.

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Até amanhã,
Equipa Clareza