Destaques do dia

Viva, investidor 👋

Aqui está o que precisas de saber hoje, em 5 minutos.

  • 🤖 A DeepSeek está a planear um data center de mil megawatts na Mongólia Interior, o maior já construído por uma empresa chinesa.

  • 🛢️ O conflito no Irão fez o petróleo subir cerca de 20% este mês, levando a inflação a 2% no Japão e a 2,9% na zona euro.

  • 🍎 A Apple viu as ações caírem quase 10% depois de prever um crescimento de receita entre 9% e 11%, abaixo dos 12% esperados por Wall Street.

Os números de hoje

S&P500
NASDAQ
OURO
BITCOIN
US BONDS
BRENT OIL
0,70%
1,00%
0,20%
2,94%
0,06%
2,11%
7.490
25.373
$4.040
$63.050
4,68%
$81,59

Dados fornecidos pelo Yahoo Finance.

INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL
A aluna exemplar decide gastar como as outras

O que se passou

A DeepSeek, a startup chinesa de inteligência artificial conhecida por fazer mais com menos, está a planear construir um data center de mil megawatts na Mongólia Interior.

O que isto significa

A DeepSeek tornou-se famosa mundialmente com um modelo de IA que rivalizou com os melhores de Silicon Valley, gastando uma fração dos recursos computacionais.

Essa eficiência tornou-se a sua imagem de marca.

Ajudou também a travar as ações tecnológicas americanas, alimentadas pelo receio de que a indústria estivesse a gastar demasiado em infraestrutura.

Agora a DeepSeek, que pondera avançar com uma oferta pública inicial avaliada em 50 mil milhões de dólares este ano, está a fazer exatamente o que as gigantes tecnológicas americanas já fazem: apostar pesado em infraestrutura própria.

O data center previsto seria o maior alguma vez construído por uma empresa chinesa, ainda que menor do que os megaprojetos que as empresas americanas têm em curso.

Porque deves querer saber

🔌 Menos dependência, mais controlo.

Até agora, os laboratórios chineses alugavam capacidade de computação a fornecedores de cloud locais, e por vezes também a fornecedores americanos.

Construir a sua própria infraestrutura significa que a DeepSeek deixa de depender de rivais de cloud, tanto dentro como fora da China.

Consegue também crescer sem pedir autorização a ninguém.

⚠️ O fim do argumento “baratinho”.

Construir infraestrutura própria custa muito dinheiro, e isso traz pressão para gerar retorno.

Até agora, a DeepSeek destacava-se por fazer mais com menos. Agora aproxima-se do mesmo modelo caro que já define a OpenAI e a Anthropic.

MACROECONOMIA
O preço do conflito chega ao supermercado

O que se passou

Na sexta-feira, o Banco do Japão e o Banco Central Europeu mantiveram as taxas de juro inalteradas, mesmo com a inflação a subir dos dois lados por causa do conflito no Irão, que já levou o petróleo a subir cerca de 20% este mês.

O que isto significa

A inflação em Tóquio, que costuma antecipar a tendência nacional do Japão, chegou aos 2% em julho.

É o valor mais alto em quatro meses, e bate exatamente na meta do Banco do Japão.

Na zona euro, a inflação ao consumidor chegou aos 2,9% em julho. Uma história parecida.

O Banco do Japão manteve a taxa de juro em 1%. O Banco Central Europeu também manteve as taxas inalteradas na reunião da semana passada. Mas em ambos os casos, uma subida em setembro parece provável.

Porque deves querer saber

⚠️ Moeda barata, fatura cara.

O iene fraco torna as importações do Japão mais caras, o que alimenta ainda mais a inflação.

Por isso, na quinta-feira, o governo japonês gastou cerca de 54 mil milhões de dólares para valorizar a moeda, e conseguiu subir o iene cerca de 3% face ao dólar.

Já aconteceu antes: o Japão também tentou travar a queda do iene em abril, e o efeito não durou muito tempo. A taxa de juro de 1% continua mais baixa do que a maioria das regiões desenvolvidas, e isso leva investidores a pedir emprestado em ienes baratos para investir em ativos com retornos mais altos noutros lugares.

Há sinais de que os Estados Unidos podem ajudar: as autoridades americanas fizeram uma verificação junto de operadores de câmbio sobre a que preço o iene está a ser negociado. Isso costuma ser sinal de que o Tesouro dos EUA pondera intervir para apoiar a moeda.

🔁 Quando a expectativa cria a realidade.

Normalmente, os bancos centrais esperam que a inflação puxada pela energia passe sozinha. Choques de oferta costumam passar com o tempo, e subir juros não faz aparecer mais petróleo ou gás do nada.

O risco maior está nos efeitos de segunda ordem: quando consumidores e empresas passam a esperar inflação mais alta e começam a agir como se ela viesse para ficar. Isso pode transformar uma dor temporária numa dor crónica.

RESULTADOS
Quando avisar custa caro

O que se passou

As ações da Apple caíram quase 10% depois de a empresa admitir uma escassez "muito significativa" de componentes e prever um crescimento de receita entre 9% e 11%, abaixo da estimativa de Wall Street, que rondava os 12%.

O que isto significa

Quando uma empresa como a Apple diz aos investidores o que espera para os próximos meses, essa previsão costuma pesar tanto ou mais do que os resultados já reportados.

Neste caso, o problema não foi o passado, foi o futuro. A empresa avisou que a escassez de componentes é significativa, e isso trava o crescimento esperado.

É essa diferença entre o que se esperava e o que a empresa promete que costuma mexer mais com a ação do que o próprio resultado do trimestre.

Porque deves querer saber

⚠️ Não é só a Apple.

A escassez de componentes que a Apple descreve não é um problema isolado.

A indústria de eletrónicos de consumo tem sentido o aperto na oferta de peças, à medida que a procura por infraestrutura de inteligência artificial consome cada vez mais capacidade de produção de chips e memória.

Quando os fabricantes preferem vender a quem paga mais por infraestrutura de IA, sobra menos capacidade, e a um custo mais alto, para quem fabrica telemóveis e computadores…

🔎 O mercado julga a promessa, não o passado.

Isto mostra um padrão que se repete nos mercados: uma empresa pode ter tido um bom trimestre e mesmo assim ver a ação cair, se a previsão para o futuro ficar abaixo do esperado.

Para quem investe, o número que interessa muitas vezes não é o resultado já feito, é a promessa sobre o que vem a seguir. E quando essa promessa decepciona, o mercado reage primeiro e faz perguntas depois.

A leitura Clareza

Segundo o Termómetro de Oportunidades, a Apple está classificada como Neutra, e o Raio-X da Ação dá-lhe um score de saúde financeira de 68 em 100.

Nem o valuation nem a saúde financeira dão um sinal forte num sentido ou noutro, por isso a reação do mercado à guidance vale a pena ser olhada com atenção, sem tirar já conclusões sobre o que vem a seguir.

Conclusão do dia

Hoje há um fio que liga tudo, mas não é óbvio à primeira vista: quem paga a fatura da corrida tecnológica e energética atual.

A DeepSeek mostra que construir infraestrutura de IA deixou de ser um exclusivo americano, e que mesmo quem prometia fazer mais com menos acaba a gastar como os outros.

Já o Japão e a zona euro sentem outro tipo de fatura, a do petróleo mais caro, com o conflito no Irão a empurrar a inflação para cima e a testar os bancos centrais.

E a Apple lembra que a escassez de componentes, muitas vezes ligada a essa mesma corrida por chips e memória para IA, também chega a quem faz telemóveis e computadores.

Três frentes diferentes, uma pergunta parecida: quem consegue absorver estes custos sem travar o crescimento, e quem vai ter de os encarar.

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Até amanhã,
Equipa Clareza

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