Destaques do dia

Viva, investidor 👋

Aqui está o que precisas de saber hoje, em 4 minutos.

  • 📈 Os juros da dívida pública dos Estados Unidos subiram para o nível mais alto em quase duas décadas, e a fatura vai chegar a hipotecas, empresas e ao próprio governo americano

  • 🌙 A Nasdaq quer negociar ações quase 23 horas por dia a partir de dezembro, o que vai dar aos investidores europeus uma janela de negociação horas antes de Londres abrir

  • 🏛️ Christine Lagarde avisou que o modelo de crescimento da Europa está a ser corroído, e pediu menos fragmentação para a Europa não perder a corrida da inteligência artificial

Os números de hoje

S&P500
NASDAQ
OURO
BITCOIN
US BONDS
BRENT OIL
0,69%
1,33%
0,21%
0,40%
0,01%
1,37%
7.692
26.290
$4.356
$64.366
4,70%
$92,27

Dados fornecidos pelo Yahoo Finance.

MACROECONOMIA
O preço da dívida está a disparar

O que se passou

Ontem à noite, a yield das obrigações do Tesouro americano a 30 anos subiu para o nível mais alto em quase duas décadas, acompanhando a subida dos juros da dívida pública nos Estados Unidos.

O que isto significa

Não há uma única razão para esta subida. O mercado está a juntar vários fatores ao mesmo tempo: o governo americano continua a emitir muita dívida, a economia continua relativamente forte e as tensões no Médio Oriente podem voltar a pressionar a inflação.

Ao mesmo tempo, cresce a ideia de que a Fed pode manter os juros elevados durante mais tempo, enquanto alguns investidores estrangeiros começam a diversificar para fora da dívida americana.

As grandes tecnológicas também estão a contribuir para esta pressão. Estão a emitir cada vez mais dívida para financiar data centers e inteligência artificial. Na prática, esse dinheiro acaba por competir com o Tesouro americano pelos mesmos investidores.

Porque deves querer saber

💳 A fatura chega a todos.

Juros mais altos na dívida pública acabam por tornar o crédito mais caro para quase toda a gente. Hipotecas, crédito automóvel e financiamento das empresas tendem a acompanhar esse movimento, o que encarece novos empréstimos e faz com que quem já tem uma taxa fixa baixa pense duas vezes antes de refinanciar ou mudar de casa.

Nas empresas, o impacto sente-se sobretudo em quem precisa de emitir nova dívida ou refinanciar a que já tem. E isso é especialmente importante no setor tecnológico, onde várias empresas estão a recorrer cada vez mais à dívida para financiar a construção de data centers ligados à inteligência artificial.

🌍 O resto do mundo sente o mesmo.

A subida dos juros nos Estados Unidos não afeta só os americanos. Um dólar mais forte também pode dificultar o acesso a financiamento para empresas com pior qualidade de crédito, governos mais endividados e países emergentes.

E há também um efeito direto sobre o próprio governo dos Estados Unidos. Juros mais altos significam uma fatura maior para servir a dívida pública, o que deixa menos margem no orçamento.

Se essa fatura continuar a aumentar, podem crescer também as dúvidas sobre a sustentabilidade da dívida americana. E isso, por sua vez, pode levar os investidores a exigir juros ainda mais altos para emprestar dinheiro ao governo.

MERCADOS
A bolsa que nunca dorme

O que se passou

A Nasdaq anunciou que vai passar a negociar ações dos Estados Unidos durante quase 23 horas por dia a partir de 6 de dezembro, sujeito ainda a aprovação da SEC (a entidade reguladora do mercado de capitais nos Estados Unidos).

O que isto significa

A nova sessão vai funcionar entre as 21h e as 4h, hora de Nova Iorque, o que em Portugal corresponde às 3h às 10h.

Na prática, os investidores europeus vão poder negociar ações da Nasdaq durante várias horas antes da abertura de Londres.

A Nasdaq já permite negociação fora do horário normal, entre as 4h e as 9h30 e entre as 16h e as 20h, mas essas sessões têm sido usadas sobretudo por investidores institucionais com acesso direto ao mercado.

Tal Cohen, presidente da Nasdaq, diz que esta expansão pretende dar acesso a mais investidores e criar mais oportunidades para investir.

E há procura para isso. As posições de investidores estrangeiros em ações americanas chegaram aos 17 biliões de dólares em meados de 2024, quase o dobro do valor registado em 2019.

Porque deves querer saber

🌅 Uma janela nova para quem investe na Europa.

Se investes a partir de Portugal, esta mudança vai abrir uma janela de negociação que hoje praticamente não existe fora dos canais institucionais.

Na prática, vais poder reagir a notícias, resultados ou outros acontecimentos nos Estados Unidos várias horas antes da abertura das bolsas europeias, em vez de teres de esperar pela tarde.

Não é só a Nasdaq.

Já há outros mercados a avançar na mesma direção. A NYSE, por exemplo, já recebeu aprovação da SEC para ter um dia de negociação com 22 horas, e a Cboe, a maior bolsa de opções dos Estados Unidos, também tem planos semelhantes.

Os próprios acontecimentos geopolíticos ajudam a perceber porquê. Quando os Estados Unidos e Israel atacaram instalações nucleares no Irão num sábado de manhã, os mercados tradicionais estavam fechados.

Quem queria reagir naquele momento teve de recorrer a plataformas de criptomoedas e mercados descentralizados para negociar ativos ligados a petróleo, ouro e prata em tempo real.

MACROECONOMIA
Lagarde acende o alarme europeu

O que se passou

Esta quarta-feira, Christine Lagarde, presidente do Banco Central Europeu, avisou que o modelo de crescimento da Europa está a perder força e defendeu um mercado único menos fragmentado.

A ideia é simples: se a Europa continuar dividida por regras, mercados e barreiras diferentes entre países, vai ter mais dificuldade em competir na inteligência artificial com os Estados Unidos e a China.

O que isto significa

Lagarde falou num evento do Fórum Económico Mundial, em Genebra, e lembrou que a Europa ficou para trás na primeira grande vaga digital. Grande parte dos ganhos trazidos pelas tecnologias de informação acabou por ficar concentrada noutros países.

Para a presidente do BCE, a Europa continua a ter várias vantagens: uma enorme rede de acordos comerciais, mão de obra qualificada, capacidade industrial e um mercado de 27 países com cerca de 450 milhões de consumidores.

O problema é conseguir transformar tudo isso em crescimento mais forte e mais duradouro.

Porque deves querer saber

🧩 Dois travões que se alimentam um ao outro.

Lagarde apontou dois problemas muito concretos.

Por um lado, o mercado único europeu continua demasiado fragmentado, o que faz com que muitas empresas estejam mais focadas em competir dentro dos próprios países do que em ganhar escala e adotar novas tecnologias.

Por outro, os mercados de capitais também continuam divididos. Isso dificulta o acesso a financiamento e acaba por empurrar algumas empresas jovens e inovadoras para fora da União Europeia.

Segundo Lagarde, estes dois problemas acabam por alimentar-se um ao outro.

📉 O que isto diz sobre onde está o crescimento.

O resultado, segundo Lagarde, é que menos empresas europeias conseguem ganhar escala global e a inteligência artificial acaba por ser adotada mais devagar na economia.

Para quem investe, isto ajuda a perceber porque é que grande parte do crescimento e do entusiasmo em torno da inteligência artificial continua concentrado em empresas americanas e asiáticas, e muito menos em empresas europeias.

Conclusão do dia

As três notícias de hoje parecem falar de coisas diferentes, mas acabam por ter um ponto em comum: a competição pelo capital global.

Nos Estados Unidos, os juros da dívida estão a subir numa altura em que o governo continua a emitir muita dívida e as grandes tecnológicas também recorrem cada vez mais ao mercado para financiar data centers e inteligência artificial. No fundo, todos estão a disputar o mesmo dinheiro dos investidores.

A Nasdaq quer alargar o horário de negociação para captar mais desse capital, incluindo o de investidores europeus.

E, na Europa, Christine Lagarde deixou precisamente o aviso contrário: se a União Europeia não resolver a fragmentação dos seus mercados, arrisca continuar a perder empresas, investimento e escala para outras regiões.

No fundo, dívida pública, bolsas e economias inteiras estão a competir pela mesma coisa: o dinheiro dos investidores e a capacidade de o transformar em crescimento.

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Até amanhã,
Equipa Clareza