Destaques do dia

Viva, investidor 👋

Aqui está o que precisas de saber hoje, em 4 minutos.

  • 📊 A Microsoft cresceu 18% e a Azure acelerou para 43%, mas a Meta viu o lucro cair 14% apesar de vender mais

  • 🏦 A Fed manteve as taxas entre 3,5% e 3,75%, mas três votos contra pediram uma subida

  • 👟 A Nike perdeu 30% do negócio na China desde 2021, e a receita caiu para o valor mais baixo em oito anos

Os números de hoje

S&P500
NASDAQ
OURO
BITCOIN
US BONDS
BRENT OIL
1,52%
1,74%
0,69%
0,21%
0,07%
1,50%
7.316
24.443
$4.068
$64.203
4,70%
$92,10

Dados fornecidos pelo Yahoo Finance.

RESULTADOS
Duas faces da mesma fatura

O que se passou

A Microsoft e a Meta apresentaram ontem os resultados do segundo trimestre, e o mercado reagiu de forma oposta a cada uma. As ações da Microsoft subiram 8% no mercado após fecho, enquanto as da Meta caíram quase 10%.

O que isto significa

A receita da Microsoft cresceu 18% face ao ano passado, para mais de 90 mil milhões de dólares, acima do que os analistas esperavam. O motor foi a Azure, o negócio de cloud, que acelerou para um crescimento de 43%, o ritmo mais rápido em quatro anos.

A Meta também cresceu, com a receita a subir 28% para quase 61 mil milhões de dólares, mas o lucro caiu 14%. A empresa gastou 55% mais do que no ano passado a construir infraestrutura de inteligência artificial, e prometeu continuar a gastar pelo menos 130 mil milhões de dólares este ano.

Porque deves querer saber

🔄 A aposta a mudar de cavalo.

A Microsoft investiu 13 mil milhões de dólares na OpenAI desde 2021, e construiu o assistente Copilot à volta dos modelos da empresa. Mas há sinais de que pode passar a usar também modelos da DeepSeek, a startup chinesa que tem vindo a aproximar o desempenho dos seus modelos, a um custo muito mais baixo.

Isto é um sintoma de algo maior. Se os modelos de inteligência artificial se tornarem produtos quase iguais entre si, a diferença deixa de estar em quem tem o melhor modelo. Passa a estar em quem consegue transformar esse modelo em lucro.

⚖️ A fatura ainda não tem recibo.

A Microsoft, a Meta, a Alphabet e a Amazon têm todas o dinheiro e a infraestrutura para apostar forte em inteligência artificial. A pergunta que fica por responder é se esse investimento gigante vai gerar retorno suficiente para justificar as expectativas elevadas dos investidores.

A reação oposta do mercado às duas empresas ontem mostra que a paciência já não é igual para todos. A Microsoft convenceu que o dinheiro está a dar frutos. A Meta ainda não.

A leitura Clareza

Segundo o Termómetro de Oportunidades do Clareza, a Microsoft está classificada como Barata, com um Raio-X da Ação de 79 em 100. A Meta está classificada como Neutra, com um Raio-X de 75 em 100.

Os dois sinais da Microsoft apontam no mesmo sentido: negócio sólido a um preço que ainda deixa espaço para valorizar. Já a Meta tem fundamentos igualmente fortes, mas o valuation não dá uma pista clara num sentido nem noutro, por isso o peso da leitura cai mais sobre a capacidade da empresa de continuar a crescer ao ritmo atual.

MACROECONOMIA
O novo chefe da Fed joga às escondidas

O que se passou

A Fed decidiu manter as taxas de juro inalteradas esta quarta-feira, entre 3,5% e 3,75%, numa votação de 9 contra 3. Os três votos contra queriam uma subida das taxas.

O que isto significa

Kevin Warsh, o novo presidente da Fed há pouco mais de dois meses, decidiu acabar com a prática de dar pistas claras sobre o que vai fazer a seguir. Isso deixou os investidores mais às escuras do que o habitual sobre os próximos passos.

O emprego continua sólido e a inflação abrandou para 2,6% no último mês, mas ainda acima da meta de 2% da Fed. O conflito no Irão está a empurrar os preços da energia para cima outra vez, o que pode travar essa descida.

Porque deves querer saber

📉 O mercado não gostou da resposta.

Depois da conferência de imprensa de Warsh, o rendimento do tesouro americano a 30 anos subiu ao nível mais alto desde 2007, enquanto o do tesouro a 2 anos caiu. Ao mesmo tempo, a probabilidade de a Fed voltar a manter as taxas na próxima reunião subiu 20 pontos percentuais, para 45%.

Isto é um sinal de desconfiança. Vários economistas descreveram a conferência de imprensa de Warsh como confusa e por vezes contraditória, e isso mina a credibilidade de quem lidera o banco central.

🥇 O ouro perde o brilho.

Os bancos centrais têm sido grandes compradores de ouro nos últimos anos, mas os países mais dependentes do petróleo do Médio Oriente têm vendido parte das suas reservas para pagar contas de importação mais caras.

Taxas de juro mais altas durante mais tempo também não ajudam o ouro, que não paga juro nenhum a quem o detém. Para o preço voltar a subir, tanto os preços da energia como a inflação precisam de arrefecer, e isso ainda não está a acontecer.

EMPRESAS
Fora de moda na China

O que se passou

O negócio da Nike na China encolheu 30% desde 2021, e a receita anual caiu para o valor mais baixo em oito anos.

O que isto significa

A China devia ser um mercado em expansão para a Nike. Os produtos desportivos são a categoria de consumo que mais cresce no país, e o mercado de vestuário desportivo cresceu 51% nos últimos cinco anos. Mas a marca perdeu espaço para rivais locais como a Anta e a Li-Ning, que se tornaram mais populares entre os consumidores mais jovens.

Uma parte do problema é cultural. O movimento "China Chic" incentiva os consumidores chineses a preferir marcas nacionais às estrangeiras. Outra parte é operacional: a Nike deixou os seus distribuidores venderem online durante a pandemia sem atualizar os contratos, e isso criou um mercado fragmentado e confuso.

Porque deves querer saber

✂️ Um corte que custa dinheiro antes de resolver o problema.

A Nike está a fechar as lojas online dos seus distribuidores para simplificar o mercado, uma decisão que a própria empresa considera necessária. Um analista do BNP Paribas estima que isto pode custar até mil milhões de dólares em receita por ano, cerca de 17% das vendas da região.

A empresa aposta que vai conseguir compensar essa perda com mais vendas a preço cheio e uma experiência mais premium. Mas isso é uma aposta, não uma garantia.

🧥 Os rivais mostram que dá para virar o jogo.

Enquanto a Nike luta, a Adidas voltou a crescer 13% na China depois de dar mais autonomia às equipas locais para desenhar produtos específicos para o mercado chinês. Um dos exemplos foi um casaco que esgotou em 27 minutos e se tornou viral.

A Lululemon também está a crescer mais de 20% na região. A diferença parece estar na disposição para adaptar o produto ao consumidor local, em vez de replicar o que funciona nos Estados Unidos.

A leitura Clareza

Segundo o Termómetro de Oportunidades do Clareza, a Nike está classificada como Barata, e o Raio-X da Ação dá-lhe um score de saúde financeira de 48 em 100.

Uma ação barata nem sempre é uma pechincha. Com um score a meio da tabela e um negócio que ainda está a tentar encontrar o caminho na China, vale a pena perceber porque é que o mercado a está a avaliar assim antes de tirar conclusões.

Conclusão do dia

As três notícias de hoje partilham uma pergunta parecida: o mercado está disposto a pagar hoje por um retorno que só vai chegar mais tarde, se chegar?

Com a Microsoft e a Meta, essa pergunta divide investidores conforme a confiança na execução. A Microsoft mostrou que o dinheiro gasto em inteligência artificial já está a dar frutos. A Meta ainda não convenceu ninguém disso.

Com a Fed, a incerteza vem do próprio processo. Kevin Warsh decidiu falar menos sobre o que vai fazer a seguir, e isso deixou o mercado a adivinhar, com os rendimentos das obrigações a mexerem-se em direções opostas depois da sua conferência de imprensa.

E com a Nike, a incerteza é sobre se uma estratégia de reset chega a tempo de travar a perda de terreno para marcas locais chinesas. A Adidas e a Lululemon mostram que é possível recuperar, mas exige tempo e autonomia que a Nike só agora começa a dar às suas equipas locais.

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Até amanhã,
Equipa Clareza

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