Destaques do dia

Viva, investidor 👋

Aqui está o que precisas de saber hoje, em 6 minutos.

  • 🤖 A Meta disparou 11% depois de o seu novo agente de IA, o Muse, chegar ao topo da App Store, e a onda de entusiasmo levou a AMD a ultrapassar pela primeira vez o bilião de dólares em valor de mercado

  • 🛢️ O petróleo caiu mais de 9% em quatro sessões, com o mercado a apostar em diplomacia entre os Estados Unidos e o Irão esta semana

  • 🤝 Xi Jinping visita Washington na quinta-feira pela primeira vez em dez anos, para um encontro com Trump onde comércio, terras raras e Taiwan estão em cima da mesa

Os números de hoje

S&P500
NASDAQ
OURO
BITCOIN
BRENT OIL
1,49%
2,26%
0,93%
2,35%
0,77%
7.765
27.122
$4.306
$85.699
$101,11

Dados fornecidos pelo Yahoo Finance.

INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL
A Meta encontrou a sua Muse

O que se passou

Na segunda-feira, as ações da Meta dispararam mais de 11%, depois de o Wells Fargo ter subido o preço-alvo da empresa de 640 para 796 dólares. A justificação: o sucesso do Muse, o novo agente pessoal de inteligência artificial da Meta, que chegou ao primeiro lugar da categoria de aplicações gratuitas na App Store dos Estados Unidos, à frente do ChatGPT.

O que isto significa

O Muse foi lançado a 8 de setembro e já tem duas versões pagas, a 20 e a 100 dólares por mês. Ao contrário de um chatbot que só responde a perguntas, foi desenhado para executar tarefas sozinho: enviar emails, preencher formulários, reservar viagens, e continuar a trabalhar mesmo depois de a aplicação fechar.

Isto acontece às vésperas do Meta Connect, o evento anual da empresa que arranca esta semana e onde se espera mais detalhe sobre óculos inteligentes e o dispositivo de realidade mista "Phoenix". Depois de dois anos de dúvidas sobre o retorno dos milhões investidos em inteligência artificial, a Meta parece, finalmente, ter uma história convincente para contar aos investidores.

Porque deves querer saber

🚀 O entusiasmo contagiou todo o setor dos chips.

A subida da Meta arrastou consigo os fabricantes de semicondutores. A AMD subiu 10% e ultrapassou, pela primeira vez, o bilião de dólares em valor de mercado. A Intel valorizou 12%, a Arm 17%, e o índice de semicondutores da Filadélfia teve a sua melhor sessão desde o início de agosto.

Esta manhã, isso já se começou a sentir nos mercados asiáticos. A Samsung e a SK Hynix subiram cerca de 3,5% e o índice de Taiwan chegou a máximos históricos.

Quanto mais estes agentes de inteligência artificial forem usados, maior será a capacidade de processamento necessária e, com isso, também aumenta a procura por chips.

📊 Uma promessa de receita ainda por cumprir.

O Morgan Stanley estima que o Muse possa gerar 1,3 mil milhões de dólares por ano até 2028, se continuar a crescer a este ritmo.

Mas para chegar lá, muitos dos utilizadores que hoje usam a versão gratuita vão ter de começar a pagar. E isso ainda está longe de estar garantido.

Ao mesmo tempo, estes agentes de IA já começam a incomodar algumas das grandes tecnológicas.

A Amazon, por exemplo, bloqueou o Muse no seu site depois de a Meta se ter recusado a retirar o assistente da plataforma.

E isto pode tornar-se cada vez mais comum. Se estes agentes começarem mesmo a fazer compras e reservas por nós, passa a estar em jogo quem controla o acesso aos clientes e às plataformas onde esse dinheiro é gasto.

A leitura Clareza

Segundo o Radar de Oportunidades do Clareza, a Meta está classificada como Neutra, com um score de qualidade do negócio de 76 em 100.

ENERGIA
O petróleo trava a fundo

O que se passou

O petróleo caiu mais de 9% ao longo de quatro sessões, com o Brent a estabilizar pouco acima dos 100 dólares por barril. A queda reflete esperança de progresso diplomático entre os Estados Unidos e o Irão, com as duas partes a poder falar esta semana à margem da Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova Iorque.

O que isto significa

Trump disse estar disponível para se encontrar com o presidente iraniano Masoud Pezeshkian, que vai estar em Nova Iorque para a Assembleia. O Irão já comunicou aos mediadores as suas condições para regressar às negociações, embora as duas partes tenham trocado novas ameaças no fim de semana.

Ajuda também o facto de a Arábia Saudita estar a recuperar parte das suas exportações através do Estreito de Ormuz, depois de ataques com drones terem inutilizado um dos seus principais oleodutos alternativos. Nos últimos dias, cerca de 32 navios por dia atravessaram o Estreito com apoio dos Estados Unidos, o número mais alto em seis meses.

Porque deves querer saber

⚖️ Um mercado a tentar antecipar a paz antes de ela existir.

Esta queda do petróleo não quer dizer que o conflito esteja resolvido. O que está a acontecer é que o mercado está a ficar um pouco menos preocupado com aquilo que pode acontecer a seguir.

O Estreito de Ormuz continua com muito menos tráfego do que é normal e os ataques dos Houthis a alvos sauditas continuam.

E já vimos este tipo de movimento antes. Depois da invasão da Ucrânia pela Rússia, o Brent chegou perto dos 130 dólares e acabou por recuar nos meses seguintes, mesmo sem o conflito estar resolvido.

O mercado reage muito ao que parece estar a melhorar ou a piorar naquele momento, mesmo quando o problema de fundo continua por resolver.

💰 Menos pressão sobre a inflação, pelo menos por agora.

A subida do petróleo ao longo deste ano tem aumentado os receios de inflação, e isso também pesa politicamente numa altura em que se aproximam as eleições intercalares.

Se o preço do petróleo continuar a descer, essa pressão diminui e a Fed também ganha um pouco mais de margem.

O problema é que, no terreno, a situação ainda está longe do normal.

Se as conversações desta semana não derem em nada, ou se houver novos ataques a infraestruturas sauditas, o petróleo pode voltar a subir rapidamente.

MACROECONOMIA
Xi volta a Washington

O que se passou

Xi Jinping visita Washington na quinta-feira, pela primeira vez em dez anos, para se encontrar com Trump na Casa Branca. É o segundo encontro dos dois líderes este ano, depois da cimeira de Pequim em maio, e inclui uma reunião bilateral seguida de jantar de Estado.

O que isto significa

Na agenda estão comércio, inteligência artificial, Taiwan, terras raras e a guerra no Irão. A suspensão chinesa dos controlos às exportações de terras raras expira a 10 de novembro, o que dá a Pequim uma posição negocial forte enquanto as duas partes discutem prolongar a trégua comercial.

Há também um pacote de armamento de 14 mil milhões de dólares para Taiwan à espera de aprovação final, que Xi deverá tentar demover Trump de avançar. Várias promessas da cimeira de maio, como o alívio no acesso a terras raras e a criação de um conselho bilateral de comércio, continuam por cumprir.

Porque deves querer saber

🎭 Muito palco, poucas certezas de resultado.

As expectativas para esta cimeira não são propriamente altas.

Jeff Bezos, Sundar Pichai, Sam Altman, Tim Cook e Elon Musk vão estar no jantar de Estado, o que mostra bem a importância que está a ser dada ao encontro. Mas isso não quer dizer que saiam daqui grandes acordos.

Em maio aconteceu algo parecido. A cimeira de Pequim trouxe muita linguagem diplomática sobre estabilidade entre os dois países, mas várias questões importantes, como as terras raras e as compras agrícolas, ficaram por resolver.

Por isso, é possível que desta vez voltemos a ter muitos sinais políticos e poucos avanços concretos.

⚠️ As terras raras continuam a ser a carta mais forte da China.

Ao mesmo tempo que os Estados Unidos apertam as restrições na tecnologia e nas infraestruturas, a China continua a ter uma vantagem importante nas terras raras.

Os Estados Unidos ainda dependem bastante deste fornecimento, e isso dá a Pequim margem para negociar. Trump pode aumentar a pressão de um lado, mas sabe que isso pode obrigá-lo a ceder noutro.

Para os mercados, o mais importante nesta cimeira talvez nem seja sair daqui um grande acordo.

O que os investidores vão querer perceber é se a atual trégua comercial vai continuar.

E isso pode mexer diretamente com as empresas mais expostas à China, desde os semicondutores até às grandes marcas de consumo.

📈 E no meio disto tudo, onde estão as oportunidades?

Meta, chips, petróleo, China. O mercado está sempre a mexer e nem sempre é fácil perceber o que é ruído e o que pode ser uma oportunidade.

É isso que vou mostrar no Investir Melhor, nos dias 30 de setembro e 1 de outubro, com empresas reais e o raciocínio que uso para as analisar.

A participação é gratuita.

Recebeste esta newsletter de um amigo? Subscreve aqui.

Até amanhã,
Equipa Clareza