
Destaques do dia
Viva, investidor 👋
Aqui está o que precisas de saber hoje, em 4 minutos.
📉 Michael Burry aumentou as suas apostas contra a Nvidia e a Micron, mesmo depois de as duas ações terem subido na segunda-feira
🚀 A SpaceX apresenta esta terça-feira os primeiros resultados como empresa cotada, depois de perder mais de 500 mil milhões de dólares em valor de mercado desde a estreia
🤖 A Alibaba lançou o Qwen3.8-Max, um modelo de IA que a empresa diz rivalizar com os melhores dos Estados Unidos, a um preço muito mais baixo
Os números de hoje
▲ S&P500
▲ NASDAQ
▲ OURO
▲ BITCOIN
▲ US BONDS
▲ BRENT OIL
1,48%
2,13%
0,35%
1,14%
0,02%
2,69%
7.601
25.914
$4.049
$63.486
4,71%
$86,03
Dados fornecidos pelo Yahoo Finance.
MERCADOS
O estraga-festas da inteligência artificial

O que se passou
Na quinta-feira passada, Michael Burry, o investidor que ficou conhecido por prever a crise financeira de 2008, revelou que reforçou as suas apostas contra a Nvidia e a Micron.
Numa atualização pessoal no Substack, Burry disse ter comprado mais opções de venda (puts, contratos que ganham valor se a ação cair) sobre a Nvidia, com vencimento em dezembro de 2026. Também aumentou o seu short (aposta contra a ação) na Micron e no iShares Semiconductor ETF, que segue o setor de chips.
O que isto significa
Ao contrário de um 13F (o documento trimestral que os grandes investidores são obrigados a entregar às autoridades norte-americanas com as suas posições), esta atualização não revela o tamanho real das apostas de Burry, nem quanto pagou por elas.
Mas a mensagem é clara. Burry questiona se os gastos em infraestrutura de inteligência artificial pelos hypersclares (as gigantes tecnológicas como a Amazon, a Google ou a Microsoft, que constroem a maior parte dos data centers do mundo) vão continuar ao ritmo atual.
Também aponta o dedo ao financiamento circular no setor. Empresas como a Nvidia investem em clientes que, depois, usam esse dinheiro para comprar mais chips à própria Nvidia. Na prática, parte da procura acaba por ser alimentada pelos próprios fornecedores.
Burry levanta ainda outra questão: e se o hardware de IA evoluir tão depressa que os chips comprados hoje ficarem ultrapassados antes de as empresas recuperarem o dinheiro investido?
Porque deves querer saber
📉 Contra a maré.
A Nvidia e a Micron até subiram na segunda-feira. Ainda assim, Burry reforçou as apostas contra as duas empresas.
Isso mostra que, para ele, uma recuperação em bolsa não elimina os riscos que continuam por resolver.
Um dos principais é a forte concentração da procura em poucas grandes tecnológicas. Se o financiamento ficar mais caro ou os investimentos em inteligência artificial começarem a dar menos retorno do que o esperado, essas empresas podem tornar-se muito mais seletivas na compra de chips.
🐂 O outro lado da mesa.
Mas nem toda a gente partilha o pessimismo de Burry.
Os analistas da Jefferies defendem que os resultados mais recentes da Microsoft e da Amazon já começam a mostrar que o investimento em inteligência artificial está a gerar retorno.
A Morningstar, por exemplo, avalia a Nvidia em 280 dólares por ação e considera que continua subvalorizada, embora reconheça que existe uma incerteza muito elevada em torno do negócio.
Já o Bank of America acredita que a memória está a deixar de ser uma simples commodity e a tornar-se um recurso estratégico para a inteligência artificial. Por isso, mantém um preço-alvo de 1.550 dólares para a Micron.
A leitura Clareza
Segundo o Termómetro de Oportunidades do Clareza, a Nvidia está classificada como Muito Barato, com um score de Raio-X da Ação de 97 em 100. A Micron está classificada como Barato, com um score de 81 em 100.
Os dois indicadores contrastam com o pessimismo de Burry. Fundamentos sólidos e valuations que já refletem cautela não eliminam o risco que ele aponta, mas mostram que o mercado, pelo menos nestes números, não está a ignorá-lo.
RESULTADOS
A ressaca depois da estreia

O que se passou
Esta terça-feira à noite, a SpaceX apresenta os seus primeiros resultados trimestrais desde que começou a ser negociada em bolsa, a 12 de junho. Desde então, a empresa já perdeu mais de 500 mil milhões de dólares em valor de mercado.
O que isto significa
A ação já caiu mais de 50% face ao máximo atingido durante a primeira sessão e leva quatro semanas consecutivas em queda. Desde a estreia da Facebook, em 2012, que uma entrada em bolsa desta dimensão não corria tão mal tão depressa.
E há um detalhe que mostra bem a dimensão da queda: a SpaceX já perdeu mais valor em bolsa do que toda a Facebook valia no final do seu primeiro dia de negociação.
O problema é que, ao contrário de outras gigantes tecnológicas, a valorização atual da SpaceX, cerca de 1,4 biliões de dólares, ainda está muito longe de ser justificada pelos números do negócio.
A empresa é negociada a cerca de 70 vezes as vendas, queima milhares de milhões de dólares por trimestre e tem quase o dobro da dívida em comparação com o dinheiro disponível em caixa.
Porque deves querer saber
🎤 Os números não são o que importa.
Segundo os analistas da Bernstein, os números apresentados esta terça-feira podem nem ser o mais importante. O mercado vai estar sobretudo atento à confiança com que Elon Musk fala sobre o crescimento da empresa e sobre aquilo que vem a seguir.
Foi precisamente aí que a Tesla desiludiu há duas semanas. Os custos aumentaram e Musk mostrou-se mais cauteloso sobre a expansão do serviço de Robotaxi, o que deixou os investidores pouco convencidos.
Por isso, a pressão não está apenas nas contas. Está também na capacidade da gestão para explicar como é que a SpaceX pretende transformar a atual valorização em crescimento real.
🔓 A porta que se vai abrir.
Dois dias depois da apresentação dos resultados, termina o período de bloqueio que impedia vários investidores iniciais de venderem as suas ações. Isso pode colocar até 911,5 milhões de novas ações no mercado.
E este pode ser apenas o início. À medida que outros bloqueios forem terminando, o número de ações disponíveis para negociação poderá quase triplicar nas próximas semanas.
Na prática, passa a haver muito mais gente com possibilidade de vender. Se a procura não aumentar ao mesmo ritmo, essa oferta adicional pode continuar a pressionar a ação.
INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL
A resposta que custa menos

O que se passou
Na segunda-feira, a Alibaba apresentou o Qwen3.8-Max, o seu modelo de inteligência artificial mais avançado até hoje. As ações da empresa em Hong Kong subiram 7% na sessão.
O que isto significa
O novo modelo tem 2,4 biliões de parâmetros, ou seja, as variáveis internas que determinam a forma como a inteligência artificial interpreta informação e gera respostas.
É um dos maiores modelos alguma vez desenvolvidos pela Alibaba e consegue analisar até um milhão de tokens de uma só vez, o equivalente a milhares de páginas de texto.
Segundo a empresa, o Qwen3.8-Max iguala ou supera o Fable 5, o modelo mais avançado da Anthropic, em vários testes.
Num ensaio interno, o modelo trabalhou de forma autónoma durante 16 dias seguidos a desenvolver e melhorar uma ferramenta de programação. Durante esse período, escreveu código, fez testes e corrigiu os próprios erros sem intervenção constante.
Porque deves querer saber
💸 Grátis para descarregar, caro para copiar.
A Alibaba vai disponibilizar o Qwen3.8-Max como um modelo open weight já na próxima semana. Na prática, qualquer empresa poderá descarregá-lo, adaptá-lo e corrê-lo nos seus próprios servidores ou na cloud que preferir.
As empresas norte-americanas têm seguido um caminho diferente. Em vez de abrirem os modelos, vendem o acesso como um serviço premium, usando essas receitas para compensar os milhares de milhões investidos no desenvolvimento da tecnologia.
O problema é que um modelo chinês com desempenho semelhante, mais barato e disponível para qualquer empresa instalar, aumenta a pressão sobre esse modelo de negócio. As empresas americanas terão de provar que o preço mais alto se justifica ou acabar por o baixar.
🏗️ Segue o dinheiro.
Se os modelos de inteligência artificial estiverem cada vez mais próximos em qualidade e cada vez mais baratos, a grande questão passa a ser outra: onde é que vai ficar o lucro?
Talvez não esteja em ter o melhor modelo, mas em tudo o que existe à volta dele. Nas empresas de cloud que o alojam, nos fabricantes de chips que lhe dão capacidade e nas aplicações que chegam diretamente ao utilizador.
A leitura Clareza
Segundo o Termómetro de Oportunidades do Clareza, a Alibaba está classificada como Barato, e o Raio-X da Ação dá-lhe um score de saúde financeira de 54 em 100.
Um valuation apertado com um score a meio da tabela não é sinal automático de pechincha. Vale a pena perceber o que está por trás do desconto antes de tirar conclusões.
Conclusão do dia
As três notícias de hoje acabam por levantar a mesma questão, mas de formas diferentes: quem vai realmente ganhar dinheiro com a inteligência artificial e quanto terá de gastar para lá chegar?
Michael Burry acredita que o mercado está a pagar demasiado pela promessa da IA nas ações de semicondutores.
A SpaceX chega aos primeiros resultados como empresa cotada a queimar milhares de milhões de dólares, com os investidores mais atentos à confiança de Elon Musk do que aos números do trimestre.
E a Alibaba mostra que estão a surgir modelos de IA cada vez mais capazes, mais baratos e abertos, o que torna ainda mais difícil para os atuais líderes justificarem preços tão elevados.
São três histórias diferentes, mas todas acabam no mesmo ponto: nesta corrida, crescer não chega. É preciso perceber quem vai conseguir transformar todo este investimento em lucro real.
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Até amanhã,
Equipa Clareza
