
Destaques do dia
Viva, investidor 👋
Aqui está o que precisas de saber hoje, em 5 minutos.
🎢 A Amazon subiu mais de 9% após o fecho do mercado, impulsionada pelo crescimento de quase 37% da AWS. Já a Apple caiu cerca de 7%, mesmo depois de superar as estimativas de receita.
📈 As ações ligadas às memórias, como a Micron e a SanDisk, chegaram a subir 22%, depois de os resultados da Microsoft terem ajudado a aliviar os receios em torno dos gastos com inteligência artificial.
🌏 Os modelos abertos chineses já representam 48% do tráfego global de inteligência artificial, contra apenas 20% há um ano.
Os números de hoje
▲ S&P500
▲ NASDAQ
▼ OURO
▼ BITCOIN
▼ US BONDS
▼ BRENT OIL
1,66%
2,78%
1,11%
1,18%
0,01%
0,21%
7.438
25.122
$4.055
$63.709
4,65%
$86,630
Dados fornecidos pelo Yahoo Finance.
RESULTADOS
Duas faces dos resultados tech

O que se passou
Ontem à noite, a Amazon e a Apple apresentaram resultados e tiveram reações muito diferentes em bolsa.
A Amazon disparou mais de 9% após o fecho do mercado, depois de a AWS ter crescido quase 37%. Já a Apple caiu cerca de 7%. Apesar de ter superado as estimativas de receita, o mercado ficou desiludido com as previsões para o próximo trimestre e com as vendas na China, que ficaram abaixo do esperado.
O que isto significa
A Amazon mostrou que o negócio da cloud continua a ganhar força. A AWS gerou 42,2 mil milhões de dólares em receita, acima dos 40,5 mil milhões esperados, e registou o crescimento mais rápido desde 2021.
A empresa também voltou a subir a previsão de investimento em infraestrutura, para 220 mil milhões de dólares este ano.
Já a Apple teve um trimestre forte, com as vendas do iPhone a crescerem 22%. O problema é que a empresa apresentou previsões abaixo do esperado, justificadas por restrições no fornecimento, e desiludiu nas vendas na China e no negócio dos serviços.
Porque deves querer saber
💸 O preço de continuar na corrida.
A Amazon está a gastar cada vez mais para acompanhar a procura por infraestrutura de inteligência artificial.
Andy Jassy, CEO da empresa, disse que, mesmo com 220 mil milhões de dólares de investimento este ano, a Amazon continuará sem capacidade suficiente para responder à procura em 2026 e 2027.
E esse investimento tem um custo. Nos últimos doze meses, o fluxo de caixa livre da Amazon ficou negativo em 7,6 mil milhões de dólares, depois de ter sido positivo em 18,2 mil milhões há um ano.
⚠️ A escassez de memória não poupa ninguém.
A Apple já aumentou os preços dos Macs e dos iPads devido à escassez global de chips de memória, e há analistas que acreditam que o iPhone poderá ser o próximo. Tim Cook chegou mesmo a descrever esta situação como uma “inundação de cem anos”.
E este não é um problema apenas da Apple. A falta de memória está a fazer subir os preços em toda a indústria, como vais perceber ainda melhor na próxima notícia.
A leitura Clareza
Segundo o Termómetro de Oportunidades do Clareza, a Amazon está classificada como Barato com um Raio-X de 59 em 100, e a Apple como Neutro com um Raio-X de 67 em 100.
São dois scores a meio da tabela, o que sugere que o mercado tem dúvidas concretas sobre as duas, cada uma por razões diferentes. Na Amazon pesam o gasto avultado em IA e o fluxo de caixa negativo. Na Apple pesa o guidance fraco de hoje, algo que vale a pena seguir de perto nos próximos trimestres.
TECNOLOGIA
O medo que durou pouco

O que se passou
As ações das empresas ligadas às memórias dispararam na quinta-feira. A Micron e a SK Hynix subiram cerca de 14%, enquanto a SanDisk avançou 22%, depois de os resultados da Microsoft terem ajudado a aliviar os receios em torno do investimento em inteligência artificial.
O que isto significa
O setor já vinha sob pressão há vários dias, depois do IPO bem-sucedido da fabricante chinesa CXMT e dos receios de que as grandes tecnológicas estejam a investir demasiado em infraestrutura de inteligência artificial, sem um retorno claro no horizonte.
Os resultados da Microsoft ajudaram a mudar o sentimento. A empresa apontou para um crescimento do Azure acima do esperado e para despesas de capital inferiores às estimativas dos analistas.
No mesmo dia, a Samsung apresentou um lucro recorde no negócio dos chips e avisou que a escassez de memória poderá prolongar-se até 2028.
Porque deves querer saber
🧠 Não é só entusiasmo passageiro.
Apesar da forte subida, a Micron continua bastante abaixo do preço-alvo médio dos analistas, o que aponta para um potencial de valorização de cerca de 78% face aos níveis atuais.
Ben Reitzes, da Melius Research, acredita que a memória de alta largura de banda, conhecida como HBM e usada nos chips de inteligência artificial, mudou o perfil da empresa. Na sua opinião, a Micron está hoje menos dependente dos ciclos tradicionais dos preços da memória.
📊 Um proxy para o nervosismo do mercado.
Mike Wilson, estrategista do Morgan Stanley, chama a atenção para um ponto interessante: os investidores têm usado as ações de memória para refletir receios mais gerais sobre o nível de investimento das grandes tecnológicas em inteligência artificial.
Isso ajuda a explicar a forte volatilidade do setor. Quando aumenta a confiança de que esses investimentos vão continuar, as ações de memória sobem. Quando surgem dúvidas, costumam ser das primeiras a ser penalizadas.
A leitura Clareza
Segundo o Termómetro de Oportunidades do Clareza, a Micron está classificada como Barato, e o Raio-X da Ação dá-lhe um score de saúde financeira de 81 em 100.
Os dois indicadores apontam no mesmo sentido: negócio sólido, com fundamentos fortes a acompanhar um valuation que ainda deixa espaço para valorizar.
INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL
A guerra que os EUA podem estar a perder sem saber

O que se passou
Algumas das maiores tecnológicas norte-americanas, incluindo a Nvidia, a Microsoft e a Meta, pediram esta semana ao Governo dos Estados Unidos que trate os modelos abertos de inteligência artificial como uma prioridade nacional, numa altura em que a China ganha cada vez mais terreno nesta área.
O que isto significa
Os modelos “open weight” permitem que qualquer empresa descarregue os seus parâmetros, adapte-os às suas necessidades e execute-os nos próprios servidores. Isso torna-os mais baratos e dá às empresas maior controlo sobre os dados.
É diferente de usar ferramentas como o ChatGPT ou o Claude, em que o modelo continua a correr nos servidores da OpenAI ou da Anthropic.
A China tem apostado bastante nesta abordagem. Laboratórios como a Zhipu e a Moonshot AI já estão a lançar modelos abertos competitivos por uma fração do custo dos principais sistemas norte-americanos.
Porque deves querer saber
📊 Os números já mudaram.
Na última semana de junho, os modelos chineses já representavam 48% do tráfego acompanhado pela OpenRouter, contra apenas 20% um ano antes. No mesmo período, a quota dos modelos norte-americanos caiu de 74% para 32%.
É uma mudança muito rápida e mostra que, pelo menos nos modelos abertos, a liderança dos Estados Unidos está longe de estar garantida.
🔓 Um incidente que complica o argumento da segurança.
Durante um teste interno, um modelo da OpenAI conseguiu sair de um ambiente restrito e comprometer sistemas da Hugging Face.
Quando a empresa tentou perceber o que tinha acontecido, esbarrou nas limitações dos modelos comerciais fechados, cujos controlos de segurança impediam uma análise mais profunda.
A solução acabou por passar por um modelo chinês aberto, que permitiu investigar o incidente. Ou seja, um modelo fechado norte-americano esteve na origem do problema e um modelo aberto chinês ajudou a esclarecê-lo.
Isto não significa que os modelos abertos sejam mais seguros. Mostra apenas que a discussão é mais complexa do que parece.
Conclusão do dia
As três notícias de hoje acabam por tocar na mesma questão: quem está realmente a controlar esta fase da corrida da inteligência artificial?
A Amazon e a Apple mostram dois lados diferentes desta disputa. A Amazon acelera, investe mais e é recompensada pelo mercado. A Apple apresenta bons números, mas sente o impacto da escassez de componentes e acaba penalizada pelas dúvidas sobre o que vem a seguir.
As ações de memória mostram como essa pressão se espalha por toda a cadeia de fornecimento e como o sentimento do mercado pode mudar de um dia para o outro.
Já a notícia sobre os modelos abertos levanta outra questão. Não basta ter mais chips ou mais dinheiro. Também importa perceber quem está a construir a tecnologia que outras empresas e países vão acabar por usar.
No fundo, as três notícias deixam a mesma pergunta: quem está realmente a ganhar esta corrida e quanto está a pagar para continuar nela?
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Até amanhã,
Equipa Clareza
