Destaques do dia

Viva, investidor 👋

Aqui está o que precisas de saber hoje, em 6 minutos.

  • 🪙 💻 A Dell garantiu um contrato de 9,69 mil milhões de dólares com o Departamento de Defesa dos Estados Unidos, e as ações subiram quase 7% no after market

  • 🛢️ Os Estados Unidos anunciaram uma nova vaga de sanções ao Irão, e isso já está a mexer com as perspetivas de várias empresas. Exxon e Occidental viram os preços-alvo subir, enquanto a Delta e a United enfrentaram cortes.

  • 🥇 O ouro recuou ligeiramente, cerca de 0,2%, depois de ter atingido um máximo de três meses. Agora, o mercado está sobretudo à espera dos próximos dados de inflação e do discurso de Warsh em Jackson Hole.

Os números de hoje

S&P500
NASDAQ
OURO
BITCOIN
US BONDS
BRENT OIL
0,28%
0,76%
0,12%
4,00%
0,00%
1,34%
7.653
25.980
$4.633
$80.107
4,70%
$90,94

Dados fornecidos pelo Yahoo Finance.

TECNOLOGIA
Um contrato de peso para uma ação que não para de subir

O que se passou

A Dell garantiu esta semana um contrato de 9,69 mil milhões de dólares com o Departamento de Defesa dos Estados Unidos, e as ações reagiram com uma subida de quase 7% no after market de quarta-feira.

O que isto significa

O acordo foi atribuído à Dell Federal Systems, a divisão da empresa que trabalha com o setor público, e vai servir para concentrar num único contrato a compra de software da Microsoft por várias entidades do Governo americano.

É mais um negócio relevante para uma empresa que já vinha a subir muito em bolsa.

As ações da Dell acumulam uma valorização de quase 239% desde o início do ano e negoceiam perto dos $433.

Grande parte desta subida está ligada à procura por infraestrutura para inteligência artificial.

No primeiro trimestre fiscal, a receita da Dell aumentou 88%, para 43,8 mil milhões de dólares, e o lucro por ação mais do que triplicou, para $4,86.

A empresa terminou ainda o trimestre com 24,4 mil milhões de dólares em encomendas relacionadas com IA e um backlog recorde de 51,3 mil milhões de dólares em servidores de IA.

Ou seja, há tanta procura que a empresa ainda tem uma quantidade enorme de encomendas por entregar.

Porque deves querer saber

📈 Os analistas ainda veem margem para subir.

O Goldman Sachs aumentou o preço-alvo da Dell para $510, dos 500 anteriores, mantendo a recomendação de compra.

Face ao preço atual, isso representa um potencial de subida de quase 18%.

Uma das razões está no crescimento dos agentes de IA. À medida que mais empresas começam a usar este tipo de tecnologia, precisam também de guardar e processar muito mais dados, o que pode continuar a puxar pela procura das soluções de armazenamento da Dell.

E este não foi o único negócio relevante da semana.

A Dell vai também fornecer servidores à Volta, uma startup que está a construir uma fábrica de inteligência artificial de 133 megawatts na Noruega e que conta com apoio da Nvidia e do family office de Michael Dell.

⚠️ Mas a subida da ação não vem só dos resultados.

Donald Trump já recomendou publicamente a compra de ações da Dell três vezes nos últimos cinco meses.

A declaração mais recente foi em julho e chegou a fazer a ação subir cerca de 10% no próprio dia.

Trump tem ainda uma participação pessoal na empresa avaliada entre 1 e 5 milhões de dólares.

Ao mesmo tempo, começa a surgir a dúvida normal depois de uma subida tão forte: quanto deste crescimento futuro já está refletido no preço?

A Dell continua muito exposta ao atual ciclo de investimento em infraestrutura de IA, e o negócio de hardware trabalha com margens mais apertadas do que o software.

O próximo teste chega com os resultados do início de setembro. Aí vamos perceber melhor se este backlog recorde está mesmo a transformar-se em mais lucro.

A leitura Clareza

Segundo o Termómetro de Oportunidades do Clareza, a Dell está classificada como Barato, e o Raio-X da Ação dá-lhe um score de saúde financeira de 54 em 100.

EMPRESAS
Quem ganha e quem perde com o cerco ao Irão

O que se passou

Na segunda-feira, o secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, anunciou uma nova vaga de sanções contra o Irão, com o nome “Operation Economic Outcast”.

A ideia é cortar os laços económicos que ainda ajudam a financiar Teerão e ameaçar com sanções secundárias qualquer país ou empresa que continue a fazer negócios com o regime iraniano.

O que isto significa

As sanções ainda não entraram realmente em vigor. Para já, Washington está a dar prazos a vários países para reduzirem ou eliminarem as ligações identificadas com o Irão.

Se isso acabar por retirar mesmo petróleo iraniano do mercado, o efeito é relativamente simples: menos oferta tende a puxar o preço do petróleo e os custos de transporte para cima.

Nesse cenário, petrolíferas e empresas de transporte marítimo podem beneficiar. Do outro lado, companhias aéreas e cruzeiros ficam mais pressionados porque o combustível passa a pesar mais nos custos.

A grande questão está na China.

Os bancos chineses que ajudam a financiar o comércio de petróleo iraniano ainda não foram diretamente atingidos, e a China compra cerca de 90% das exportações de petróleo do Irão. É aí que se vai perceber até onde Washington está mesmo disposto a ir.

Porque deves querer saber

🛢️ Quem pode beneficiar se o aperto aumentar.

A Exxon é um dos nomes mais óbvios se o petróleo continuar a subir, porque o negócio de exploração e produção beneficia diretamente de preços mais altos. O Morgan Stanley subiu recentemente o preço-alvo da ação para $177, dos 168 anteriores.

A Occidental é ainda mais sensível ao preço do petróleo, por isso os lucros tendem a mexer mais quando o mercado mexe. O Wells Fargo também subiu o preço-alvo para $79, dos 72 anteriores.

Há ainda a Frontline, que opera petroleiros. Aqui nem é preciso o petróleo subir muito. Se o Estreito de Hormuz ficar mais difícil de atravessar, as taxas de transporte podem subir por si só. Alguns contratos recentes dentro do Estreito chegaram aos 800 mil dólares por dia.

✈️ Quem fica do lado mais desconfortável.

A Delta e a United têm o problema inverso. Quanto mais caro fica o combustível, mais pressionadas ficam as margens.

A TD Cowen cortou os preços-alvo das duas companhias, embora tenha mantido a recomendação de compra.

A Carnival enfrenta ainda outro risco além do combustível. Se a tensão geopolítica começar a pesar na procura por viagens, o impacto pode chegar também às reservas e ao crescimento do negócio.

No fim, tudo depende muito da China.

Se o petróleo iraniano continuar a chegar ao mercado praticamente sem interrupções, o impacto pode ficar relativamente contido.

Se Washington conseguir mesmo travar essas compras, ou se houver problemas no Estreito de Hormuz, aí o efeito pode ser muito mais forte, tanto para quem beneficia como para quem perde.

A leitura Clareza

Segundo o Termómetro de Oportunidades do Clareza, a Exxon está classificada como Neutro, com um Raio-X da Ação de 42 em 100. Já a Occidental está classificada como Muito Barato, com um Raio-X de 62 em 100.

MACROECONOMIA
O ouro trava à espera do veredicto de sexta-feira

O que se passou

O ouro recuou 0,2% esta terça-feira, para cerca de $4.640 por onça, depois de ter chegado aos $4.668 durante a sessão asiática, o valor mais alto em mais de três meses.

O que isto significa

A pequena queda acontece depois de uma semana muito forte, em que o ouro subiu mais de 5%.

Parte dessa subida veio do mesmo tema que ajudou o Bitcoin: o anúncio do Tesouro americano sobre as recompras de dívida e o receio de que isso acabe por pressionar o valor do dólar.

Entretanto, o dólar e os juros da dívida americana quase não mexeram. Isso mostra que, para já, o ouro está a reagir mais às expectativas sobre o que pode acontecer a seguir do que aos movimentos do próprio dia.

Porque deves querer saber

📊 Dois testes em três dias.

Na quarta-feira sai o PCE de julho, uma das medidas de inflação mais acompanhadas pela Fed.

Em junho, a inflação core ficou nos 3,3%, ainda bastante acima da meta de 2%.

O Barclays espera uma subida mensal de 0,2% em julho, o que deixaria a taxa anual perto dos 3,2%.

Se a inflação vier mais baixa do que o esperado, isso pode ajudar o ouro, porque reduz a pressão para manter os juros elevados durante mais tempo.

Depois, na sexta-feira, chega o discurso de Kevin Warsh em Jackson Hole.

O mercado vai estar atento a qualquer pista sobre a forma como a Fed está a olhar para a inflação e para a recente subida dos juros de longo prazo.

Para o ouro, este ponto é especialmente importante. Como não paga juros, torna-se relativamente menos atrativo quando as obrigações oferecem rendimentos mais altos.

🛢️ O petróleo complica as contas.

A tensão geopolítica tende a ajudar o ouro, porque aumenta a procura por ativos considerados mais defensivos.

Mas, ao mesmo tempo, pode criar outro problema.

Se as sanções ao Irão mantiverem o petróleo e os combustíveis caros, isso pode voltar a pressionar a inflação e dar à Fed mais motivos para não baixar os juros tão cedo.

É por isso que, mesmo com toda a tensão geopolítica, o ouro continua muito dependente dos próximos dados de inflação e do que sair de Jackson Hole.

Conclusão do dia

A Dell mostra o lado mais concreto da história de hoje: procura real, contratos assinados, backlog recorde. É uma aposta em como a construção da infraestrutura de inteligência artificial continua a acelerar, quase independentemente do resto do contexto macroeconómico.

O Irão e o ouro pertencem a outra conversa. Aqui o mercado ainda está a tentar perceber o tamanho de um risco que ainda não aconteceu, seja a queda da oferta de petróleo iraniano, seja o rumo dos juros americanos.

Os próximos dias vão testar os dois lados: os resultados da Dell no início de setembro mostram se o backlog se converte mesmo em lucro, e o PCE de quarta-feira, seguido do discurso de Warsh em Jackson Hole na sexta-feira, mostra se o ouro e as apostas ligadas ao petróleo continuam a fazer sentido.

Recebeste esta newsletter de um amigo? Subscreve aqui.

Até amanhã,
Equipa Clareza