
Destaques do dia
Viva, investidor 👋
Aqui está o que precisas de saber hoje, em 6 minutos.
🔍 A Google lançou o Gemini 3.8 Flash e ainda ganhou em tribunal contra o Departamento de Justiça dos EUA, que queria obrigá-la a vender a sua rede de anúncios
📉 As yields das obrigações a 10 anos dispararam ao mesmo tempo nos Estados Unidos, no Japão, no Reino Unido e na Alemanha, e o Goldman Sachs já aconselha cautela
💾 O mundo pode gastar 31,6 biliões de dólares em data centers até 2050, segundo a PwC, um valor superior a um ano inteiro de produção económica dos Estados Unidos
Os números de hoje
▲ S&P500
▲ NASDAQ
▲ OURO
▲ BITCOIN
▲ US BONDS
▼ BRENT OIL
0,46%
0,45%
1,30%
0,63%
0,01%
0,91%
7.667
26.218
$4.426
$77.933
4,77%
$94,76
Dados fornecidos pelo Yahoo Finance.
INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL
A Google ganha três batalhas ao mesmo tempo

O que se passou
Na quarta-feira, a Google lançou o Gemini 3.8 Flash, o terceiro modelo Flash em apenas seis semanas. No mesmo dia, recebeu também uma boa notícia em tribunal: um juiz federal rejeitou o pedido do Departamento de Justiça dos Estados Unidos para obrigar a empresa a vender a sua rede de anúncios, a AdX.
O que isto significa
O novo modelo está mais virado para programação e tarefas agênticas, duas áreas onde as empresas de inteligência artificial estão a tentar transformar melhorias técnicas em utilização real e, sobretudo, em receita.
A Google diz que este é o seu melhor modelo até agora em raciocínio e programação.
Ao mesmo tempo, a decisão do tribunal evita uma separação forçada de uma parte importante do negócio de publicidade. E isso conta bastante, porque é precisamente esse negócio, que cresceu 14% no último trimestre, que continua a gerar boa parte do dinheiro necessário para financiar a corrida à inteligência artificial.
Porque deves querer saber
💰 A guerra é pelo preço.
O Gemini 3.8 Flash custa 75 cêntimos por milhão de tokens de entrada e 3,75 dólares por milhão de tokens de saída, exatamente o mesmo preço do modelo anterior.
Ou seja, a Google melhorou o produto sem mexer no preço.
Na versão Enterprise também passou a existir pagamento por utilização, descontos até 20% nos tokens e uma opção base sem mensalidade. O objetivo é claro: pressionar diretamente a Microsoft e a Anthropic num mercado onde o preço pode acabar por pesar tanto como a qualidade dos modelos.
⚖️ Duas mãos livres.
E esta não é a primeira vitória legal importante da Google.
No ano passado, um juiz já tinha rejeitado o pedido para obrigar a empresa a vender o Chrome. Agora acontece o mesmo com a AdX.
Um advogado especialista em concorrência disse à CNBC que a Google entra agora na corrida à inteligência artificial “sem as mãos atadas atrás das costas”.
A frase resume bem o momento. A empresa está a gastar somas enormes em infraestrutura, passou por uma reorganização da DeepMind e perdeu talento nos últimos meses. Tirar duas grandes ameaças legais do caminho dá-lhe mais liberdade para se concentrar na competição.
A leitura Clareza
Segundo o Termómetro de Oportunidades do Clareza, a Google está classificada como Barato, e o Raio-X da Ação dá-lhe um score de saúde financeira de 75 em 100.
MERCADOS
As obrigações estão a mandar recados

O que se passou
A yield das obrigações do Tesouro americano a 10 anos atingiu o valor mais alto desde 2023.
E não está a acontecer só nos Estados Unidos.
No Japão, no Reino Unido e na Alemanha, os juros de longo prazo também estão a subir para níveis que não se viam há muitos anos.
O que isto significa
A yield a 10 anos nos Estados Unidos é uma das taxas de juro mais importantes do mundo, porque influencia o custo do crédito em toda a economia.
No Japão, a yield a 10 anos ultrapassou os 3% pela primeira vez desde 1996. No Reino Unido, está no valor mais alto desde meados de 2007. E na Alemanha voltou a níveis que não se viam desde 2011, em plena crise da dívida europeia.
Quando isto acontece ao mesmo tempo em várias das maiores economias do mundo, o mercado está a dizer-nos alguma coisa.
Os investidores estão a exigir juros mais altos para emprestar dinheiro aos governos, seja por receio de inflação, de mais dívida ou simplesmente porque já não acreditam tanto que as taxas possam descer rapidamente.
Porque deves querer saber
🛢️ O petróleo entra na equação.
O Brent ultrapassou os 90 dólares por barril, pressionado pelas tensões com o Irão e pelo risco em torno do Estreito de Ormuz.
E petróleo mais caro não fica apenas nas bombas de combustível.
Acaba por chegar aos transportes, à agricultura, à indústria e a muitos outros custos ao longo da economia. Nas últimas semanas, matérias-primas como o milho e o açúcar também já começaram a sentir essa pressão.
📊 A Goldman ainda gosta de ações, mas com reservas.
A Goldman Sachs continua sobreponderada em ações para os próximos 12 meses, mas está a adotar uma postura mais defensiva.
Prefere ações a crédito, porque considera que os spreads já estão muito apertados e que a enorme emissão de dívida para financiar projetos ligados à inteligência artificial torna o crédito menos interessante.
Dentro das ações, recomenda também mais diversificação, incluindo empresas com menor volatilidade e dividendos mais elevados, além de ouro e outros ativos reais.
Isto não significa que o banco espere uma queda das bolsas. Significa apenas que, com juros de longo prazo tão altos, fica mais difícil justificar valuations cada vez mais exigentes.
TECNOLOGIA
A fatura que nunca mais estabiliza

O que se passou
A PwC estima que o mundo possa gastar 31,6 biliões de dólares em data centers até 2050.
Num cenário de adoção ainda mais rápida da inteligência artificial, esse valor pode aproximar-se dos 50 biliões.
O que isto significa
A diferença para outros grandes ciclos de infraestrutura está no tipo de despesa.
Num caminho de ferro, numa rede elétrica ou numa autoestrada, grande parte do investimento é feita no início e depois a infraestrutura fica lá durante décadas.
Nos data centers, não funciona bem assim.
Os edifícios duram, mas os servidores, os sistemas de armazenamento e sobretudo as GPUs têm ciclos muito mais curtos. Ao fim de quatro a seis anos, grande parte desse equipamento já precisa de ser substituído.
Segundo a PwC, por cada dólar gasto na construção de um data center, podem ser gastos cerca de 12 dólares em equipamento tecnológico ao longo da vida desse centro.
Hoje, esse equipamento já representa cerca de 70% dos custos. Até 2050, pode chegar aos 93%.
Porque deves querer saber
🌍 Os Estados Unidos dominam, mas não sozinhos.
Dos 31,6 biliões de dólares previstos, cerca de 15,1 biliões devem ser gastos nos Estados Unidos.
É quase metade do total mundial.
A Ásia-Pacífico, puxada sobretudo pela China e pela Índia, deverá representar 8,2 biliões, enquanto a Europa fica nos 5,6 biliões.
E aqui a Europa continua a ficar para trás.
Há limitações nas redes elétricas, processos de licenciamento lentos e regras diferentes de país para país. Em alguns casos, o problema já é tão grande que os governos começaram a limitar novas construções.
Amesterdão, por exemplo, proibiu novos data centers em 2025 devido à falta de terreno e de capacidade na rede elétrica.
⚡ A eletricidade é que manda.
No fim, tudo acaba por depender da mesma coisa: haver eletricidade suficiente, barata e disponível.
Podes ter capital, clientes e procura por inteligência artificial, mas se não houver ligação à rede, o data center simplesmente não avança.
E a eletricidade nem é o único risco.
A PwC estima que problemas prolongados no fornecimento de chips poderiam cortar cerca de 20% do investimento previsto. Ou seja, esta corrida continua dependente de uma cadeia de fornecimento que já mostrou várias vezes que pode ficar sob pressão.
🎯 Saber onde está a crescer a procura não chega

A newsletter de hoje mostra bem isso.
A procura por inteligência artificial continua forte. A Google está a acelerar, o investimento em data centers continua a crescer e a infraestrutura necessária para suportar tudo isto vai exigir quantidades enormes de capital.
Mas, para um investidor, isso é só o início da análise.
Porque uma tendência pode ser excelente e, mesmo assim, nem todas as empresas envolvidas vão conseguir transformar esse crescimento em bons retornos para os acionistas.
É aí que entram as perguntas que realmente interessam: que empresas estão a criar mais valor com este investimento, quais estão a assumir mais risco e quanto já estás a pagar por esse crescimento.
É precisamente este tipo de análise que vou trabalhar no Investir Melhor, um evento online e gratuito nos dias 30 de setembro e 1 de outubro, às 21h.
Vamos pegar em empresas reais, perceber o que torna uma ação interessante e comparar diferentes oportunidades antes de decidir onde vale a pena olhar com mais atenção.
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Até amanhã,
Equipa Clareza
