Destaques do dia

Viva, investidor 👋

Aqui está o que precisas de saber hoje, em 5 minutos.

  • 📊 O IPC dos Estados Unidos subiu 0,4% em agosto, mais do que o esperado, e aumenta a probabilidade de uma subida de juros da Fed na próxima semana.

  • 🎨 A Adobe cresceu 13% e teve fluxo de caixa recorde, mas as ações caem porque as previsões para o próximo trimestre não convenceram o mercado.

  • ☁️ A receita da nuvem da Oracle acelerou para 62%, mas as ações continuam abaixo do preço de antes dos resultados.

Os números de hoje

S&P500
NASDAQ
OURO
BITCOIN
BRENT OIL
0,86%
0,96%
0,39%
0,88%
2,94%
7.657
26.333
$4.390
$77.208
$104,47

Dados fornecidos pelo Yahoo Finance.

MACROECONOMIA
O número que a Fed não queria ver

O que se passou

Esta sexta-feira, o índice de preços no consumidor (IPC) dos Estados Unidos subiu 0,4% face ao mês anterior e 3,4% em termos homólogos, acima do que os analistas esperavam. Excluindo alimentação e energia, o IPC subiu 0,3%, contra uma estimativa de 0,2%.

O que isto significa

Os preços da energia subiram 2,1% em agosto, enquanto os preços dos alimentos variaram pouco.

Este foi o último grande indicador de inflação antes da reunião da Fed, marcada para os dias 15 e 16 de setembro. Com este resultado, os investidores passaram a atribuir uma probabilidade quase certa a uma subida de juros na próxima semana, e uma probabilidade elevada a uma segunda subida ainda este ano.

Porque deves querer saber

🛢️ O petróleo está outra vez a mexer com os preços.

A subida dos preços do petróleo, da gasolina e do gasóleo está a reacender receios de que os custos energéticos mais altos contagiem outros bens e serviços, e até as próprias expectativas de inflação.

Kathy Bostjancic, economista-chefe da Nationwide, disse que esta pressão levou a casa a rever as suas previsões: esperam agora que a Fed suba juros já na próxima semana.

🎙️ O aviso que já tinha sido feito.

O presidente da Fed, Kevin Warsh, tem evitado antecipar decisões do banco central. Mas no mês passado, avisou que a Fed "teria trabalho a fazer" caso não conseguisse ter confiança de que a inflação subjacente caminha para o objetivo de 2%, de forma clara e a um ritmo suficiente.

Este relatório é precisamente o tipo de sinal que reforça essa preocupação.

RESULTADOS
Os números bons que não chegaram para a Adobe

O que se passou

A Adobe apresentou os resultados do terceiro trimestre do ano fiscal de 2026: receitas de 6,76 mil milhões de dólares, mais 13% do que há um ano, e lucro por ação ajustado de 6,13 dólares. Apesar dos números sólidos, as ações caem após a divulgação, penalizadas pelas previsões para o próximo trimestre.

O que isto significa

O lucro líquido da Adobe situou-se nos 1,83 mil milhões de dólares, com uma margem operacional de 44% e um fluxo de caixa operacional recorde de 2,52 mil milhões de dólares.

O ARR, a receita anual recorrente ligada a IA, cresceu 150% face ao ano anterior. Mas as previsões da empresa para o próximo trimestre ficaram aquém do que os investidores esperavam, e é essa distância entre resultados sólidos e previsões pouco entusiasmantes que está a pesar nas ações.

Porque deves querer saber

✂️ O medo de sempre: a IA vai substituir a Adobe.

Há já algum tempo que os investidores temem que ferramentas de IA para design, edição de fotografia e criação de conteúdos tornem os produtos pagos da Adobe menos indispensáveis.

Cada previsão mais cautelosa reforça essa narrativa aos olhos do mercado, mesmo quando os números atuais não mostram sinais claros de substituição.

🔥 A Adobe também está a jogar esse jogo.

A empresa não está parada à espera do desfecho. Está a desenvolver o Firefly e a integrar cada vez mais IA no Photoshop, no Illustrator, no Premiere Pro e no Acrobat.

Para a Adobe, a inteligência artificial pode ser tanto uma ameaça competitiva como uma forma de reforçar o valor do seu próprio ecossistema. A questão que fica por responder é se a empresa consegue rentabilizar essas ferramentas sem perder clientes pelo caminho.

A leitura Clareza

Segundo o Radar de Oportunidades, a Adobe está classificada como Muito Barato, e o Raio-X da Ação dá-lhe um score de saúde financeira de 84 em 100.

RESULTADOS
Oracle sobe, mas ainda com desconfiança

O que se passou

Na quinta-feira, dia 10 de setembro, após o fecho do mercado nos Estados Unidos, a Oracle divulgou os resultados do trimestre. As ações subiram 5% nas negociações antes da abertura, mas continuam abaixo do preço de fecho, depois de terem caído 6% antes da divulgação dos resultados.

O que isto significa

A receita atingiu 19,34 mil milhões de dólares, acima da estimativa de 19,05 mil milhões e 30% superior à do ano passado. O lucro por ação ajustado subiu para 1,92 dólares, bem acima dos 1,73 dólares esperados, ajudado também por uma taxa de imposto mais baixa.

Mas o que mais interessou aos investidores foram os números da nuvem. A receita total do segmento cresceu 62% e já representa mais de metade da receita da empresa, com a infraestrutura na nuvem a acelerar para um crescimento de 121%.

Porque deves querer saber

📈 A carteira de encomendas continua a crescer.

As obrigações de desempenho remanescentes, uma espécie de carteira de encomendas ainda por faturar, subiram para 664 mil milhões de dólares, acima do que o mercado esperava.

O fluxo de caixa livre também surpreendeu pela positiva. Ficou em menos 5,4 mil milhões de dólares, bem melhor do que os menos 9,5 mil milhões previstos, um sinal de que a empresa está a controlar melhor os custos e o investimento nos centros de dados.

Boas notícias, mas ainda com perguntas por responder.

Quase metade do fluxo de caixa operacional da Oracle vem de pré-pagamentos de clientes. Isto ajuda a aliviar receios sobre risco de crédito, mas ainda não mostra os verdadeiros encargos futuros da empresa.

E apesar de a carteira de encomendas ser enorme, continua por esclarecer a concentração de clientes e o prazo real até esses contratos se traduzirem em receita. Ainda assim, a administração reviu as previsões em alta: o lucro por ação anual sobe para 8,10 dólares, e a receita deve ficar em pelo menos 90 mil milhões de dólares.

A leitura Clareza

Segundo o Termómetro de Oportunidades, a Oracle está classificada como Muito Barato, e o Raio-X da Ação dá-lhe um score de saúde financeira de 61 em 100.

Conclusão do dia

Se tivesse de escolher a notícia mais importante de hoje para quem investe, ficava com a inflação nos Estados Unidos.

Não pelos 0,4% em si, mas pelo que esse número faz às expectativas para os juros na próxima semana.

Até agora, uma subida de juros já era vista como muito provável. Este relatório reforça essa probabilidade, e volta a colocar em cima da mesa uma segunda subida ainda este ano.

E isso muda o cálculo para praticamente tudo o resto. Obrigações voltam a oferecer retornos mais atrativos, empresas com valuations mais esticados ficam mais difíceis de justificar, e ativos mais sensíveis à liquidez podem sentir mais pressão. É nesse contexto que resultados como os da Adobe e da Oracle, mesmo sendo sólidos, deixam de ser suficientes para o mercado: os investidores começam a exigir também clareza sobre como as empresas resistem a um custo do dinheiro mais alto.

Por isso, o próximo momento a vigiar é a reunião da Fed de 15 e 16 de setembro. Se a subida de juros se confirmar, a atenção passa de imediato para o tom da comunicação que a acompanha, porque é aí que o mercado vai procurar pistas sobre quantas mais subidas podem vir a seguir.

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Até amanhã,
Equipa Clareza