Destaques do dia

Viva, investidor 👋

Aqui está o que precisas de saber hoje, em 5 minutos.

  • 💶 O BCE subiu a taxa de depósito para 2,5%, uma decisão tão esperada que o mercado quase não reagiu.

  • 🛢️ O petróleo Brent subiu 7% num só dia, com o Estreito de Ormuz ameaçado por confrontos entre os EUA e o Irão.

  • 📦 A Uber vai cortar 3.300 postos de trabalho no mesmo momento em que avança para comprar a dona da Glovo por 14.800 milhões de dólares.

Os números de hoje

S&P500
NASDAQ
OURO
BITCOIN
BRENT OIL
0,58%
0,65%
2,29%
0,02%
7,01%
7.592
26.082
$4.359
$77.255
$108,89

Dados fornecidos pelo Yahoo Finance.

MACROECONOMIA
O BCE subiu a taxa e o mercado nem pestanejou

O que se passou

Hoje, o Banco Central Europeu subiu as taxas de juro em 25 pontos base, elevando a taxa de depósito para 2,5%. A decisão foi unânime e já estava totalmente prevista pelos investidores, o que explica a reação moderada dos mercados.

O que isto significa

Christine Lagarde disse que a economia da zona euro se revelou resiliente ao choque energético, com o crescimento a ser generalizado e o setor industrial a manter-se sólido. A inflação subjacente e a inflação dos serviços desceram ligeiramente no mês passado.

Mas o BCE já admite que os preços mais altos da energia vão continuar a refletir-se na inflação subjacente e nos alimentos. Esse efeito deve prolongar-se até ao início de 2027, antes de abrandar em 2028.

Porque deves querer saber

💶 O euro nem reagiu à decisão do BCE.

O euro está hoje a perder cerca de 0,2% face ao dólar. Mas não é por causa da subida das taxas.

Deixa-me mostrar-te o motivo real: a queda tem mais a ver com a subida do petróleo bruto e do gás natural liquefeito do que com qualquer decisão do BCE. É um sinal de como os mercados já tinham esta subida completamente incorporada no preço.

🌡️ O risco que o próprio BCE admite.

Lagarde foi direta nas perguntas e respostas. Garantiu que não há qualquer plano de saída antecipada do cargo, e que a decisão de hoje foi óbvia e unânime.

Mas também deixou avisos sobre o que pode correr mal. O choque energético pode prolongar-se mais do que o esperado, e uma deterioração do clima de risco nos mercados pode tornar as condições financeiras mais restritivas. É esse cenário que vale a pena vigiar nos próximos meses.

ENERGIA
Petróleo apanhado entre o Golfo e o Mar Vermelho

O que se passou

Uma série de trocas de fogo entre os Estados Unidos e o Irão no Golfo Pérsico está a afastar as expectativas do mercado de que o Estreito de Ormuz continue aberto e de que o abastecimento de petróleo bruto, gasolina e gás da região volte à normalidade. O petróleo Brent está hoje a subir cerca de 7%, para valores acima dos 108 dólares por barril.

O que isto significa

O Estreito de Ormuz é uma das rotas mais importantes do mundo para o transporte de petróleo. Qualquer ameaça a esse corredor tende a mexer de imediato com os preços.

A situação agrava-se com a captura da cidade portuária de Mocha, no Iémen, pelos rebeldes houthis, um grupo estreitamente ligado ao Irão.

Porque deves querer saber

🚢 Uma rota que já foi fechada antes.

O tráfego de carga no Mar Vermelho já tinha sofrido uma queda acentuada durante uma série de ataques houthis a navios em 2023.

Já aconteceu antes: depois do início da guerra no Irão, esse tráfego voltou a aumentar, o que obrigou a redirecionar parte das remessas de petróleo através dessa mesma rota. Uma nova ameaça agora pode voltar a fechar essa alternativa.

A subida não fica só no petróleo bruto.

Cada subida no preço do petróleo tende a chegar à gasolina, ao gás e aos custos de transporte, o que penaliza margens em setores como companhias aéreas e transporte marítimo quase de imediato.

Não é a primeira vez que isto acontece: subidas prolongadas do petróleo já antecederam períodos de inflação mais persistente, o cenário que os bancos centrais querem mesmo evitar agora.

EMPRESAS
A Uber corta pessoal enquanto assina com a Glovo

O que se passou

A Uber anunciou esta quarta-feira uma redução de 10% da força de trabalho a nível mundial, o equivalente a cerca de 3.300 postos de trabalho. A decisão surge numa altura em que a empresa avança com a oferta de aquisição da Delivery Hero, dona da Glovo, num negócio avaliado em 14.800 milhões de dólares.

O que isto significa

O presidente executivo, Dara Khosrowshahi, disse aos trabalhadores que a decisão vai ter "um impacto concreto" nas equipas, mas que tem a ver com a forma como a empresa está organizada e não com as contribuições de ninguém.

Khosrowshahi quer eliminar níveis hierárquicos e simplificar as estruturas de equipa. O argumento é que os modelos que faziam sentido quando a Uber era mais pequena já não se adequam à escala atual da empresa.

Porque deves querer saber

💰 As poupanças têm destino certo.

Khosrowshahi garantiu que o dinheiro poupado com esta reestruturação vai ser reinvestido no crescimento, na inovação e no desenvolvimento daquilo a que chama o "futuro autónomo" da empresa.

É uma forma de dizer aos investidores que os cortes não são só para aliviar custos. São para libertar capital para outras apostas.

🛵 A Uber está a apostar tudo nas entregas.

Esta semana, o conselho de administração da Delivery Hero recomendou aos acionistas que aceitem a oferta da Uber. Se a operação avançar, a Uber passa a controlar a Glovo, uma das maiores plataformas de entregas na Europa e em vários mercados emergentes.

Os acionistas da empresa alemã têm até 5 de novembro para decidir.

A leitura Clareza

Segundo o Termómetro de Oportunidades, a Uber está classificada como Muito Barato, e o Raio-X da Ação dá-lhe um score de saúde financeira de 66 em 100.

Conclusão do dia

Se tivesse de escolher a notícia mais importante de hoje para quem investe, ficava com o petróleo.

Não pela subida de 7% em si, mas pelo que essa subida pode fazer às contas de inflação que o BCE acabou de fazer esta manhã.

O banco central disse hoje que a decisão foi óbvia e que a inflação subjacente até desceu ligeiramente no mês passado. Mas também admitiu que o choque energético pode prolongar-se mais do que o esperado, e é exatamente isso que está a acontecer agora no Golfo Pérsico.

Se o petróleo continuar a subir por causa das tensões com o Irão e do que se passa no Mar Vermelho, a inflação que o BCE acabou de dar como controlada pode voltar a acelerar. E isso muda tudo. Obrigações voltam a ser mais atrativas, valuations esticados ficam mais difíceis de justificar, e a confiança que hoje foi transmitida na conferência de imprensa pode não durar muito.

Por isso, o que eu vigiaria a seguir não é a próxima reunião do BCE. É a evolução da situação no Estreito de Ormuz e no Mar Vermelho. Se as duas rotas ficarem mesmo ameaçadas ao mesmo tempo, o petróleo pode continuar a subir, e é essa a variável com mais capacidade para obrigar os bancos centrais a voltar atrás nas suas contas.

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Até amanhã,
Equipa Clareza