
Destaques do dia
Viva, investidor 👋
Aqui está o que precisas de saber hoje, em 7 minutos.
⚖️ A Meta começou hoje um julgamento em que 29 procuradores-gerais estaduais a acusam de desenhar o Instagram e o Facebook para viciar crianças, com danos pedidos até 1,4 biliões de dólares
☁️ O Morgan Stanley traçou um caminho para a AWS atingir 1 bilião de dólares em receita anual dentro de 8 a 10 anos, e já subiu o preço-alvo da Amazon
🚀 A SpaceX superou o primeiro teste de vendas em massa desde a estreia em bolsa, e os registos trimestrais mostram que a Alphabet multiplicou o seu investimento inicial por mais de 100 vezes
Os números de hoje
▼ S&P500
▼ NASDAQ
▼ OURO
▲ BITCOIN
▲ US BONDS
▲ BRENT OIL
0,52%
0,32%
0,42%
1,49%
0,01%
0,18%
7.745
26.645
$4.398
$64.264
4,74%
$91,04
Dados fornecidos pelo Yahoo Finance.
EMPRESAS
O julgamento que pode redesenhar o Instagram

O que se passou
Começa hoje, em Oakland, o julgamento contra a Meta, avançado por uma coligação de 29 procuradores-gerais estaduais, liderada por estados como a Califórnia, o Colorado, o Kentucky e Nova Jérsia.
A acusação é pesada: dizem que a Meta desenhou o Instagram e o Facebook com funcionalidades pensadas para prender crianças e adolescentes às plataformas, e que sabia dos riscos ao mesmo tempo que dizia publicamente que os seus produtos eram seguros.
O que isto significa
O processo começou em 2023 e acusa a Meta de violar a COPPA, uma lei federal que obriga as plataformas a ter autorização dos pais antes de recolher dados de crianças com menos de 13 anos. Além disso, há também acusações ao abrigo de várias leis estaduais de proteção do consumidor.
Os procuradores querem ir bastante longe. Pedem mudanças em funcionalidades como o scroll infinito, o autoplay e os filtros de beleza. E, se ficar provado que a Meta usou dados de menores de 13 anos sem o consentimento devido, querem também que esses dados sejam apagados, juntamente com modelos de inteligência artificial treinados com essa informação.
A Meta rejeita as acusações. Diz que os procuradores não conseguiram provar que os utilizadores foram enganados e considera exagerados os valores e as medidas que estão a ser pedidos.
Porque deves querer saber
💰 O número que assusta Wall Street.
Os próprios advogados da Meta já admitiram que, no pior cenário, os danos podem chegar aos 1,4 biliões de dólares. Os estados estão a apontar para um valor muito mais baixo, à volta dos 200 mil milhões, mas mesmo assim continua a ser uma quantia enorme para uma empresa avaliada em cerca de 1,5 biliões.
E a Meta já teve decisões desfavoráveis em casos parecidos.
Em março, um júri em Los Angeles considerou a Meta e o YouTube negligentes e mandou pagar 6 milhões de dólares. Este mês, no Novo México, a Meta foi condenada a colocar 567 milhões de dólares num fundo de reparação, depois de já ter sido obrigada a pagar outros 375 milhões por violar a lei estadual.
O procurador-geral do Novo México resumiu bem a dimensão do risco: se valores deste género forem aplicados à escala da Califórnia, o impacto pode tornar-se astronómico.
🚬 O momento Big Tobacco.
Já há quem compare este processo ao momento “Big Tobacco” das redes sociais, numa referência ao que aconteceu com as tabaqueiras nos anos 90, quando acabaram por pagar indemnizações gigantes depois de anos a esconder os riscos dos seus produtos.
A comparação faz sentido por outro motivo. Aqui, os procuradores não estão a atacar aquilo que os utilizadores publicam. Estão a atacar a forma como as próprias plataformas foram desenhadas.
E isso é importante porque lhes permite contornar uma das proteções legais que normalmente dificulta processar empresas tecnológicas por conteúdos publicados por terceiros.
Este caso também não está sozinho. Há dezenas de processos semelhantes a decorrer nos Estados Unidos, ao mesmo tempo que a pressão sobre as redes sociais está a aumentar noutros países, da Austrália à Turquia.
A leitura Clareza
Segundo o Termómetro de Oportunidades do Clareza, a Meta está classificada como Neutro, e o Raio-X da Ação dá-lhe um score de saúde financeira de 74 em 100.
O valuation não dá hoje um sinal forte nem num sentido nem noutro, por isso o peso da leitura cai sobre a saúde financeira, e aí a Meta mantém-se sólida. Isso não torna o resultado do julgamento irrelevante, até porque o dinheiro em jogo é o mesmo que financia a aposta da empresa em inteligência artificial, mas os fundamentos do negócio continuam intactos enquanto o processo decorre.
TECNOLOGIA
O plano da Amazon para o bilião

O que se passou
O Morgan Stanley traçou um cenário bastante otimista para a AWS, o negócio de cloud da Amazon. O banco acredita que, dentro de 8 a 10 anos, a AWS pode chegar a 1 bilião de dólares de receita anual.
Com base nessa visão, subiu o preço-alvo da Amazon para 335 dólares por ação e manteve a recomendação de compra.
O que isto significa
A AWS gera hoje cerca de 170 mil milhões de dólares em receita anualizada, por isso chegar ao bilião implicaria multiplicar esse valor quase por seis.
Andy Jassy, CEO da Amazon, já disse que acredita que isso é “muito possível”. E a empresa tem defendido que o negócio de inteligência artificial está a conseguir margens semelhantes às da cloud tradicional quando estava numa fase equivalente de maturidade.
O Morgan Stanley acredita também que o lucro operacional da Amazon pode chegar aos 500 mil milhões de dólares nesse mesmo horizonte.
E, num cenário ainda mais otimista, vê a ação a chegar aos 500 dólares até ao final de 2027, quase o dobro dos cerca de 261 dólares a que negoceia hoje.
Porque deves querer saber
🔌 Tudo depende de conseguir ligar a corrente.
O grande problema não parece ser a falta de procura. É conseguir construir capacidade suficiente para responder a essa procura.
A Amazon espera acrescentar cerca de 6 gigawatts de capacidade de data centers em 2026 e mais 8 gigawatts em 2027. Andy Jassy já disse que a empresa deverá duplicar a sua capacidade energética entre 2025 e 2027.
Isto é importante porque toda a procura por inteligência artificial só se transforma em receita quando existem data centers, energia e infraestrutura suficientes para a suportar.
Por isso, a corrida entre Amazon, Microsoft, Google e os restantes grandes fornecedores de cloud também se está a transformar numa corrida por eletricidade e por terrenos onde seja possível construir.
📐 Nem toda a capacidade vale o mesmo.
Hoje, cada watt de capacidade gera cerca de 8 dólares de receita para a Amazon. Se esse valor subir para 12 dólares, a empresa poderia chegar ao bilião de dólares de receita da AWS já em 2035, mais cedo do que no cenário central.
Mas há quem ache estas contas demasiado otimistas. A DA Davidson classificou a projeção como uma “especulação ousada” e lembrou que ainda é muito difícil estimar o tamanho de um mercado que praticamente não existia há três anos.
A leitura Clareza
Segundo o Termómetro de Oportunidades do Clareza, a Amazon está classificada como Barato, e o Raio-X da Ação dá-lhe um score de saúde financeira de 63 em 100.
Um valuation com espaço para valorizar é positivo, mas um score a meio da tabela sugere que os fundamentos ainda não acompanham por completo essa vantagem. Antes de assumir que é uma pechincha, vale a pena perceber o que está a segurar o score mais abaixo.
ESTREIAS EM BOLSA
Os primeiros grandes vencedores da SpaceX

O que se passou
As ações da SpaceX passaram pelo primeiro teste importante desde a estreia em bolsa: o fim do período de lockup, durante o qual os investidores iniciais não podem vender as suas ações.
Na sexta-feira, chegaram a cair abaixo dos 135 dólares, o preço do IPO, mas recuperaram e fecharam nos 140 dólares.
O que isto significa
O valor ainda está abaixo dos 150 dólares a que as ações abriram no dia da estreia em bolsa, mas a recuperação é relevante. Havia receio de que o fim do lockup trouxesse uma vaga forte de vendas por parte dos investidores que já estavam na empresa antes do IPO, e isso acabou por não acontecer com a intensidade esperada.
Ao mesmo tempo, começaram a aparecer os primeiros formulários 13F, documentos que os grandes investidores institucionais entregam trimestralmente à SEC, o regulador do mercado de capitais dos Estados Unidos, e onde revelam as ações que têm em carteira.
Esses registos estão agora a mostrar, pela primeira vez com números concretos, quais foram os grandes investidores que construíram posições relevantes na SpaceX antes de a empresa entrar em bolsa.
Porque deves querer saber
💎 Cem vezes o dinheiro investido.
A Alphabet investiu cerca de 900 milhões de dólares na SpaceX em 2015. Hoje, essa posição vale à volta de 94 mil milhões, mais de 100 vezes o valor inicial, e faz da dona da Google a maior acionista institucional da empresa de Elon Musk.
A Nvidia também aparece com uma posição relevante, avaliada em cerca de 21 mil milhões de dólares no final de junho, através do investimento feito na xAI.
E não são os únicos nomes grandes. A Harvard Management Co., que gere o fundo da Universidade de Harvard, tinha cerca de 2,2 mil milhões de dólares investidos, enquanto o fundo soberano da Noruega aparecia com uma posição de aproximadamente 1,2 mil milhões.
🔍 Os números já têm meses.
Os formulários 13F mostram apenas a posição que cada investidor tinha no final do trimestre anterior, neste caso a 30 de junho, e podem ser publicados até 45 dias depois.
Ou seja, não nos dizem o que estes investidores compraram ou venderam entretanto, incluindo o que fizeram à volta do fim do período de lockup.
Mesmo assim, ajudam a perceber porque é que uma avaliação da SpaceX perto de 1 bilião de dólares está a ser tão seguida. Há muito dinheiro institucional por trás, mas também expectativas muito altas para justificar esse valor.
A leitura Clareza
Segundo o Termómetro de Oportunidades do Clareza, a SpaceX está classificada como Muito Caro, e o Raio-X da Ação dá-lhe um score de saúde financeira de 54 em 100.
Um valuation esticado associado a um score que não impressiona é o tipo de combinação que pede mais cautela, não menos, mesmo com o entusiasmo à volta da estreia em bolsa. Os retornos extraordinários dos investidores iniciais dizem respeito ao preço a que entraram, não ao preço a que a ação está hoje.
Conclusão do dia
Hoje há três histórias muito diferentes, mas todas acabam por tocar no mesmo ponto: o mercado está a pagar hoje por resultados que ainda têm de ser provados amanhã.
Na Meta, o risco é perceber quanto pode custar um problema legal numa altura em que a empresa está a gastar fortemente em inteligência artificial.
Na Amazon, a questão é outra: a procura existe, mas a AWS só chega às projeções mais otimistas se a empresa conseguir construir data centers, garantir energia e transformar toda essa capacidade em receita.
E na SpaceX, os retornos extraordinários de quem entrou cedo não dizem muito sobre aquilo que um investidor pode ganhar ao preço atual.
No fundo, o mais importante não é saber se estas empresas têm boas histórias. É perceber quanto dessa história já está refletido no preço e o que ainda falta acontecer para esse preço fazer sentido.
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Até amanhã,
Equipa Clareza
