
Destaques do dia
Viva, investidor 👋
Aqui está o que precisas de saber hoje, em 5 minutos.
🌡️ A inflação preferida da Fed subiu 3,4% nos EUA, abaixo dos 3,7% esperados, mas os juros da dívida americana continuam em máximos de mais de 20 anos.
💾 A Micron faturou 54,2 mil milhões de dólares num só trimestre, quase cinco vezes mais do que há um ano, e a ação ficou praticamente parada.
📑 O prospeto de entrada em bolsa da Anthropic, divulgado pela Reuters, aponta para uma avaliação acima de 2 biliões de dólares.
Os números de hoje
▼ S&P500
▲ NASDAQ
▼ OURO
▼ BITCOIN
▲ BRENT OIL
0,25%
0,24%
0,62%
0,02%
1,77%
7.651
26.861
$4.156
$64.961
$97,85
Dados fornecidos pelo Yahoo Finance.
MACROECONOMIA
Inflação a abrandar, juros a subir

O que se passou
Na quarta-feira, o índice PCE, a medida de inflação que a Fed mais acompanha, mostrou que os preços nos Estados Unidos subiram 3,4% face ao ano anterior. Os economistas esperavam 3,7%.
O que isto significa
Sem contar com a alimentação e a energia, que são os preços que mais oscilam, a inflação ficou em 3,0%. O esperado era 3,3%.
De um mês para o outro, os preços subiram 0,3%, exatamente o que se previa.
Ou seja, a fotografia anual melhorou. Mas o ritmo mensal continua longe da meta de 2% da Fed.
Porque deves querer saber
🏦 A Fed ganha um pouco de folga.
A 16 de setembro, a Fed subiu os juros para o intervalo entre 3,75% e 4,00%, por causa da pressão da energia sobre os preços. Desde então, o mercado tem apostado cada vez mais numa nova subida na reunião de 27 e 28 de outubro.
Um dado de inflação mais baixo dá argumentos a quem defende uma pausa.
Mas a porta não está fechada. Na semana passada, John Williams, presidente da Fed de Nova Iorque, disse que mais uma subida até ao fim do ano era uma forma razoável de olhar para o que aí vem.
📜 A dívida americana conta outra história.
Mesmo com esta inflação mais baixa, os juros das obrigações do Tesouro americano de longo prazo continuam perto de máximos. Na terça-feira, a taxa a 30 anos passou os 5,6%, o valor mais alto desde 2002. A taxa a 10 anos rondou os 5,3%, máximos desde 2007.
Repara também que, nesse mesmo dia, a confiança dos consumidores americanos caiu para o nível mais baixo em 12 anos.
Famílias mais pessimistas e crédito mais caro ao mesmo tempo é uma combinação que costuma pesar no consumo, e o consumo é o grande motor da economia americana.
RESULTADOS
Tudo bateu certo, e a ação nem se mexeu

O que se passou
Na quarta-feira, após o fecho do mercado, a Micron apresentou receitas de 54,2 mil milhões de dólares no último trimestre. Os analistas esperavam 51,1 mil milhões, e no mesmo trimestre do ano passado a empresa tinha faturado 11,3 mil milhões.
O que isto significa
A Micron fabrica chips de memória, e a procura dos data centers de inteligência artificial disparou.
A empresa é a única grande fabricante americana de HBM, um tipo de memória muito rápida usada nos chips de IA, e diz que as encomendas estão muito acima do que consegue produzir.
Isso nota-se nas margens. De cada 100 dólares que vendeu, sobraram cerca de 87 depois de pagar o custo de fabricar os chips. O lucro do trimestre chegou aos 37,7 mil milhões de dólares.
Porque deves querer saber
🎯 O mercado já contava com isto.
O guidance (as previsões que a própria empresa dá para o seu futuro) também ficou acima do esperado. A Micron prevê receitas de 61,5 mil milhões de dólares no próximo trimestre, quando os analistas apontavam para 57 mil milhões.
Mesmo assim, a ação ficou praticamente inalterada logo após os números.
A explicação está no caminho que já tinha feito. Antes dos resultados, a ação da Micron já tinha subido várias centenas por cento no último ano. Os resultados eram excelentes, mas o mercado já tinha posto no preço boa parte desta história.
🏭 A memória está cara para todos.
A corrida à IA não está só a beneficiar a Micron. Está a apertar a oferta de chips de memória convencionais e a fazer subir os preços em todo o setor. Isso quer dizer custos mais altos para quem fabrica computadores, telemóveis ou servidores.
A Micron também não está a travar. Vai investir cerca de 25 mil milhões de dólares só no primeiro semestre do novo ano fiscal. E tem contratos com grandes clientes que lhe garantem receitas e preços mínimos, uma proteção pensada para o dia em que a procura abrandar.
A leitura Clareza
Segundo o Radar de Oportunidades, a Micron está classificada como Caro, e o Raio-X da Ação dá-lhe um score de saúde financeira de 70 em 100.
ESTREIAS EM BOLSA
As contas por detrás do Claude

O que se passou
A Reuters teve acesso ao prospeto de entrada em bolsa da Anthropic, a empresa que desenvolve o assistente de IA Claude. O prospeto é o documento que uma empresa tem de apresentar antes de vender ações ao público, e este aponta para uma avaliação acima de 2 biliões de dólares e uma estreia depois das eleições intercalares americanas de novembro.
O que isto significa
As receitas estão a crescer a um ritmo raro. Em todo o ano de 2025, a Anthropic faturou 4,6 mil milhões de dólares. Só no segundo trimestre de 2026, foram 11,5 mil milhões.
Mas crescer assim custa muito dinheiro. Em 2025, a empresa teve um prejuízo operacional de 8 mil milhões de dólares, e os gastos com capacidade de computação triplicaram para 7,3 mil milhões.
Para os próximos anos, a Anthropic já tem compromissos de 518 mil milhões de dólares em serviços de cloud, computação e infraestruturas.
Porque deves querer saber
💰 Um preço que pede muita confiança no futuro.
Uma avaliação acima de 2 biliões de dólares seria mais do dobro dos cerca de 965 mil milhões que a empresa valia em maio.
O prospeto também mostra fragilidades. Dois clientes representaram quase 25% das receitas de 2025, e muitos dos maiores clientes não têm contratos de longo prazo. Se um deles reduzir os gastos, o impacto nas contas é imediato.
🧭 Um termómetro para toda a IA.
Esta estreia vai mostrar quanto é que os investidores estão dispostos a pagar por uma empresa de IA que cresce muito, mas que ainda gasta mais do que ganha.
Conclusão do dia
Se tivesse de escolher a notícia mais importante de hoje para quem investe, ficava com a inflação americana. Mais concretamente, com o contraste entre ela e os juros da dívida.
A inflação veio abaixo do esperado. Em teoria, isso devia aliviar a pressão sobre a Fed e fazer descer os juros de longo prazo.
Mas a taxa a 10 anos continua perto dos 5,3%, e a de 30 anos passou os 5,6%. O mercado de obrigações ainda não acredita que o problema da inflação esteja resolvido.
E isso mexe com tudo o resto. Quando uma obrigação do Tesouro americano paga mais de 5% com risco muito baixo, as ações têm de justificar melhor o preço a que estão. As empresas que valem muito pelo que prometem para o futuro sentem isso mais do que as outras.
É também por isso que a Micron e a Anthropic importam aqui. Uma tem números extraordinários e mesmo assim a ação não reagiu. A outra vai pedir ao mercado 2 biliões de dólares numa altura em que a dívida americana a 10 anos paga o juro mais alto desde 2007.
O momento que eu acompanharia agora é a reunião da Fed de 27 e 28 de outubro, e os dados de emprego e de inflação que saem até lá. Se continuarem a arrefecer, a Fed pode fazer uma pausa e os juros de longo prazo podem finalmente dar tréguas. Se não, a pressão sobre os valuations mais esticados deve continuar.
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Até amanhã,
Equipa Clareza
