
Destaques do dia
Viva, investidor 👋
Aqui está o que precisas de saber hoje, em 5 minutos.
🖥️ A Nvidia apresenta esta noite os resultados mais aguardados do trimestre. O mercado já conta com receitas perto dos 91 mil milhões de dólares, por isso o que vai pesar mesmo é aquilo que a empresa disser sobre o próximo trimestre.
💰 A Meta pode vir a transformar parte da computação que lhe sobra numa nova fonte de receita, com potencial para chegar aos 22 mil milhões de dólares por ano, segundo a Evercore ISI.
🍁 O Canadá respondeu aos Estados Unidos com tarifas de até 50% sobre quase 20 mil milhões de dólares em produtos americanos, numa disputa comercial que se agravou nos últimos dias.
Os números de hoje
▲ S&P500
▲ NASDAQ
▼ OURO
▼ BITCOIN
▲ US BONDS
▼ BRENT OIL
0,32%
0,66%
0,19%
1,43%
0,01%
3,10%
7.677
26.151
$4.628
$78.754
4,65%
$85,82
Dados fornecidos pelo Yahoo Finance.
RESULTADOS
A Nvidia já venceu. Falta saber por quanto.

O que se passou
A Nvidia apresenta esta quarta-feira, depois do fecho do mercado, os resultados do segundo trimestre fiscal de 2027. A própria empresa apontou para receitas perto dos 91 mil milhões de dólares e o consenso do mercado está ligeiramente acima, perto dos 92 mil milhões.
O que isto significa
Um resultado dentro deste intervalo já não deve surpreender ninguém.
As ações da Nvidia caíram durante sete sessões seguidas, a pior sequência desde 2022, antes de recuperarem 2,19% na terça-feira.
Isto mostra bem onde está a atenção do mercado neste momento. Já não basta confirmar que o trimestre foi forte. Os investidores querem perceber se este ritmo de crescimento continua no próximo trimestre e se a empresa consegue depender menos de um grupo pequeno de clientes.
Porque deves querer saber
🧩 A variável que ficou de fora.
O guidance da Nvidia assume zero receita de computação de data center vinda da China.
Por isso, qualquer receita que apareça daí esta quarta-feira entra como um extra face ao que já estava previsto.
E já há alguns sinais nesse sentido. A Nvidia começou a enviar chips H200 para a China, com a ByteDance e a Tencent a receberem cerca de 10.000 processadores cada uma, segundo o Financial Times.
Ainda assim, estes volumes são pequenos quando comparados com o tamanho do mercado. A KeyBanc estima que a China pode absorver até 1,5 milhões de chips H200, o que representa uma oportunidade de cerca de 30 mil milhões de dólares.
Continuam, no entanto, várias incertezas: o corte de 25% dessa receita para o governo dos Estados Unidos, o licenciamento remessa a remessa e a pressão de Pequim para que as empresas chinesas usem mais chips domésticos, como os Ascend da Huawei.
💸 Dinheiro emprestado para comprar Nvidia.
No início de agosto, a Nvidia anunciou uma parceria com seis grandes grupos financeiros, Apollo, BlackRock, Blackstone, Brookfield, Goldman Sachs e KKR, para mobilizar mais de 500 mil milhões de dólares de capital externo para infraestrutura de inteligência artificial.
A lógica é tornar os chips num ativo que também pode ser financiado, um pouco como acontece com um imóvel, em vez de ser preciso pagar tudo de uma vez.
Isso pode aumentar bastante o número de empresas com capacidade para comprar infraestrutura da Nvidia.
Mas há uma diferença importante entre a ideia e a execução. Por enquanto, existem memorandos de entendimento, mas ainda faltam muitos detalhes sobre a forma como estes modelos de financiamento vão funcionar na prática.
Mesmo assim, a Nvidia negoceia a cerca de 21 vezes os lucros esperados para os próximos doze meses, abaixo das 41 vezes da AMD, das 50 vezes da Marvell e das 23 vezes da Broadcom.
Para uma empresa que continua a crescer mais depressa do que muitos destes concorrentes, esse desconto mostra que o mercado já está bastante mais exigente com aquilo que espera dos próximos trimestres.
A leitura Clareza
Segundo o Termómetro de Oportunidades do Clareza, a Nvidia está classificada como Neutro, e o Raio-X da Ação dá-lhe um score de saúde financeira de 68 em 100.
EMPRESAS
O plano B da Meta para pagar a fatura da IA

O que se passou
A Evercore ISI subiu o preço-alvo da Meta para 860 dólares, dos 820 anteriores, depois de identificar uma possível nova fonte de receita: vender parte da capacidade de computação que a empresa não esteja a usar para os seus próprios modelos.
O que isto significa
A Meta quer chegar a 14 gigawatts de capacidade total de computação até 2027 e, ao contrário das outras grandes tecnológicas, ainda não tem um negócio de cloud pública.
É precisamente por isso que o analista Mark Mahaney vê aqui uma oportunidade.
Segundo as suas contas, alugar entre 0,5 e 1 gigawatt de capacidade excedente poderia gerar entre 11 mil milhões e 22 mil milhões de dólares por ano em receita externa.
A ação continua, no entanto, a refletir a preocupação dos investidores com o tamanho destes investimentos. Caiu cerca de 4% no último mês e está 12% abaixo desde o início do ano, enquanto o S&P 500 sobe 12% no mesmo período.
Porque deves querer saber
🧮 Uma opção, não uma promessa.
Alugar 1 gigawatt representaria apenas cerca de 7% dos 14 gigawatts previstos para 2027.
Mesmo assim, segundo as contas de Mahaney, isso poderia acrescentar até 4,32 dólares ao lucro por ação.
Mas convém não transformar esta possibilidade numa certeza.
Mark Zuckerberg já disse na última apresentação de resultados que seria uma má ideia vender toda a capacidade da empresa só para garantir lucro no curto prazo, porque, na visão dele, criar e vender inteligência pode valer bastante mais do que simplesmente vender computação.
É por isso que o próprio Mahaney trata esta ideia como uma opção adicional para quem já acompanha a Meta, e não como uma nova linha de receita garantida.
🏗️ A mesma pergunta de sempre.
A Meta negoceia a cerca de 17 vezes os lucros esperados para os próximos doze meses, perto do valuation mais baixo dos últimos três anos.
E isso volta a trazer a mesma dúvida que atravessa todo o setor: até onde faz sentido continuar a gastar em data centers sem retorno imediato?
No caso da Meta, pelo menos existe a possibilidade de transformar parte da capacidade que sobra em receita.
Ainda não sabemos se isso vai acontecer, mas mostra que a empresa já está a pensar em formas de tirar mais rendimento da infraestrutura que está a construir.
A leitura Clareza
Segundo o Termómetro de Oportunidades do Clareza, a Meta está classificada como Neutro, e o Raio-X da Ação dá-lhe um score de saúde financeira de 74 em 100.
MACROECONOMIA
Ottawa responde à letra

O que se passou
O Canadá anunciou na terça-feira tarifas de retaliação contra os Estados Unidos, a igualar dólar a dólar as tarifas de 50% que Donald Trump impôs no fim de semana.
As novas tarifas abrangem mais de 700 produtos americanos, num total de quase 20 mil milhões de dólares, e entram em vigor a 8 de setembro.
O que isto significa
As negociações comerciais entre os dois países colapsaram na sexta-feira, com cada lado a acusar o outro de ter feito exigências de última hora.
O Canadá anunciou também 7,5 mil milhões de dólares em apoios às empresas e trabalhadores afetados pela disputa.
Trump diz que os Estados Unidos perdem 60 mil milhões de dólares por ano com o Canadá.
Os dados oficiais da Statistics Canada apontam, no entanto, para um excedente comercial canadiano de apenas 7,1 mil milhões de dólares.
Ou seja, os dois lados continuam a apresentar leituras muito diferentes da mesma relação comercial.
Porque deves querer saber
🧾 A fatura cai do lado americano.
Cerca de 550 produtos de consumo importados do Canadá, desde patins de gelo a papel higiénico e bebidas alcoólicas, ficam mais caros nos Estados Unidos por causa da tarifa de 50%.
E este é um ponto importante porque as tarifas nem sempre ficam do lado de quem exporta.
Segundo um estudo do Kiel Institute for the World Economy, cerca de 96% do custo destas tarifas acaba por ser absorvido por importadores e consumidores americanos.
O ouro, que costuma beneficiar quando aumenta a procura por ativos de refúgio, praticamente não reagiu esta terça-feira. Para já, o mercado não está a tratar este episódio como uma crise.
🐉 A China aproveita a boleia.
Enquanto Estados Unidos e Canadá entram em confronto, a China continua a abrir outras frentes comerciais.
Na semana passada assinou um acordo de comércio livre com a Suíça e, em maio, retirou tarifas a quase todos os países africanos.
A imprensa estatal chinesa chegou mesmo a chamar à resposta canadiana um “contra-ataque ao estilo chinês”.
Em janeiro, o primeiro-ministro Mark Carney já tinha fechado um acordo comercial com Pequim sobre canola e automóveis, e esse acordo ganhou agora mais importância.
Para quem investe, o que interessa acompanhar é se estas disputas começam a empurrar mais países para relações comerciais alternativas aos Estados Unidos.
Se isso acontecer de forma consistente, pode mudar bastante quem beneficia e quem perde com cada nova ronda de tarifas.
Conclusão do dia
Há uma coisa interessante a ligar estas três histórias: cada vez mais, o valor está no acesso.
A Nvidia controla acesso à capacidade de computação que toda a gente quer.
A Meta está a perceber que a capacidade que construiu pode valer dinheiro mesmo quando não é usada internamente.
E no caso do Canadá, o acesso ao mercado americano está a tornar-se mais caro por causa das tarifas.
São três exemplos diferentes, mas todos mostram a mesma mudança: não basta ter tecnologia, capital ou produto. É preciso controlar o acesso a alguma coisa que os outros precisam.
Pode ser acesso a chips, a computação, a clientes ou a um mercado inteiro.
E quando esse acesso fica mais escasso ou mais caro, quem o controla ganha poder para cobrar mais, negociar melhor ou proteger margens.
É provavelmente isso que vale mais a pena acompanhar agora: quem está a transformar escassez em poder económico.
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Até amanhã,
Equipa Clareza
