Destaques do dia

Viva, investidor šŸ‘‹

Aqui estĆ” o que precisas de saber hoje, em 5 minutos.

  • 🤠 O presidente da Fed insinuou em Jackson Hole que as taxas de juro podem subir atĆ© a inflação se aproximar da meta de 2%, mas nĆ£o disse quando isso vai acontecer.

  • šŸļø O Senado marcou para 15 de setembro o voto que decide o futuro da regulação cripto nos Estados Unidos, e os mercados de previsĆ£o dĆ£o-lhe apenas 14% de hipóteses de ser aprovada este ano.

  • šŸ“Š Os lucros das empresas nos EUA chegaram a 18% da renda nacional, o valor mais alto desde os anos 1940, enquanto os salĆ”rios caĆ­ram para 60%, o mais baixo desde os anos 1950.

Os nĆŗmeros de hoje

ā–¼ S&P500
ā–¼ NASDAQ
ā–¼ OURO
ā–¼ BITCOIN
ā–² US BONDS
ā–¼ BRENT OIL
0,27%
0,52%
3,35%
3,47%
0,06%
0,29%
7.710
26.402
$4.508
$77.478
4,73%
$88,26

Dados fornecidos pelo Yahoo Finance.

MACROECONOMIA
Warsh fala pouco, mas diz muito

O que se passou

Na sexta-feira, o presidente da Fed, Kevin Warsh, chegou a Jackson Hole e insinuou que as taxas de juro podem precisar de subir para conter a inflação persistente nos Estados Unidos.

O que isto significa

O retiro anual da Fed no Wyoming é uma tradição para discutir a economia e a direção das taxas. Warsh assumiu o cargo em maio, por isso os investidores estavam atentos às suas primeiras palavras num palco destes.

Ele disse que a economia parece saudÔvel, com alguns números de inflação abaixo do esperado. Mas não estÔ convencido de que as pressões inflacionÔrias subjacentes estejam mesmo a diminuir.

Por isso, acredita que a Fed ainda tem trabalho a fazer, a menos que a inflação se aproxime da meta de 2%.

Warsh não disse se vai haver subidas de taxas, nem quando. Essa cautela é propositada. Ele próprio explicou que os investidores passam demasiado tempo a agarrar-se a cada palavra da Fed, por isso estÔ a dar-lhes menos para se agarrarem.

Os investidores perceberam a mensagem na mesma. Os yields das obrigaƧƵes do governo americano de curto prazo, um indicador do que se espera que a Fed faƧa a seguir, subiram, com os investidores a reforƧar apostas numa subida de taxas em setembro.

Porque deves querer saber

🤠 Novo xerife em palco.

Warsh nĆ£o decide sozinho. Ɖ um entre 12 membros votantes. Mas nenhum presidente da Fed foi derrotado numa votação sobre taxas desde a dĆ©cada de 1980, por isso onde ele lidera, os outros tendem a seguir.

No mês passado, três membros jÔ tinham votado a favor de uma subida de taxas, e Warsh parece caminhar na mesma direção. Quem espera por empréstimos mais baratos talvez precise de ter paciência.

šŸ“‰ A Fed nĆ£o controla tudo.

A Fed decide as taxas de curto prazo, mas quem manda nas taxas de longo prazo são os investidores em obrigações. E a taxa que o governo americano paga para se financiar a 30 anos atingiu recentemente o nível mais alto em 19 anos.

O governo jÔ se estÔ a preparar para reagir. No próximo mês, vai pelo menos duplicar as recompras de obrigações, uma medida que tende a empurrar os preços para cima e os yields para baixo.

Warsh não mencionou isto no discurso. Talvez seja incómodo para um presidente que defende menos intervenção do Estado nos mercados dizer isto em voz alta.

CRIPTOMOEDAS
Enquanto Washington adia, os bancos avanƧam

O que se passou

O Senado dos Estados Unidos adiou para 15 de setembro o voto que decide se o Clarity Act, a lei que define quem regula os mercados de ativos digitais no país, avança para debate. Os mercados de previsão dão-lhe apenas 14% de hipóteses de se tornar lei ainda este ano, uma queda acentuada face aos 82% de fevereiro.

O que isto significa

A Câmara dos Representantes jÔ tinha aprovado a proposta em julho de 2025, por 294 votos a 134. Ficou parada desde então. A Comissão BancÔria do Senado só a avançou a 14 de maio, por 15 votos a 9.

O bloqueio não é técnico, é político. Os democratas querem salvaguardas mais fortes contra conflitos de interesse, sobretudo sobre quanto altos responsÔveis do governo podem lucrar com criptomoedas enquanto estão no cargo. Os republicanos querem uma maioria mais larga e a certeza que isso traria ao mercado. Nenhum dos lados cedeu o suficiente, nem depois de Trump ter reunido reguladores e executivos de bolsas na Casa Branca a 19 de agosto para pressionar o Senado a agir.

Enquanto o Congresso discute, os bancos não estão à espera. JÔ emitem depósitos tokenizados e testam liquidação on-chain. O JPMorgan jÔ processa pagamentos institucionais através da sua plataforma Kinexys, com mais de 3 biliões de dólares em volume acumulado. Dezassete instituições, incluindo JPMorgan, Bank of America, Citi e Wells Fargo, jÔ anunciaram planos para liquidar depósitos tokenizados através da Clearing House, com meta para 2027.

Porque deves querer saber

šŸļø Cada mĆŖs sem regras Ć© um mĆŖs a favor.

Um depósito tokenizado é uma reivindicação sobre um banco específico. Um token de um banco e o token de outro são passivos diferentes em balanços diferentes, e nenhuma tecnologia os torna o mesmo ativo.

Isso significa que ligar estas redes entre si nunca vai depender de um padrão técnico comum. Vai depender de como sempre dependeu no sistema bancÔrio: da compensação entre instituições. E ligar-se à rede de outra instituição é uma decisão de risco. Sem regras claras, o mais seguro para cada banco continua a ser ficar isolado dentro da sua própria rede.

šŸ“… O calendĆ”rio nĆ£o perdoa.

Quando o Senado voltar, hÔ apenas 14 dias úteis antes do recesso eleitoral de outubro, e 22 até ao final do ano, com o financiamento do governo também para resolver nesse período.

Se o voto de 15 de setembro falhar, a lei fica efetivamente arrumada até 2027. Isso jÔ estÔ em grande parte refletido nos 14% de probabilidade. Por isso, uma eventual aprovação seria a verdadeira surpresa, e é isso que teria mais impacto nos preços, sobretudo nos ativos cuja classificação regulatória ainda estÔ por decidir.

MACROECONOMIA
Lucros no topo, salƔrios no fundo

O que se passou

Os lucros das empresas americanas antes de impostos atingiram 4,8 biliƵes de dólares em valor anualizado no Ćŗltimo trimestre, o equivalente a 18% da renda nacional dos Estados Unidos. Ɖ a maior fatia desde a dĆ©cada de 1940.

O que isto significa

Os salƔrios e benefƭcios dos trabalhadores seguiram o caminho oposto. Caƭram para 60% da renda nacional, a fatia mais baixa desde a dƩcada de 1950.

O boom da inteligĆŖncia artificial e a subida dos preƧos do petróleo estĆ£o a ajudar as empresas a lucrar mais, o que tambĆ©m impulsiona as aƧƵes. Ɖ uma boa notĆ­cia para quem tem grandes carteiras de aƧƵes.

Mas as famílias de rendimento médio e baixo dependem cada vez mais dos salÔrios, e estes não estão a acompanhar o ritmo.

Esta Ʃ a vida numa economia em forma de K, onde uma parte sobe e a outra desce ao mesmo tempo. Os 10% mais ricos jƔ impulsionam metade dos gastos de consumo nos Estados Unidos, contra um terƧo nos anos 1990.

Porque deves querer saber

šŸ›’ Os nĆŗmeros nĆ£o batem certo.

Nas 100 empresas com os salÔrios mais baixos do S&P 500, os salÔrios subiram 21% entre 2019 e 2025. Mas os preços subiram 26% no mesmo período, e a inflação continua perto de 3,7%.

O consumo jÔ começou a estagnar. Enquanto isso, os lucros das empresas do S&P 500 subiram cerca de 31% face ao ano anterior, puxados sobretudo pelos gastos em infraestrutura de inteligência artificial.

šŸ” Falta ainda a prova.

O que ainda não existe é uma evidência clara de que o uso da inteligência artificial esteja mesmo a aumentar os lucros das empresas, e não só o entusiasmo à volta dela.

Se essa prova aparecer, os investidores podem começar a olhar para além das gigantes tecnológicas. Se não aparecer, os alertas sobre uma bolha vão parecer bem mais reais.

Conclusão do dia

As três notícias de hoje partilham a mesma pergunta de fundo: quem paga a conta de uma economia que ainda não decidiu para onde vai.

Warsh mantém a porta aberta a subidas de taxas porque a inflação ainda não convenceu ninguém de que estÔ resolvida, e isso pesa mais sobre quem tem crédito e menos sobre quem jÔ tem carteiras cheias de ações. O Clarity Act mostra o mesmo padrão de outra forma. Enquanto Washington discute regras, os bancos maiores jÔ constroem a infraestrutura que lhes convém, e quem fica de fora do processo é quem depende de mais clareza para entrar mais tarde.

Os números da economia em K confirmam o pano de fundo: os lucros das empresas nunca estiveram tão altos, os salÔrios nunca estiveram tão baixos.

Em comum, fica isto: quem jÔ tem capital investido continua a beneficiar primeiro de cada uma destas histórias. Quem depende do salÔrio ou estÔ à espera de mais certezas regulatórias fica sempre um passo atrÔs.

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Até amanhã,
Equipa Clareza