
Destaques do dia
Viva, investidor 👋
Aqui está o que precisas de saber hoje, em 4 minutos.
🎤 Kevin Warsh fala esta sexta-feira pela Fed, num discurso que o mercado vai seguir de perto para perceber se os juros podem voltar a subir ou se a preocupação maior passa a ser o abrandamento da economia americana.
🏦 O PCE voltou a mostrar inflação persistente, e isso está a favorecer alguns setores que tendem a aguentar melhor juros altos durante mais tempo, como bancos, retalhistas de desconto e petrolíferas.
🚬 Só 54% dos adultos americanos ainda bebem álcool, o valor mais baixo desde 1939, enquanto a canábis já ultrapassou o álcool e o tabaco em consumo diário.
Os números de hoje
▲ S&P500
▲ NASDAQ
▼ OURO
▲ BITCOIN
▲ US BONDS
▼ BRENT OIL
0,72%
1,57%
0,02%
0,10%
0,01%
1,04%
7.731
26.541
$4.610
$79.813
4,68%
$87,60
Dados fornecidos pelo Yahoo Finance.
MACROECONOMIA
O silêncio antes do discurso

O que se passou
Kevin Warsh sobe esta sexta-feira ao palco do simpósio anual de Jackson Hole para aquele que será, até agora, o discurso mais importante do seu mandato à frente da Fed.
O que isto significa
Os antigos presidentes da Fed usavam muitas vezes este discurso para dar pistas sobre o rumo da política monetária.
Warsh tem seguido uma linha diferente desde que tomou posse em maio. Fala pouco sobre o que vem a seguir e prefere deixar que os dados e o próprio mercado façam parte do trabalho de sinalização.
É por isso que há tanta incerteza antes do discurso.
Alguns economistas esperam uma intervenção mais vaga, centrada em temas como produtividade ou demografia. Outros acham que, perante a pressão dos mercados, Warsh vai acabar por ser mais claro sobre o que pode acontecer aos juros.
Porque deves querer saber
🎯 A ambiguidade tem um preço.
Se Warsh disser de forma clara que a Fed está disponível para voltar a subir juros caso a inflação não abrande, os investidores passam a ter uma referência mais concreta.
Se evitar o tema e ficar por mensagens mais genéricas, o mercado pode interpretar esse silêncio de maneiras diferentes.
E isso pode mexer bastante com as obrigações de longo prazo.
O Bank of America admite que, num cenário de maior incerteza, a yield a 30 anos possa aproximar-se dos 5,5% ou mais, um nível que não se via há décadas.
📉 A Fed não está sozinha neste jogo.
Ao mesmo tempo, o Tesouro americano anunciou que vai duplicar as recompras semanais de dívida já emitida a partir de 9 de setembro.
A ideia é dar mais liquidez ao mercado e aliviar alguma pressão sobre as yields.
Isto cria uma situação pouco habitual: de um lado, o Tesouro a tentar acalmar o mercado de dívida. Do outro, um presidente da Fed que tem preferido interferir menos e deixar os preços ajustarem-se.
Para quem investe em obrigações, isso torna os próximos dias ainda mais importantes.
RESULTADOS
Quando a inflação teimosa vira vantagem

O que se passou
O índice PCE de julho subiu 3,7% face ao ano passado, acima do esperado, e reforçou a ideia de que a inflação continua longe de estar resolvida.
O que isto significa
Se a inflação continuar alta, fica mais difícil para a Fed justificar cortes rápidos nos juros.
E há empresas que conseguem lidar melhor com esse cenário.
Bancos podem continuar a beneficiar de juros mais altos. Retalhistas de desconto podem ganhar procura quando as famílias ficam mais sensíveis aos preços. E empresas ligadas à energia conseguem, muitas vezes, proteger melhor as margens quando os preços das matérias-primas continuam elevados.
O mesmo relatório mostrou ainda que o rendimento pessoal e os gastos dos consumidores continuam a crescer, sinal de que a economia, para já, ainda está a absorver estes preços mais altos.
Porque deves querer saber
🏦 Juros altos, resultados fortes.
O JPMorgan é um dos exemplos mais óbvios.
Juros elevados durante mais tempo ajudam a manter forte a receita líquida de juros, e o banco já viu essa receita crescer 9% no primeiro trimestre, para 25,5 mil milhões de dólares.
No segundo trimestre, o lucro chegou aos 7,70 dólares por ação.
A Dollar General beneficia por outra via.
Quando as famílias sentem mais pressão no orçamento, tendem a procurar preços mais baixos. A empresa já subiu a previsão de lucros para o ano, e a ação reagiu com uma subida de 6%.
⛽ Proteção com petróleo.
A ExxonMobil entra nesta conversa porque a energia costuma comportar-se de forma diferente num ambiente de inflação persistente.
Se o petróleo continuar caro, a empresa consegue transformar preços mais altos em mais cash flow.
No segundo trimestre, a Exxon gerou 17,2 mil milhões de dólares de fluxo de caixa livre e devolveu 9,4 mil milhões aos acionistas entre dividendos e recompras.
MERCADOS
O que os americanos trocam pelo álcool

O que se passou
Só 54% dos adultos americanos em idade legal dizem consumir álcool, o valor mais baixo desde que a Gallup começou a medir este indicador, em 1939.
E quem continua a beber está, em média, a consumir bastante menos do que há vinte anos.
O que isto significa
O consumo de álcool tem vindo a cair desde 2022 e há cada vez mais americanos a associá-lo a riscos para a saúde.
O tabagismo também caiu bastante e está agora perto dos 9% da população.
Mas isso não significa que o consumo de estimulantes tenha desaparecido.
O café continua muito presente no dia a dia, com cerca de 66% dos americanos a beber todos os dias, e as bebidas energéticas estão entre as categorias que mais crescem.
Ao mesmo tempo, a canábis já ultrapassou o álcool e o tabaco em consumo diário, com vendas legais anuais perto dos 34 mil milhões de dólares.
Porque deves querer saber
🍺 O momento tabaco do álcool.
A mudança lembra, em parte, o que aconteceu com o tabaco a partir dos anos 60, quando começaram a surgir avisos mais claros sobre os efeitos do consumo na saúde.
Hoje, o álcool começa a enfrentar uma pressão parecida.
A Organização Mundial de Saúde tem defendido que não existe um nível totalmente seguro de consumo, e as empresas já estão a adaptar-se.
Na Anheuser-Busch, por exemplo, a receita da cerveja sem álcool subiu 33%, muito acima do crescimento das marcas tradicionais.
⚡ Menos calorias, mais cafeína.
Há ainda um fenómeno curioso ligado aos medicamentos para perda de peso.
Quem consome menos calorias pode procurar mais cafeína para manter os níveis de energia, e um inquérito recente do Morgan Stanley mostrou que 44% dos utilizadores destes medicamentos tinham bebido uma bebida energética nos últimos três meses, contra 38% do resto da população.
É por isso que empresas como Starbucks, Monster Beverage e Dutch Bros estão a aparecer cada vez mais nas análises sobre esta mudança de hábitos.
O consumidor continua a procurar energia e estímulo. Só está a encontrá-los noutros sítios.
Conclusão do dia
Hoje há três sinais diferentes a chegar ao mercado.
O primeiro vem da Fed. Até Warsh falar em Jackson Hole, os investidores continuam a tentar adivinhar se a inflação pesa mais do que o risco de abrandamento.
O segundo vem das empresas. Se os juros ficarem altos por mais tempo, bancos, retalhistas de desconto e petrolíferas podem continuar a beneficiar de um cenário que é mais difícil para outros setores.
E o terceiro vem do consumidor americano, que está a mudar hábitos bastante antigos.
Menos álcool e tabaco, mais cafeína, bebidas energéticas e canábis.
É um bom lembrete de que nem sempre as mudanças mais importantes começam numa reunião da Fed ou num resultado trimestral.
Às vezes começam devagar, no comportamento das pessoas, e só mais tarde aparecem nas receitas das empresas.
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Até amanhã,
Equipa Clareza
