
Destaques do dia
Viva, investidor 👋
Aqui está o que precisas de saber hoje, em 5 minutos.
💰 Greg Abel gastou 4,5 mil milhões de dólares em recompras de ações e 10 mil milhões a reforçar a posição da Berkshire na Alphabet, travando 14 trimestres seguidos de vendas líquidas
🏭 A TSMC viu as vendas de julho subirem 44,7%, acima do que a própria empresa tinha previsto, mas a ação mal reagiu
🥇 O ouro atingiu o nível mais alto em mais de dois meses, à espera do CPI dos Estados Unidos de quarta-feira
Os números de hoje
▼ S&P500
▼ NASDAQ
▲ OURO
▼ BITCOIN
▲ US BONDS
▲ BRENT OIL
0,058%
0,32%
0,21%
1,81%
0,003%
2,59%
7.753
26.605
$4.370
$64.003
4,73%
$89,99
Dados fornecidos pelo Yahoo Finance.
EMPRESAS
O herdeiro solta os cordões à bolsa

O que se passou
No segundo trimestre como CEO da Berkshire Hathaway, Greg Abel gastou uma fatia grande do caixa da empresa. Foram 4,5 mil milhões de dólares em recompra de ações próprias, 10 mil milhões a reforçar a posição na Alphabet, e compras líquidas de ações no valor total de 20 mil milhões de dólares.
O que isto significa
A reserva de caixa da Berkshire caiu 8% face ao trimestre anterior, para 365,5 mil milhões de dólares. É a primeira quebra significativa desde o início de 2022.
Durante 14 trimestres seguidos, a empresa tinha sido vendedora líquida de ações. Agora inverteu essa tendência.
É a mudança de rumo mais clara desde que Abel assumiu o comando, depois de anos em que Warren Buffett preferiu manter o caixa parado.
Porque deves querer saber
💼 Abel assume o volante.
As recompras de ações costumam dizer muito sobre aquilo que a gestão pensa do preço da empresa. Se decide gastar milhares de milhões a comprar ações próprias, é porque acredita que ainda há valor ali.
E foi precisamente isso que Abel fez. A Berkshire recomprou 4,5 mil milhões de dólares em ações próprias, depois de ter gasto apenas 235 milhões no primeiro trimestre.
Buffett também recorria a recompras quando achava que as ações estavam a negociar abaixo do seu valor. A diferença é que, nos últimos anos, preferiu acumular caixa e esperar.
Agora, Abel parece estar mais disponível para pôr esse dinheiro a trabalhar quando encontra oportunidades.
🤖 Omaha entra na corrida da IA.
O investimento de 10 mil milhões de dólares na Alphabet é um dos movimentos que mais chama a atenção. Buffett passou décadas longe das tecnológicas e só mais tarde abriu uma exceção com a Apple.
Com a Alphabet, a Berkshire ganha exposição a várias áreas importantes da inteligência artificial ao mesmo tempo: Google Cloud, os chips TPU, o Gemini, o motor de busca, o YouTube e o Android. Ou seja, não está dependente de uma única frente da IA.
O trimestre, no entanto, não foi perfeito. Os lucros operacionais da Berkshire subiram 16%, para perto de 13 mil milhões de dólares, mas a GEICO pesou nos resultados, com os lucros da seguradora a caírem 45%.
A leitura Clareza
Segundo o Termómetro de Oportunidades do Clareza, a Berkshire Hathaway está classificada como Muito Barato, e o Raio-X da Ação dá-lhe um score de saúde financeira de 63 em 100.
Um valuation tão descontado nem sempre reflete um negócio tão sólido quanto o score sugere. Vale a pena olhar com atenção às contas antes de tirar conclusões sobre esta recompra ser ou não um sinal de pechincha.
RESULTADOS
A fome de chips não dá tréguas

O que se passou
A TSMC reportou uma subida de 44,7% nas vendas de julho face ao ano passado, para 467,58 mil milhões de dólares taiwaneses, cerca de 14,5 mil milhões de dólares. O valor ficou acima do crescimento anual que a própria empresa tinha previsto.
O que isto significa
A TSMC fabrica chips para empresas como a Nvidia e a Alphabet, por isso os números mensais da empresa dão uma boa ideia de como está a procura por chips ligados à inteligência artificial.
A empresa já tinha apontado para um crescimento de cerca de 40% este ano, em dólares, e julho ficou acima desse ritmo. Isso dá alguma folga para agosto e setembro.
Mesmo assim, o crescimento de julho ficou um pouco abaixo dos 46,8% que os analistas esperam para o trimestre completo, e a ação praticamente não reagiu.
Porque deves querer saber
🔍 Um mês não faz tendência.
Julho foi um mês mais complicado para as tecnológicas, sobretudo porque voltou a crescer a dúvida sobre se todo este investimento em infraestrutura de inteligência artificial vai realmente gerar retorno.
Os números da TSMC não resolvem essa questão, mas também não dão razões para aumentar a preocupação. A procura continua forte.
É normal que as vendas mensais da empresa oscilem, porque os grandes clientes ajustam encomendas de um mês para o outro. Esta semana vamos ter mais sinais com os resultados da CoreWeave e da Cisco, antes do grande teste do setor: a Nvidia apresenta resultados a 26 de agosto.
📊 Estás mais exposto do que pensas.
Se investes num ETF, provavelmente já tens bastante exposição à inteligência artificial, mesmo sem teres escolhido diretamente nenhuma empresa do setor.
Muitas das maiores empresas dos principais índices são também grandes clientes da TSMC e estão no centro do investimento em IA. Isso faz com que uma parte relevante desses ETFs esteja concentrada num grupo relativamente pequeno de empresas.
Por isso, se a inteligência artificial desiludir, o impacto pode ir muito além das ações tecnológicas. Também pode chegar aos ETFs que, à primeira vista, parecem muito mais diversificados.
A leitura Clareza
Segundo o Termómetro de Oportunidades do Clareza, a TSMC está classificada como Muito Barato, e o Raio-X da Ação dá-lhe um score de saúde financeira de 92 em 100.
Os dois indicadores apontam no mesmo sentido: negócio sólido, resultados fortes, e um valuation que ainda deixa espaço para valorizar.
MERCADOS
Um metal a jogar dos dois lados

O que se passou
O ouro voltou a subir na terça-feira e atingiu o nível mais alto dos últimos dois meses, caminhando para a terceira sessão consecutiva de ganhos.
O preço do ouro avançou 1%, para cerca de 4.433 dólares por onça, enquanto os futuros nos Estados Unidos subiram 1,7%, para perto dos 4.493 dólares.
O mercado está agora à espera dos dados de inflação dos Estados Unidos, que serão divulgados esta quarta-feira.
O que isto significa
O sinal começou a aparecer no relatório de emprego dos Estados Unidos divulgado na sexta-feira passada, que veio mais fraco do que o esperado. Isso reduziu a expectativa de uma nova subida de juros já em setembro, o que acaba por favorecer ativos como o ouro.
Em julho, a Fed manteve os juros entre 3,5% e 3,75%, embora três membros tenham defendido uma subida. Por isso, os dados de inflação desta quarta-feira ganham ainda mais importância e podem mexer bastante com as expectativas para os próximos passos da Fed.
Ao mesmo tempo, a tensão voltou a aumentar nas negociações entre os Estados Unidos e o Irão, o que trouxe de volta a procura por ativos considerados mais defensivos. O Brent estava perto dos 88 dólares por barril.
Porque deves querer saber
⚖️ Duas forças que podem colidir.
O ouro está a beneficiar de duas coisas ao mesmo tempo. De um lado, os sinais de fraqueza no emprego reduzem a pressão para novas subidas de juros. Do outro, a tensão no Estreito de Hormuz está a levar mais investidores a procurar segurança no ouro.
O problema é que estas duas forças podem acabar por entrar em conflito. Se a tensão no Médio Oriente continuar a puxar o preço do petróleo para cima, a inflação pode voltar a ganhar força. E isso pode obrigar a Fed a manter os juros altos durante mais tempo, o que tende a ser menos favorável para o ouro.
🧲 Quem ficou de fora está a voltar.
Parte desta recuperação também vem do comportamento dos próprios investidores. Há quem tenha ficado de fora quando o ouro caiu para perto dos 4.000 dólares e esteja agora a entrar, ao mesmo tempo que alguns investidores fecham posições que apostavam numa queda do preço.
O Conselho Mundial do Ouro acredita que o investimento deverá continuar a ser o principal motor da procura ao longo do resto do ano, com maior peso das compras na Ásia e por parte dos bancos centrais.
Ainda assim, há um risco importante. A procura por ETFs de ouro no Ocidente continua muito dependente dos juros reais e da força do dólar. Se os dados de inflação desta semana voltarem a reforçar a ideia de juros mais altos, o ouro pode voltar a sentir pressão.
Conclusão do dia
As três notícias de hoje têm todas a ver com o custo do dinheiro e com quem decide onde o pôr a trabalhar.
Abel decidiu que a caixa parada da Berkshire vale menos do que ações próprias descontadas e uma fatia da Alphabet. A TSMC mostra que a construção da infraestrutura de IA continua a acelerar, mesmo quando o mercado já não se impressiona com números fortes. E o ouro sobe porque os investidores ainda não sabem se vão precisar de proteção contra juros mais baixos ou contra inflação mais alta.
Fica a pergunta em comum: quanto vale pagar hoje por certezas que ainda não existem. Cada uma das três notícias responde de forma diferente, mas nenhuma delas dá uma resposta definitiva.
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Até amanhã,
Equipa Clareza
