Destaques do dia

Viva, investidor 👋

Aqui está o que precisas de saber hoje, em 5 minutos.

  • 🏭 A inflação na China subiu 0,8% em agosto, mas quase tudo veio da energia e dos chips, não dos consumidores a gastar mais.

  • 💴 O secretário do Tesouro dos EUA avisou quem aposta contra o iene, e o Tesouro já recomprou 6 mil milhões de dólares em obrigações para tentar travar as yields.

  • 🛢️ O petróleo Brent voltou a passar os 100 dólares, e as reservas de emergência dos EUA estão no nível mais baixo desde 1982

Os números de hoje

S&P500
NASDAQ
OURO
BITCOIN
BRENT OIL
0,47%
0,64%
0,02%
0,44%
3,84%
7.638
26.253
$4.440
$78.100
$101,68

Dados fornecidos pelo Yahoo Finance.

MACROECONOMIA
O tipo errado de inflação

O que se passou

Em agosto, a inflação na China subiu 0,8% face ao ano anterior, e a inflação subjacente, que exclui alimentos e energia, subiu para 1%. Os dois valores continuam abaixo da meta de 2% do governo chinês, mas o número surpreendeu pela positiva.

O que isto significa

O problema é o que está por trás dessa subida. A energia encareceu 4,1% face ao ano anterior, com o conflito no Médio Oriente a empurrar o petróleo para cima.

Ao mesmo tempo, a escassez global de chips de memória, alimentada pela procura de inteligência artificial, encareceu os aparelhos eletrónicos.

Os alimentos, por sua vez, ainda estavam 1,4% mais baratos do que há um ano, e a habitação continuou a cair. Isto não é o consumidor chinês a gastar mais. São choques de oferta a aparecer no talão de compras.

Porque deves querer saber

🏭 As fábricas apertadas entre custos e preços.

Os custos das matérias-primas dos fabricantes chineses subiram 5,8% em agosto, mais depressa do que os 3,8% de subida nos preços grossistas que eles próprios cobram.

Produtores de bens escassos, como os chips de memória, conseguem repassar essa subida. Mas a procura interna continua fraca, por isso outros fabricantes e retalhistas, sobretudo os que estão mais a jusante na cadeia, podem ter de engolir os custos extra, o que aperta as margens.

🌍 O fim do "Made in China"?

Durante anos, a queda dos preços de fábrica na China ajudou a manter os produtos chineses baratos no mundo inteiro. Agora esses preços voltam a subir, ao mesmo tempo que as exportações aceleram: subiram 25% em valor em agosto, e os produtos de alta tecnologia sobem quase 43% este ano.

Isto não significa que tudo o que a China produz vai ficar mais caro. Mas se a energia, os metais e os chips continuarem caros o suficiente para obrigar mais exportadores a subir preços num leque maior de produtos, a fábrica do mundo pode passar a alimentar a inflação global, em vez de a travar.

MACROECONOMIA
O novo dono do iene

O que se passou

Na terça-feira, o secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, avisou quem está a apostar na queda do iene: "Agora sou eu a casa. Podem apostar contra mim se quiserem." No dia seguinte, o Tesouro anunciou a recompra de 6 mil milhões de dólares em obrigações a 10 e 20 anos.

O que isto significa

Bessent foi gestor de “hedge fund” antes de chefiar o Tesouro, e está a trazer essa mentalidade de “trader” agressivo para o cargo.

A recompra de obrigações devia, em teoria, empurrar as yields para baixo e travar o custo de financiamento do governo, e de toda a gente.

Até agora, a aposta no iene resultou: a moeda já subiu mais de 6% face ao dólar. Já as yields das obrigações continuam presas perto de máximos de várias décadas, com os investidores pouco impressionados com a recompra.

Porque deves querer saber

💴 Juros baixos, iene barato.

Até finais de julho, o iene tinha caído para um mínimo de 40 anos face ao dólar. Os juros ultra baixos do Japão incentivam os investidores a pedir emprestado em ienes, vender a moeda e ir atrás de retornos mais altos lá fora. Essa venda constante empurrou o iene para baixo.

Isso foi ótimo para as multinacionais japonesas, cujas vendas no estrangeiro valem mais quando convertidas de volta para ienes. Mas foi mau para a economia em geral. Um iene mais fraco encareceu as importações, sobretudo o petróleo, o que alimentou a inflação.

O Banco do Japão deve subir juros este mês, o que deve aliviar essa pressão sobre a moeda.

🔗 Um iene fraco também é um problema americano.

O Japão é o maior detentor estrangeiro de obrigações do governo dos Estados Unidos. Se precisasse de vender uma parte para comprar mais ienes, as yields americanas podiam subir ainda mais.

É por isso que o Tesouro de Bessent comprou ienes ao lado do Japão. Foi a primeira intervenção cambial coordenada entre os dois países em 15 anos.

ENERGIA
Sem rede de segurança no petróleo

O que se passou

Na quarta-feira, dia 9 de setembro, o petróleo Brent subiu acima dos 100 dólares por barril, o nível mais alto em cerca de seis semanas, depois de os combates no Médio Oriente terem recomeçado e reacendido receios sobre o abastecimento de energia.

O que isto significa

O Brent chegou a tocar os 101 dólares. O movimento prolonga uma recuperação de cerca de 26% desde o início de agosto, à medida que se esvaíam as esperanças de uma resolução duradoura para o conflito entre os Estados Unidos e o Irão.

Os preços ainda estão abaixo do pico de abril, nos 126 dólares. Mas o mercado enfrenta agora reservas mais reduzidas e pouca capacidade de produção de reserva.

A preocupação não é só quanto os preços já subiram. É a pouca margem que resta para absorver uma nova falha no abastecimento.

Porque deves querer saber

🎯 Os ataques já não poupam navios nem instalações.

A onda mais recente de violência interrompeu cerca de um mês de calma relativa. Na terça-feira, o movimento Houthi, apoiado pelo Irão, atacou várias cidades sauditas e incendiou instalações petrolíferas, acelerando a subida dos preços desta semana.

Do outro lado, os Estados Unidos dizem ter destruído cinco petroleiros iranianos em retaliação a um ataque com mísseis contra um navio de guerra da marinha americana. O Irão respondeu com mísseis contra uma base dos EUA na Jordânia e ataques a dez navios no Estreito de Ormuz.

A Vortexa, que acompanha o transporte de petróleo, estima que continuam a faltar cerca de 10 milhões de barris por dia em exportações por causa do conflito, à volta de 10% da procura global.

🛢️ As reservas de emergência já não são o que eram.

Seis meses de exportações reduzidas esgotaram as reservas de vários dos maiores consumidores. A reserva estratégica dos Estados Unidos está agora em 289,7 milhões de barris, o nível mais baixo desde 1982, depois de anos de libertações sob Biden e Trump para proteger os consumidores de preços altos nas bombas.

Isto deixa menos margem de segurança se as condições piorarem. Preços sustentados acima dos 100 dólares tornam a inflação mais difícil de conter, e o preço médio da gasolina nos Estados Unidos já devia chegar aos 4,03 dólares por galão, um nível que os analistas consideram particularmente doloroso.

Isso também cria um problema político para os republicanos antes das eleições intercalares de novembro.

Conclusão do dia

Se tivesse de escolher a notícia mais importante de hoje para quem investe, ficava com o petróleo a voltar a passar os 100 dólares.

Não pelo valor em si, mas pela pouca margem que sobra para absorver mais uma disrupção.

As reservas de emergência dos Estados Unidos estão no nível mais baixo desde 1982. A Agência Internacional de Energia já libertou três quartos dos 400 milhões de barris anunciados em março. Isto significa que, desta vez, há menos amortecedores entre uma nova escalada no Médio Oriente e o preço que chega à bomba.

E isso mexe com mais do que o custo dos combustíveis. Energia mais cara sobe os custos de transporte e de produção em praticamente todos os setores, torna a inflação mais difícil de controlar, e reforça o argumento a favor de juros mais altos durante mais tempo, precisamente quando a China e o Japão já mostram os primeiros sinais de pressão inflacionista a vir de fora dos Estados Unidos.

Por isso, o que eu vigiaria a seguir não é apenas o preço do barril. É se o Estreito de Ormuz volta a ficar mais bloqueado, ou se se mantém aberto o suficiente para o comércio físico de petróleo recomeçar. É essa reabertura, mais do que uma trégua passageira, que decide se este choque de preços é temporário ou se passa a fazer parte das contas de qualquer carteira nos próximos meses.

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Até amanhã,
Equipa Clareza