Destaques do dia

Viva, investidor 👋

Aqui está o que precisas de saber hoje, em 5 minutos.

  • 🛢️ O petróleo já subiu 20% em três semanas para mais de 100 dólares, e há quem esteja a apostar que os preços altos vieram para ficar.

  • 🏦 As hipotecas a 30 anos nos Estados Unidos ultrapassaram os 7%, às vésperas da decisão da Fed sobre os juros.

  • 🚢 A Arábia Saudita vai cancelar remessas de petróleo para refinarias europeias, depois de um ataque com drones ter fechado um oleoduto chave.

Os números de hoje

S&P500
NASDAQ
OURO
BITCOIN
BRENT OIL
0,45%
0,78%
0,07%
3,32%
2,75%
7.586
25.982
$4.336
$75.671
$108,59

Dados fornecidos pelo Yahoo Finance.

ENERGIA
O petróleo que não quer voltar a descer

O que se passou

O petróleo já subiu 20% em três semanas e voltou a passar os 100 dólares por barril. Desde que a guerra no Irão começou em fevereiro, o Estreito de Ormuz, por onde passa normalmente um quinto do petróleo e do gás natural liquefeito do mundo, está praticamente fechado.

O que isto significa

Até agora, as reservas de emergência e as rotas alternativas de transporte têm evitado que a maior disrupção de sempre no fornecimento de petróleo empurre os preços ainda mais para cima. Mas essas defesas estão a esgotar-se.

A China tem ajudado a segurar os preços ao recorrer às suas próprias reservas, em vez de competir por barris no mercado internacional. Só que essas reservas estão a ficar cada vez mais curtas, e o maior importador de crude do mundo está outra vez a aumentar as compras lá fora.

E faz isso precisamente quando fica mais difícil transportar petróleo. Rotas alternativas, como o oleoduto Este Oeste da Arábia Saudita, têm sido cada vez mais alvo de ataques. Isso deixa os mercados de petróleo e de combustível ainda mais expostos.

Porque deves querer saber

A inflação que ninguém queria ver voltar.

A oferta é só parte do problema. A guerra no Irão e os ataques ucranianos a refinarias russas têm apertado a capacidade de refinação a nível mundial. O gasóleo nos Estados Unidos está num máximo histórico, depois de ter subido quase 60% desde que a guerra começou.

O risco de nova pressão inflacionista é real. Custos mais altos de combustível e de transporte acabam sempre por chegar aos preços do resto da economia.

📈 Há quem já esteja a apostar que isto é o novo normal.

Ninguém sabe até onde os preços do petróleo podem subir, mas tudo aponta para que não voltem a descer tão cedo, nem sequer depois de o estreito reabrir. Já há quem esteja a apostar nisso.

Investidores muito ricos têm estado a comprar oleodutos e infraestruturas de exportação de petróleo. Ao mesmo tempo, traders de matérias primas e fundos de investimento têm entrado no negócio da produção de petróleo e gás nos Estados Unidos.

Repara que a aposta não é só que o petróleo se mantenha caro. É que um fornecimento de energia seguro vai continuar a valer um prémio durante anos.

MACROECONOMIA
As hipotecas ficaram mais caras

O que se passou

Esta semana, a taxa das hipotecas a 30 anos nos Estados Unidos ultrapassou os 7%, ficando nos 7,07%. Comprar casa ficou ainda mais caro para quem precisa de financiamento.

O que isto significa

As taxas das hipotecas americanas seguem de perto as yields das obrigações do Tesouro de prazo mais longo, o retorno fixo dessas obrigações expresso em percentagem do seu preço. E essas yields têm estado a subir com força. A obrigação do Tesouro a 10 anos chegou recentemente a passar os 5%, o valor mais alto desde julho de 2007.

Os preços das casas já estão em máximos históricos e as vendas têm abrandado. Junta a isso um crescimento salarial fraco e ainda muita gente que estaria disposta a comprar casa mas simplesmente não o faz. Além disso, as construtoras que esperavam uma recuperação do mercado imobiliário já assumem ter uma longa espera pela frente.

Porque deves querer saber

🏦 A Fed tem uma decisão difícil pela frente.

A Fed anuncia a sua decisão sobre as taxas de juro esta quarta feira. Com a inflação acima da meta de 2% há quase cinco anos, os investidores esperam uma subida.

Mas se a Fed não subir os juros, o mercado pode interpretar isso como sinal de que a instituição está a ficar mais permissiva com a inflação, e que os preços altos vieram para ficar. Isso incentivaria os investidores a vender obrigações de prazo mais longo, cujos pagamentos fixos perdem poder de compra quando os preços sobem. O Estado teria então de oferecer retornos maiores para voltar a atrair compradores, o que empurraria as yields, e as taxas das hipotecas, ainda mais para cima.

🌍 O tipo errado de inflação.

A subida dos preços da energia está a alimentar a inflação em todo o mundo, precisamente numa altura em que os investidores estão cada vez mais cautelosos com o financiamento de despesa pública elevada. Essa combinação está a puxar as yields para cima em vários países. A yield alemã a 10 anos subiu para o valor mais alto desde 2009, a britânica para o mais alto desde 2007, e a australiana atingiu um máximo de 15 anos.

Custos de financiamento mais altos significam menos despesa, menos contratação e menos investimento, o que trava o crescimento económico. E esse desfecho não é bom para ninguém.

Ainda por cima, não há garantia de que os bancos centrais consigam controlar os preços desta vez. Esta inflação está a ser puxada pelos preços da energia, e subir juros não faz aparecer mais gasolina ou gasóleo.

ENERGIA
Dois países cortam as torneiras ao mesmo tempo

O que se passou

Na terça feira, os preços do petróleo bruto subiram com força, depois de perturbações sobrepostas no fornecimento vindas da Arábia Saudita e da Líbia terem agravado as preocupações com o abastecimento global. O barril de Brent subiu, para 108,59 dólares, e o WTI dos Estados Unidos subiu 1,17%, para 103,51 dólares.

O que isto significa

O mercado reagiu com força às notícias vindas da Arábia Saudita. O reino avisou algumas refinarias europeias de que ia cancelar parte das remessas de petróleo previstas para setembro. A decisão é consequência direta de um ataque com drones que danificou infraestruturas de bombagem e levou ao encerramento total do oleoduto Este Oeste, uma das rotas mais importantes do país.

O oleoduto tem capacidade para 7 milhões de barris por dia e, até aqui, tinha um papel estratégico ao permitir contornar o Estreito de Ormuz, uma rota marítima muito mais exposta a riscos. Segundo fontes do setor e estimativas da Associated Press, reparar as infraestruturas danificadas pode demorar entre três e cinco semanas.

Em resposta, a Arábia Saudita está a tentar aumentar as exportações de petróleo precisamente através do Estreito de Ormuz. O secretário da Energia dos Estados Unidos, Chris Wright, anunciou que a marinha norte americana está a escoltar vários navios mercantes junto a Omã, para apoiar essas exportações sauditas.

Porque deves querer saber

🚢 Faltam navios para transportar tanto petróleo.

O aumento dos embarques a partir do Golfo Pérsico esbarra em barreiras logísticas importantes. Há poucos petroleiros disponíveis, e as taxas de transporte dispararam. As tarifas para fretar um petroleiro de um porto saudita até à China já passaram o milhão de dólares, no final da semana passada.

🔥 A Líbia veio juntar-se ao problema.

A crise líbia também está a agravar-se. A petrolífera estatal líbia, a National Oil Corporation, suspendeu a produção nos campos de Hamada e Al Tahara. O motivo foi o bloqueio de oleodutos por manifestantes, o que levou a empresa a admitir invocar uma situação de força maior.

A isto soma se ainda a manutenção programada no Cazaquistão e as perturbações contínuas na produção de combustível russo, causadas pela guerra na Ucrânia.

📈 E como é que se investe num mercado assim?

O mais interessante no meio disto tudo é que, em poucas semanas, o cenário mudou bastante.

O petróleo disparou, as yields subiram, a Fed voltou a ficar sob pressão e empresas que há um mês pareciam estar num determinado contexto agora já estão noutro.

E isto é precisamente o que torna investir difícil.

Não chega saber que uma empresa é boa.

Tens de perceber se alguma coisa mudou no negócio, no contexto à volta dela e, principalmente, se o preço a que está hoje ainda te dá uma boa oportunidade.

É precisamente isso que vou mostrar no Investir Melhor.

Nos dias 30 de setembro e 1 de outubro vou pegar em empresas reais e mostrar-te como as analiso, como chego ao preço a que estaria disposto a comprá-las e como comparo várias oportunidades antes de decidir onde investir.

E quem se inscrever recebe também gratuitamente o Mapa das 5 Camadas da Inteligência Artificial e Quem Manda em Cada Uma.

Se quiseres juntar-te a mim, a participação é gratuita.

Recebeste esta newsletter de um amigo? Subscreve aqui.

Até amanhã,
Equipa Clareza