Destaques do dia

Viva, investidor 👋

Aqui está o que precisas de saber hoje, em 5 minutos.

  • 🌊 A seca nos rios da Europa já levou o ING a cortar a previsão de crescimento da Alemanha, de 0,8% para 0,5%.

  • 🏦 A bolsa espanhola, dominada por bancos, já subiu 15% este ano, mais do que os principais índices tecnológicos.

  • 🚀 O S&P 500 fechou num novo máximo histórico, puxado por uma subida de mais de 20% na Palantir depois de resultados muito acima do esperado.

Os números de hoje

S&P500
NASDAQ
OURO
BITCOIN
US BONDS
BRENT OIL
1,79%
2,59%
0,01%
1,19%
0,07%
6,03%
7.736
26.584
$4.072
$64.221
4,62%
$78,72

Dados fornecidos pelo Yahoo Finance.

MERCADOS
Sem chuva, sem lucro

O que se passou

Este verão, o Reno, o Danúbio e o Pó, alguns dos maiores rios da Europa, estão em níveis recorde ou muito perto disso. A Hungria, a Roménia e a França já tiveram de desligar reatores nucleares por falta de água para os arrefecer, e a Ford e a Dacia pausaram a produção de automóveis na Roménia durante duas semanas para poupar energia.

O que isto significa

Os custos já estão a subir. Os barcos que transportam mercadorias pelo Reno na Alemanha só conseguem carregar entre 20% e 30% da capacidade normal, o que está a fazer disparar os preços do transporte de mercadorias.

O banco holandês ING já cortou a previsão de crescimento da Alemanha para este ano, de 0,8% para 0,5%. E não há chuva significativa prevista para os próximos dias…

Porque deves querer saber

📉 Uma altura má para isto acontecer.

Vários dos principais índices europeus têm estado em máximos históricos, mas essa recuperação dos lucros assenta sobretudo nas empresas químicas, do aço e automóveis. São exatamente os setores mais atingidos pela seca agora.

Isso significa que a época de resultados deste trimestre nestes setores pode vir pior do que o mercado está a contar.

🌍 O extremo a tornar-se rotina.

Em 2018, uma seca assim foi descrita como algo que só acontece uma vez por geração. Depois veio 2022. E 2025. E agora esta.

O que era considerado um cenário extremo está a tornar-se um custo normal de fazer negócio na Europa.

Repara na diferença entre quem se preparou e quem não. A alemã BASF investiu em barcaças de fundo raso, preparadas para níveis baixos de água, e continua a conseguir transportar a sua produção pelo Reno. Já a Thyssenkrupp não fez esse investimento, e teve de suspender o transporte fluvial e cortar a produção de aço.

Isto está a tornar-se um verdadeiro filtro de investimento para as empresas industriais europeias: quem construiu resiliência climática, e quem não construiu.

MERCADOS
Os bancos a ganhar à tecnologia

O que se passou

Esta semana, as ações europeias fora da tecnologia estão a dar aos investidores uma alternativa aos índices dominados por gigantes tecnológicos, e o mercado espanhol, dominado por bancos, é um dos destinos preferidos.

O que isto significa

A bolsa espanhola tem pouca exposição à tecnologia. Cerca de 40% do índice IBEX 35 é composto por ações financeiras, com o resto repartido por utilities, indústria e moda.

O IBEX já subiu 15% este ano, perto do topo entre os índices europeus e à frente dos Estados Unidos. O Santander e o BBVA, que juntos valem quase 30% do índice, têm puxado grande parte dessa subida.

Não é só Espanha. O FTSE 100 britânico, também com grande peso em financeiras, petróleo e farmacêuticas, atingiu um máximo histórico na semana passada e já subiu dois dígitos este ano.

Porque deves querer saber

🏦 A aposta nos bancos tradicionais está a compensar.

Na terça-feira, o HSBC, o maior banco europeu e a maior empresa cotada no Reino Unido, anunciou uma recompra de ações de mil milhões de dólares. No mesmo dia, reportou um lucro trimestral de 10 mil milhões de dólares, acima do que os analistas esperavam.

A ação do HSBC já subiu cerca de 33% este ano, e ajudou a puxar o índice bancário europeu para uma subida de 25%. Valuations baratos, dividendos atrativos e recompras de ações têm feito o resto do trabalho.

🚗 Nem tudo na Europa está a subir.

Além da banca, as petrolíferas têm beneficiado da subida dos preços da energia, mas os fabricantes de automóveis não têm tido a mesma sorte. A Stellantis, a Volkswagen e a BMW caíram todas com força.

Estas empresas estão a ser atingidas de várias direções ao mesmo tempo. Os preços da energia mais altos travam a procura e encarecem a produção e a logística. E mesmo que o combustível mais caro empurre alguns compradores para híbridos e elétricos, as alternativas chinesas mais baratas estão à espera para os captar.

O índice automóvel europeu já perdeu 15% este ano.

MERCADOS
Wall Street volta aos máximos

O que se passou

Na última terça-feira, o S&P 500 recuperou tudo o que tinha perdido em julho e fechou num novo máximo histórico. O Nasdaq 100 também está perto do seu recorde, depois de subir 2,6%.

O que isto significa

Dois fatores estão a puxar por esta recuperação. Primeiro, o preço do petróleo caiu, depois de notícias de que os Estados Unidos e o Irão podem fechar já esta semana um acordo sobre a reabertura do Estreito de Ormuz.

Segundo, a Palantir disparou mais de 20% depois de apresentar resultados trimestrais muito acima do esperado. A receita cresceu 94% face ao ano passado, para 1,94 mil milhões de dólares, e o lucro por ação subiu 256%, para 0,41 dólares.

O otimismo é generalizado. Os principais índices europeus, do alemão DAX ao pan-europeu Euro Stoxx 50, estão também a subir hoje.

Porque deves querer saber

🚀 A Palantir cresce, mas nem tudo vem do negócio principal.

Parte do lucro da Palantir vem de ganhos com os seus investimentos na SpaceX, e não da atividade principal da empresa de software. Isso distorce um pouco a leitura dos números, tal como já acontece com a Alphabet e os seus próprios investimentos.

Ainda assim, o crescimento continua a ser difícil de ignorar. Para o próximo trimestre, a Palantir prevê receitas de 2,16 mil milhões de dólares.

🧠 Os chips voltam a ter fôlego.

As empresas de semicondutores, que já pesam cerca de um quarto do Nasdaq 100, estão a recuperar as perdas de agosto. A Marvell subiu 12%, a ARM e a Astera Labs subiram 10%, e a Intel e a Sandisk subiram 7%.

Este impulso vem dos últimos resultados das grandes empresas de tecnologia, que mostraram que os investimentos em infraestrutura de inteligência artificial continuam sem travar. A Alphabet, por exemplo, deve gastar 200 mil milhões de dólares em despesas de capital em 2026.

Ainda assim, repara que todas estas ações continuam bem abaixo dos máximos que tinham em meados de julho.

Conclusão do dia

As três notícias de hoje não contam a mesma história, mas todas tocam na mesma pergunta: quem está preparado para o que vem a seguir.

A seca nos rios europeus mostra que uma empresa preparada, como a BASF, sofre muito menos do que uma que não se preparou, como a Thyssenkrupp, mesmo dentro do mesmo setor e da mesma crise.

A rotação para bancos e ações fora da tecnologia mostra outro tipo de preparação: a de quem diversificou para fora dos setores mais expostos à volatilidade da inteligência artificial.

E o novo máximo do S&P 500 mostra que, apesar de tudo, o mercado continua confortável a pagar por crescimento, desde que os números o justifiquem, como aconteceu com a Palantir.

Três formas diferentes da mesma ideia se repetir. Nos mercados de hoje, estar preparado vale tanto como ter sorte.

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Até amanhã,
Equipa Clareza

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