Destaques do dia

Viva, investidor 👋

Aqui está o que precisas de saber hoje, em 5 minutos.

  • ☁️ A Akamai assinou com a Anthropic o maior contrato da sua história, 11,6 mil milhões de dólares, mas vai ter de investir 5,5 mil milhões antes de começar a receber.

  • 👟 O Bank of America passou a recomendar vender Nike e cortou o preço-alvo para 30 dólares, com a ação a perder mais de 40% este ano.

  • 🚢 O Irão propôs reabrir o Estreito de Ormuz em sete dias, e Trump terá rejeitado a proposta horas depois, segundo o Wall Street Journal.

Os números de hoje

▲ S&P500
▲ NASDAQ
▲ OURO
▼ BITCOIN
▼ BRENT OIL
0,51%
0,48%
0,26%
0,35%
2,14%
7.743
27.068
$4.285
$84.093
$104,32

Dados fornecidos pelo Yahoo Finance.

INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL
O cliente de Milhões

O que se passou

Na sexta-feira, a Akamai anunciou um contrato de 11,6 mil milhões de dólares com a Anthropic, a empresa por trás do assistente de IA Claude. O acordo dura sete anos e é o maior da história da Akamai.

O que isto significa

A Akamai é conhecida sobretudo por ajudar os sites a carregar mais depressa, espalhando os conteúdos por servidores em todo o mundo. Nos últimos anos tem tentado reposicionar-se como fornecedora de infraestrutura para inteligência artificial.

Este contrato é a maior prova até agora de que essa aposta pode resultar. E pode crescer: com metas de gasto adicionais, o valor total pode chegar aos 20 mil milhões de dólares.

Porque deves querer saber

🎢 Primeiro a euforia, depois as contas.

A ação chegou a disparar 20% nas negociações após o fecho de quinta-feira. Na sexta, acabou por fechar com uma subida mais contida, à volta de 8%.

Parte da explicação está no calendário. A Akamai vai ter de investir cerca de 5,5 mil milhões de dólares para construir a capacidade prometida, e esse dinheiro sai antes de o dinheiro do contrato entrar.

Este ano não há receitas do acordo. Em 2027, a empresa espera apenas entre 150 e 300 milhões de dólares.

🧩 A IA não vive só de placas gráficas.

Quando se fala na corrida da IA, a conversa acaba quase sempre nas GPU (os chips especializados que a Nvidia vende para treinar modelos). Este contrato é sobretudo para capacidade de CPU, os processadores mais tradicionais, usados para pôr os modelos a responder a quem os utiliza.

Repara também na forma como o negócio foi montado. A Anthropic recebe o direito de vir a ficar com até cerca de 5% da Akamai, a 111,33 dólares por ação, à medida que for cumprindo metas de gasto.

Não é a primeira vez que se vê isto. A AMD usou um modelo parecido com a OpenAI, ligando o cliente ao fornecedor através do capital.

EMPRESAS
A paciência acabou

O que se passou

Na sexta-feira, o Bank of America passou a recomendar vender ações da Nike e cortou o preço-alvo de 47 para 30 dólares. A ação voltou a cair e já perde mais de 40% desde o início do ano.

O que isto significa

O banco não diz que a recuperação da Nike não vai acontecer. Diz que vai chegar mais tarde, cerca de um ano depois do que previa.

Os motivos são vários. Procura fraca na China, lojas parceiras na América do Norte com produto a mais em armazém, e novidades que não estão a convencer os consumidores.

O Bank of America espera agora que as vendas da Nike caiam até ao fim do ano fiscal de 2027.

Porque deves querer saber

📅 O teste chega já na quinta-feira.

A Nike apresenta resultados na quinta-feira, 1 de outubro, depois do fecho do mercado. É a primeira oportunidade de ver se os números confirmam o pessimismo do banco.

O Bank of America cortou as previsões de lucro por ação para 2027 e 2028 em 11% e 12%. E deixou outro aviso: a Nike está a pagar em dividendos mais do que aquilo que lucra.

🏃 O problema é da Nike, não do desporto.

No mesmo dia em que a Nike caiu, a Dick's Sporting Goods, uma das maiores cadeias de lojas de desporto dos Estados Unidos, subiu 2%. A On, a marca suíça de sapatilhas de corrida, ficou praticamente estável.

Isto sugere que os investidores não estão a fugir do setor. Estão a castigar uma marca em particular, cuja recuperação continua a ser empurrada para mais tarde.

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A leitura Clareza

Segundo o Radar de Oportunidades, a Nike está classificada como Muito Barato, e o Raio-X da Ação dá-lhe um score de saúde financeira de 53 em 100.

ENERGIA
A porta que Trump não quis abrir

O que se passou

Na sexta-feira, o ministro dos Negócios Estrangeiros do Irão, Abbas Araghchi, propôs reabrir o Estreito de Ormuz no prazo de sete dias, em troca de concessões dos Estados Unidos. Horas depois, o Wall Street Journal noticiou que Trump rejeitou a proposta, citando responsáveis americanos.

O que isto significa

Em troca, o Irão pedia o fim do bloqueio naval americano, o levantamento das sanções ao petróleo iraniano, o desbloqueio de 12 mil milhões de dólares em ativos congelados e um cessar-fogo que incluísse o Líbano.

A rejeição ainda não foi confirmada oficialmente pela Casa Branca. Em público, o secretário de Estado Marco Rubio disse apenas que os EUA estão disponíveis para trocar ideias e mensagens.

Porque deves querer saber

⛽ O alívio no petróleo pode durar pouco.

O petróleo caiu na sexta-feira com a proposta iraniana, com o WTI (a referência americana) a descer cerca de 2%.

Mas essa descida assentava na possibilidade de um acordo. O dia de hoje vai mostrar quanto desse alívio sobrevive à notícia da rejeição.

🗳️ As eleições de novembro estão no centro disto.

O próprio Araghchi sugeriu que um acordo podia ajudar Trump antes das eleições intercalares de novembro, ao baixar o preço dos combustíveis. Mas, segundo o WSJ, Trump disse aos seus conselheiros que conta retomar os bombardeamentos ao Irão depois dessas eleições, embora admita que um acordo possa surgir pouco depois.

Já aconteceu antes. Um acordo fechado em junho acabou por cair ao fim de um período provisório de 60 dias. Por isso, qualquer anúncio entre as duas partes vai continuar a ser recebido com desconfiança.

Conclusão do dia

Se tivesse de escolher a notícia mais importante de hoje para quem investe, ficava com Ormuz.

Não pela proposta em si, mas pelo que o petróleo está a fazer a quase tudo o resto.

Petróleo caro alimenta a inflação. E o receio de mais inflação é uma das razões pelas quais os investidores já apostam numa subida de juros pela Fed, com a taxa da dívida americana a 10 anos nos níveis mais altos desde 2007.

Juros mais altos tornam as obrigações mais atrativas e tornam mais difícil justificar ações com valuations exigentes, como as tecnológicas. Um acordo em Ormuz podia aliviar esta pressão de uma só vez. A rejeição adia esse alívio, pelo menos até depois de novembro.

Por isso, o que eu acompanharia na segunda-feira é o petróleo à abertura. Se devolver a descida de sexta, é sinal de que o mercado leva a rejeição a sério, e os juros podem voltar a subir com ele.

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Até amanhã,
Equipa Clareza