Destaques do dia

Viva, investidor 👋

Aqui está o que precisas de saber hoje, em 4 minutos.

  • 📊 86% das empresas do S&P 500 bateram as previsões de lucro, a taxa mais alta desde 2021, mas mais de metade desse crescimento veio de ganhos pontuais só de duas empresas

  • 🚀 A Nebius viu as vendas dispararem 454% no último trimestre, e a ação subiu mais de 30% num só dia

  • 🔄 Investidores tiraram 6,2 mil milhões de dólares das ações sul-coreanas este mês, à procura de uma aposta mais estável na IA em Taiwan

Os números de hoje

S&P500
NASDAQ
OURO
BITCOIN
US BONDS
BRENT OIL
0,26%
0,54%
0,69%
0,04%
0,03%
1,70%
7.749
26.588
$4.376
$63.705
4,67%
$87,47

Dados fornecidos pelo Yahoo Finance.

RESULTADOS
Boletim quase perfeito, com letra miúda

O que se passou

Já temos resultados de 88% das empresas do S&P 500 e, até agora, têm sido bastante fortes. 86% ficaram acima das previsões de lucro e 76% superaram as expectativas de receita, algo que já não víamos desde 2021.

O que isto significa

No conjunto do S&P 500, os lucros subiram 50,4% em relação ao ano passado, o ritmo mais forte desde 2021.

Só que há um detalhe importante aqui. Uma boa parte desse crescimento vem apenas da Alphabet e da Amazon.

As duas registaram, juntas, mais de 150 mil milhões de dólares em ganhos pontuais, sobretudo pela valorização de participações em empresas privadas ligadas à inteligência artificial. Só isso explica cerca de 71% do aumento dos lucros do índice desde junho.

Se retirarmos Amazon e Alphabet da conta, o crescimento baixa para cerca de 32%.

Continua a ser muito forte. Só não é tão extraordinário como os 50,4% fazem parecer.

Porque deves querer saber

📉 O mercado já contava com isto.

E há outra coisa curiosa nesta época de resultados. As empresas que bateram as previsões praticamente não foram premiadas por isso. No dia seguinte aos resultados, subiram em média apenas 0,4 pontos percentuais acima do índice, um dos valores mais baixos de sempre.

E do outro lado aconteceu algo parecido. Quem desiludiu caiu, em média, 2,3%, menos do que é habitual.

Ou seja, o mercado não está a reagir muito, nem para um lado nem para o outro. E isso pode ser um sinal de que grande parte das boas notícias já estava refletida nos preços.

Até porque o S&P 500 está a negociar perto das 20 vezes os lucros esperados para os próximos 12 meses, um pouco acima da média dos últimos dez anos.

💳 A fatura está a ficar mais cara.

Repara no que está a mudar este ano. Durante muito tempo, as grandes tecnológicas financiaram a corrida à inteligência artificial com o dinheiro que tinham em caixa. Mas o investimento está a ficar tão grande que isso já não chega.

Este ano, o investimento em infraestrutura pode ultrapassar os 700 mil milhões de dólares, e uma parte cada vez maior está a ser financiada com dívida.

Isso aumenta a pressão. Se o retorno da IA demorar mais do que o esperado, o problema deixa de ser só perceber se os lucros justificam o investimento. Passa também a ser perceber se estas empresas conseguem suportar esse nível de dívida sem pressão.

E ainda faltam dois testes importantes nesta época de resultados. A Nvidia só apresenta no final de agosto, e as grandes retalhistas, que estão muito mais expostas às tarifas e a consumidores com orçamentos apertados, ainda nem começaram a reportar.

INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL
Quem aluga a IA está a ganhar à grande

O que se passou

Ontem, a Nebius apresentou resultados e houve um número que chamou logo a atenção: as vendas cresceram 454% em relação ao ano passado, muito acima do que o mercado esperava.

O que isto significa

A Nebius aluga capacidade de computação a empresas que treinam e correm modelos de inteligência artificial. E o negócio está a crescer a um ritmo enorme.

A área principal de cloud cresceu mais de 500% em relação ao ano passado, e a procura continua forte. O valor dos contratos assinados quase quadruplicou face ao trimestre anterior.

A ação já vinha a subir depois de a CoreWeave ter apresentado um crescimento de receita de 112%. Com os resultados da própria Nebius, disparou mais de 30%.

Porque deves querer saber

🐻 Alguém está a apostar contra.

Michael Burry, o investidor que ficou conhecido por ter antecipado a crise de 2008, revelou na semana passada que está a apostar na queda da Nebius.

A lógica dele é simples. A empresa está a investir muito para aumentar a capacidade dos data centers e, na visão de Burry, a dívida está a crescer mais depressa do que as receitas conseguem acompanhar.

Para já, o mercado está a dizer o contrário.

🌡️ A inflação também ajudou.

Ontem, os Estados Unidos receberam uma boa notícia. A inflação desceu para 3,4% em julho e a inflação core, que exclui alimentos e energia, caiu para 2,5%.

Para empresas como a Nebius, isto interessa bastante. Grande parte do valor que o mercado lhes atribui depende dos lucros que podem vir a gerar daqui a alguns anos. E quanto mais altos forem os juros, menos valem hoje esses lucros futuros.

Por isso, uma inflação mais controlada reduz a pressão sobre a Fed para voltar a subir os juros e dá algum apoio a empresas deste género, onde o mercado ainda está a pagar sobretudo pelo crescimento que espera ver no futuro.

A leitura Clareza

Segundo o Termómetro de Oportunidades do Clareza, a Nebius está classificada como Neutro, e o Raio-X da Ação dá-lhe um score de saúde financeira de 74 em 100.

O score mostra fundamentos sólidos, mas o Termómetro neutro não diz se a ação ficou cara ou barata depois de um salto de mais de 30% num só dia. Vale a pena olhar aos números com calma antes de tirar conclusões.

TECNOLOGIA
Dinheiro muda de país, sem sair da IA

O que se passou

Nas últimas semanas, investidores globais retiraram cerca de 6,2 mil milhões de dólares das ações sul-coreanas e colocaram cerca de 1,7 mil milhões nas taiwanesas, à procura de uma forma mais estável de investir na inteligência artificial.

O que isto significa

Na Coreia do Sul, o setor tecnológico está muito concentrado na Samsung e na SK Hynix, duas gigantes da memória.

As duas apresentaram bons resultados, mas não o suficiente para entusiasmar o mercado, sobretudo porque os preços dos chips de memória começaram a dar sinais de abrandamento.

Isso deixou os investidores nervosos. Desde os máximos de junho, a Samsung chegou a cair cerca de 34% e a SK Hynix perto de 50%, antes da recuperação desta semana.

Em Taiwan, a história é um pouco diferente. A bolsa está muito mais dependente da TSMC, que fabrica alguns dos chips de IA mais avançados do mundo para empresas como a Nvidia e a Apple.

E como os resultados da TSMC têm sido mais estáveis, essa previsibilidade acabou por ganhar valor depois da forte correção de julho.

Porque deves querer saber

📉 A memória é um negócio de altos e baixos.

Quando a procura dispara, os preços sobem e as fabricantes começam a investir para aumentar a produção. O problema é que essa nova capacidade demora tempo a chegar.

Quando finalmente chega, a procura já pode ter abrandado. Aí acontece o contrário: começa a haver memória a mais no mercado, os preços caem e as margens das fabricantes encolhem.

É por isso que empresas como a Samsung e a SK Hynix vivem ciclos tão violentos de subida e descida. E o mercado tenta sempre antecipar o próximo ponto de viragem.

Muitas vezes, as ações começam a cair antes de os lucros atingirem o pico, porque os investidores já estão a pensar no que vem a seguir.

💰 A Coreia não vai desistir sem lutar.

Depois da queda, o Kospi ficou a negociar com um desconto recorde face ao Taiex, o principal índice de Taiwan. E isso começa a chamar a atenção de alguns investidores.

Ao mesmo tempo, a Samsung e a SK Hynix estão a preparar programas de recompra de ações e dividendos mais generosos, o que significa mais dinheiro devolvido aos acionistas.

Só essa expectativa já ajudou a estabilizar as duas ações depois das quedas fortes dos últimos meses.

A leitura Clareza

Segundo o Termómetro de Oportunidades do Clareza, a TSMC está classificada como Muito Barato, com um Raio-X de 92 em 100. A Samsung está classificada como Barato, com 74 em 100. E a SK Hynix está também classificada como Barato, com 95 em 100.

Os três nomes mostram o mesmo padrão: classificações baratas a par de scores sólidos a muito fortes. Um sinal de que os fundamentos ainda sustentam a tese, apesar da volatilidade recente nas ações de memória.

Conclusão do dia

Hoje há uma ideia que atravessa as três notícias. A inteligência artificial continua a gerar números impressionantes, mas o mercado começa a olhar cada vez mais para o custo dessa corrida.

No S&P 500, os resultados foram muito fortes, mas uma parte importante do crescimento veio de ganhos contabilísticos pontuais em apenas duas empresas. E, ao mesmo tempo, uma fatia cada vez maior do investimento em IA está a ser financiada com dívida.

A Nebius mostra o outro lado. A procura por capacidade de computação continua a acelerar e o crescimento é enorme, mesmo com Michael Burry a apostar que este modelo pode estar a ficar demasiado pesado em dívida.

Na Ásia, a diferença entre Coreia e Taiwan mostra outra coisa. Depois da forte volatilidade nas ações de memória, os investidores têm dado mais valor à estabilidade da TSMC do que ao perfil mais cíclico da Samsung e da SK Hynix.

No fundo, a questão já não é saber se a inteligência artificial vai continuar a crescer. É perceber quem vai conseguir transformar todo este investimento em retorno real e quem está simplesmente a gastar cada vez mais para continuar na corrida.

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Até amanhã,
Equipa Clareza