Destaques do dia

Viva, investidor 👋

Aqui está o que precisas de saber hoje, em 5 minutos.

  • 🚀 A SpaceX negoceia 40 mil milhões de dólares em dívida para comprar chips da Nvidia, mas as conversações ainda podem cair.

  • ⚠️ Michael Burry diz que a negação durou 6 a 9 meses em 2000 e 2008, mas o S&P 500 e o Nasdaq estão em máximos recorde.

  • ⛽ O Banco de Portugal subiu a previsão de inflação para 2027 de 2,2% para 2,4%, e o pico deste ano ainda vem aí.

Os números de hoje

▼ S&P500
▼ NASDAQ
▼ OURO
▼ BITCOIN
▲ BRENT OIL
0,23%
0,22%
1,11%
2,57%
0,64%
7.801
27.538
$4.141
$83.346
$101,22

Dados fornecidos pelo Yahoo Finance.

INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL
A corrida aos chips também se financia

O que se passou

Ontem, a SpaceX estava em conversações com bancos e investidores para levantar 40 mil milhões de dólares em dívida destinada à compra de chips da Nvidia.

A estrutura em discussão inclui cerca de 10 mil milhões de dólares em empréstimos bancários e 30 mil milhões de dólares em dívida com grau de investimento, mas as negociações ainda estão numa fase inicial e podem não resultar num acordo.

O que isto significa

A operação mostra a escala financeira que a computação de inteligência artificial passou a exigir.

A SpaceX quer transformar acesso a chips em capacidade de cálculo, e isso depende tanto de semicondutores como de financiamento.

A Nvidia volta a aparecer como fornecedora central da infraestrutura de IA, numa altura em que grandes clientes estão a investir e a endividar-se para construir ou alugar data centers.

Porque deves querer saber

🧠 A Nvidia continua no centro da procura

A possível encomenda coloca a Nvidia no centro de uma operação financiada por 40 mil milhões de dólares em dívida.

Mesmo sem acordo fechado, o tamanho da negociação mostra que os clientes de IA estão a tentar garantir capacidade de cálculo em volumes cada vez maiores.

A reação inicial foi limitada, mas apontou em sentidos diferentes: a SpaceX chegou a cair 1,8% após o fecho do mercado, enquanto a Nvidia chegou a subir 0,6%.

🏗️ A IA também se constrói com dívida

A expansão da IA deixou de depender apenas de melhores modelos ou de chips mais rápidos.

Também depende de data centers, energia, terrenos e financiamento suficiente para montar capacidade de computação a grande escala.

A presença da Apollo e da Pacific Investment Management mostra que a infraestrutura de IA está a aproximar fabricantes de chips, bancos e gestoras de investimento.

Repara que, em agosto, a Nvidia chamou Apollo, Blackstone, BlackRock, Brookfield Asset Management, Goldman Sachs e KKR para uma parceria destinada a mobilizar 500 mil milhões de dólares em financiamento para infraestrutura de IA.

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A leitura Clareza

Segundo o Radar de Oportunidades do Clareza, a SpaceX está classificada como Muito Cara, com um score de qualidade do negócio de 39 em 100.

MERCADOS
O aviso que o mercado não quis ouvir

O que se passou

Ontem, Michael Burry voltou a avisar para o risco de uma bolha nos mercados acionistas e escreveu que o mercado estava na primeira fase do luto, a negação.

Burry disse que essa fase durou entre 6 e 9 meses em 2000 e 2008, enquanto o S&P 500 e o Nasdaq tinham fechado em máximos recorde na terça-feira.

O que isto significa

O aviso não muda, por si só, a direção do mercado.

Mostra antes a tensão entre índices que continuam a subir e investidores que olham para valuations e despesa em inteligência artificial como potenciais fontes de excesso.

Quanto mais o mercado desconta receitas futuras da IA, maior fica a sensibilidade a atrasos, custos excessivos ou resultados que não acompanhem as expectativas.

Porque deves querer saber

📈 Os máximos continuam a falar mais alto

O contraste é claro: Burry alertou para negação nos mercados, mas o S&P 500 e o Nasdaq terminaram a terça-feira em máximos recorde.

O sentimento dominante continua favorável às ações norte-americanas.

O entusiasmo com a inteligência artificial e a expectativa de resultados empresariais fortes ainda estão a pesar mais do que os avisos sobre valuation.

🧪 A IA é o grande teste aos preços

A crítica de Burry concentra-se na forma como o mercado está a avaliar a inteligência artificial.

A questão não é apenas se a tecnologia vai crescer, mas se o investimento atual vai gerar retornos suficientes para justificar os preços.

Já aconteceu antes: o excesso de investimento em telecomunicações no fim dos anos 1990 mostrou que uma tecnologia pode transformar a economia e, ao mesmo tempo, produzir más decisões de capital.

Para quem investe, a separação entre empresas com receitas visíveis e empresas dependentes de promessas futuras ganha mais peso.

MACROECONOMIA
A inflação demora mais a sair

O que se passou

Ontem, o Banco de Portugal reviu em alta a previsão de inflação para 2027, de 2,2% para 2,4%.

Para 2026, manteve a projeção em 3,1% e espera um pico em torno de 3,6% entre outubro e dezembro.

O que isto significa

A revisão prolonga o período em que a inflação fica acima de 2%, a referência usada pelo Banco Central Europeu para a estabilidade de preços.

O Banco de Portugal ainda espera uma descida depois do pico de 2026, mas com menos alívio do que antecipava em junho.

A pressão vem sobretudo dos bens energéticos, em particular gasolina e gasóleo, refletindo a subida do preço do petróleo.

Porque deves querer saber

⛽ A energia ainda manda no índice

A subida da gasolina e do gasóleo tem impacto direto na inflação e também pode chegar aos custos das empresas.

Transportes, distribuição e atividades com consumo intensivo de energia ficam mais expostos a esta fase.

A previsão de 3,1% para 2026 não mudou, mas o pico esperado no último trimestre mostra que o choque ainda não passou.

Para as carteiras, isto torna mais relevante perceber que empresas conseguem absorver custos sem perder margem.

🏦 A descida dos preços ficou menos direta

O Banco de Portugal ainda aponta para uma convergência até 2,0% em 2028.

A revisão de 2027 para 2,4% mostra que o caminho ficou menos limpo do que parecia em junho.

O episódio atual parece mais contido do que o choque associado à invasão russa da Ucrânia.

O banco central aponta para menor aumento nos preços da energia e dos alimentos, e para uma propagação mais limitada à inflação subjacente, que exclui energia e alimentos.

Conclusão do dia

Se tivesse de escolher a notícia mais importante de hoje para quem investe, ficava com a dívida de 40 mil milhões de dólares que a SpaceX quer levantar para comprar chips da Nvidia.

Não pelo valor, até porque as conversações ainda podem cair. Importa pelo que mostra: a corrida da inteligência artificial já não se paga só com lucros das tecnológicas. Uma parte cada vez maior da conta passa para bancos e gestoras, através de dívida.

E aqui o aviso de Michael Burry ganha peso. Se a IA gerar as receitas esperadas, a dívida paga-se sem problemas. Se os retornos demorarem, os juros continuam a correr na mesma, e os valuations que já assumem um futuro perfeito ficam mais difíceis de justificar.

Por isso, o que eu acompanharia agora é se este financiamento fecha, e em que condições. Depois, os próximos resultados das grandes empresas de IA: é aí que se vê se o investimento em data centers está a gerar receitas ou apenas a esticar a aposta.

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Até amanhã,
Equipa Clareza