Destaques do dia

Viva, investidor 👋

Aqui está o que precisas de saber hoje, em 5 minutos.

  • 🏦 Horas depois de a Fed subir os juros pela primeira vez desde 2023, Trump exigiu que desçam para 1% ou menos.

  • 🧠 Dario Amodei, Sam Altman e Elon Musk defendem travar o desenvolvimento dos modelos de IA mais avançados, mas Trump recusa.

  • 📉 O Banco de Inglaterra manteve os juros em 3,75%, mas o tom moderado da declaração foi suficiente para enfraquecer a libra esterlina.

Os números de hoje

S&P500
NASDAQ
OURO
BITCOIN
BRENT OIL
1,14%
1,69%
1,92%
0,22%
1,68%
7.637
26.418
$4.345
$76.352
$104,05

Dados fornecidos pelo Yahoo Finance.

MACROECONOMIA
Juros sobem, Trump exige descida para 1%

O que se passou

Na quarta-feira, a Reserva Federal subiu a taxa de juro de referência em um quarto de ponto percentual, para um intervalo entre 3,75% e 4%. Poucas horas depois, Donald Trump exigiu, numa publicação na Truth Social, que a Fed baixe os juros para 1% ou menos.

O que isto significa

Foi a primeira subida de juros da Fed desde 2023, decidida por unanimidade pelos 12 membros do Comité Federal de Mercado Aberto. O comité justificou a decisão com a inflação ainda elevada.

O próprio comité deixou a porta aberta a mais um aumento num futuro próximo. Trump discorda completamente. O Presidente argumenta que os Estados Unidos têm o melhor crédito do mundo, e por isso deveriam pagar muito menos para se financiar.

Porque deves querer saber

🎯 A independência da Fed sob pressão pública.

A Fed é atualmente liderada por Kevin Warsh, escolhido pelo próprio Trump para o cargo. Ainda assim, votou para subir juros, não para os descer como o Presidente queria.

Isso mostra que a instituição está, para já, a resistir à pressão política. A Casa Branca diz que respeita a independência da Fed, mas isso não impede Trump de continuar a criticar publicamente as suas decisões sempre que discorda.

⚔️ Uma ameaça comercial como arma de pressão.

Trump já veio a público ameaçar cortar as trocas comerciais com países que tenham excedentes face aos Estados Unidos, caso a Fed não desça os juros. Ele estima que travar o comércio com todos os países com quem os EUA têm défice poderia gerar pelo menos 1,5 biliões de dólares por ano.

Repara que isto acontece pouco depois de a Fed ter voltado a subir juros, com o mercado já a contar com juros mais altos durante mais tempo. Se Trump insistir com estas ameaças comerciais, o risco político soma-se ao risco de juros elevados…

INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL
A IA devia andar mais devagar?

O que se passou

Nos últimos dias, o debate sobre o ritmo de desenvolvimento da inteligência artificial ganhou força. Dario Amodei, CEO da Anthropic, defendeu um abrandamento no lançamento dos modelos mais avançados, e recebeu o apoio de Sam Altman e de Elon Musk. Donald Trump também rejeitou essa ideia.

O que isto significa

A discussão não é só sobre segurança. Um ritmo mais lento no desenvolvimento dos modelos não significa automaticamente menos investimento em infraestrutura.

O impacto nos mercados vai depender sobretudo de as grandes tecnológicas manterem ou reduzirem os seus planos de investimento em data centers, semicondutores e capacidade computacional.

Porque deves querer saber

⚙️ Quem fica mais exposto se o investimento travar.

A Nvidia e outros fabricantes de semicondutores, como a AMD, a Broadcom e a Micron, dependem diretamente da construção de infraestrutura de IA. Um abrandamento significativo na construção de novos data centers reduziria a procura por GPUs, memória e redes.

Mas há uma distinção importante. Abrandar o lançamento de novos modelos não significa cortar o investimento em infraestrutura. O verdadeiro risco só aparece se os grandes clientes de cloud começarem mesmo a reduzir o capex.

🌍 A geopolítica torna tudo mais difícil de travar.

A Microsoft, a Alphabet, a Amazon e a Meta combinam elevados níveis de investimento com várias formas de rentabilizar a IA, através da cloud, da publicidade e do software empresarial. Um ritmo mais moderado pode até dar-lhes mais tempo para rentabilizar o que já investiram.

Já aconteceu antes com outras tecnologias estratégicas: qualquer travagem que dependa de cooperação internacional esbarra sempre no mesmo problema. Os Estados Unidos e a China tratam a IA como uma questão de segurança nacional, e nenhum dos dois quer abrandar sozinho enquanto o outro continua a avançar. É esse argumento que Trump usa para rejeitar qualquer travagem significativa.

MACROECONOMIA
Libra tropeça mesmo com juros em pausa

O que se passou

O Banco de Inglaterra manteve a taxa de juro de referência em 3,75%, numa votação de 6 contra 3. Os três membros que queriam subir os juros já eram esperados pelo mercado.

O que isto significa

Apesar da votação restritiva, os investidores concentraram-se no tom moderado da declaração e reduziram as apostas numa nova subida de juros para apenas 38 pontos base até ao final do ano. Isso foi suficiente para enfraquecer a libra esterlina.

A decisão e a votação corresponderam exatamente ao que o mercado esperava. Foi a declaração equilibrada que mudou as expectativas.

Porque deves querer saber

📊 Uma reação clássica de vender depois da notícia.

O responsável Martin Taylor disse claramente que a política monetária já é restritiva, e o banco central voltou a repetir que ainda não há provas sólidas de efeitos de segunda ordem sobre a inflação. Isto retirou força a quem esperava uma libra mais forte.

🌡️ Inflação a subir, mas sem pressa em agir.

O Banco de Inglaterra reviu em alta a previsão de inflação, para 3,75% até ao final de 2026 e ligeiramente acima de 4% no primeiro trimestre de 2027. O governador Andrew Bailey avisou que um conflito prolongado no Médio Oriente pode obrigar a um aperto da política monetária, mas isso não foi suficiente para sustentar a moeda agora.

O plano de redução do balanço também ajudou a acalmar os mercados. As vendas ativas de obrigações vão ficar em apenas 20 mil milhões de libras esterlinas por ano, de um total de 368 mil milhões a reduzir até 2034, o que afasta o receio de uma onda de vendas mais agressiva no mercado de dívida britânico.

Conclusão do dia

Se tivesse de escolher a notícia mais importante de hoje para quem investe, ficava com a subida de juros da Fed.

Não é só mais um quarto de ponto. É a primeira vez desde 2023 que a Fed sobe juros, e o comité deixou claro que a inflação continua elevada e que pode vir aí outro aumento em breve.

Isso muda o que o mercado estava a assumir. Até aqui, grande parte dos investidores contava com uma Fed mais próxima de aliviar as condições financeiras. Um banco central a subir juros e a sinalizar mais subidas empurra essa expectativa na direção contrária.

E isso mexe com praticamente tudo. Obrigações voltam a oferecer retornos mais atrativos, empresas com valuations mais esticados ficam mais difíceis de justificar, e ativos sensíveis à liquidez sentem mais pressão, o que também ajuda a explicar a reação negativa às ações ligadas à IA.

Por isso, o que eu vigiaria agora são as próximas declarações de responsáveis da Fed que ainda faltam sair. Se confirmarem que a subida de hoje não foi um caso isolado, é essa a variável com mais capacidade para mexer nas carteiras a partir daqui.

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Até amanhã,
Equipa Clareza